Fundo de criptomoeda: você sabe como funciona?

Tempo de leitura: 8 minutos

Incluir fundos de investimento na carteira traz diversas possibilidades, devido às classificações diferentes. Entre os tipos, há o fundo de criptomoeda. Ele se tornou uma alternativa recente no Brasil e oferece o investimento em moedas digitais de forma regulamentada.

Fundos com essa estratégia são focados em ativos digitais e podem adotar maior ou menor exposição a eles. Com isso, podem atender a distintos perfis e objetivos. Assim, é válido conhecer o funcionamento das opções.

O que veremos neste artigo?
O que é um fundo multimercado?
O que é um fundo de índice?
O que são as criptomoedas?
O que é o fundo de criptomoeda?
Quais são as vantagens dos fundos de criptomoeda?
Quais são os riscos de investir nesses fundos?
Como é a tributação de fundos de criptomoeda?
Para quem podem ser adequados?
Como investir em um fundo de criptomoedas?

Neste artigo, você encontrará tudo o que precisa saber sobre o fundo de criptomoeda. Continue a leitura e confira!

O que é um fundo multimercado?

Ele é um tipo de fundo de investimento que não tem regras de classificação quanto à alocação de ativos. Por isso vale a pena conhecer o conceito de fundo multimercado antes de pensar nos fundos especificamente ligados às criptomoedas.

Um fundo de ações, por exemplo, deve investir a maior parte dos recursos em ações, direitos de subscrição e outras possibilidades relacionadas. Um fundo imobiliário, por sua vez, deve priorizar ativos ligados a esse mercado.

Já os fundos multimercados têm mais flexibilidade e podem investir em alternativas da renda fixa ou da renda variável, na proporção que seja de interesse. O gestor profissional, então, segue uma estratégia que é definida pelo fundo.

O que é fundo de índice?

Outra classificação que interessa a quem procura por criptomoedas é o fundo de índice ou exchange traded fund (ETF). Ele recebe esse nome porque sua estratégia de investimento consiste em replicar a carteira teórica de um indicador de mercado.

Portanto, o fundo investe nos mesmos ativos de um indicador, em proporções equivalentes. Com isso, o retorno, antes de taxas e impostos, é equivalente ao rendimento obtido pelo índice. Mais à frente você entenderá como os conceitos vistos aqui se relacionam ao fundo de criptomoeda.

O que são as criptomoedas?

Também é importante compreender as características das criptomoedas ou moedas digitais. Esses criptoativos permitem a transferência de valor entre as partes, por meios digitais e a qualquer momento.

O funcionamento delas, normalmente, é baseado em um protocolo conhecido como blockchain. Para entender melhor, tome o bitcoin como exemplo. Quando uma transação com a moeda digital é feita, é necessário validá-la para evitar fraudes.

Isso acontece por meio dos mineradores — voluntários que oferecem recursos computacionais em troca de moedas. A operação é validada por eles e o bloco de registro de cada transação é unido ao bloco da transação anterior, formando a corrente de blocos (ou blockchain).

Uma das características das criptomoedas é que elas são descentralizadas. Então não existe um órgão competente que é responsável por formular suas regras, por exemplo.

Elas também são consideradas anônimas e focadas na privacidade, pois contam com protocolos para proteger os dados pessoais de quem as utiliza. No geral, são irrastreáveis, não sendo possível associar uma transação a uma pessoa.

Além disso, as criptomoedas permitem enviar e receber recursos de qualquer parte do mundo, sem interferências de câmbio ou de impostos. As transações costumam durar poucos minutos e, pela participação dos usuários para a validação, são consideradas antifraudes.

O que é o fundo de criptomoeda?

Após conhecer todos esses conceitos, é hora de partir para os fundos de criptomoedas. Eles são fundos cuja estratégia envolve investimentos de recursos nas moedas digitais, com diferentes níveis de exposição.

Na prática, um fundo de criptomoeda pode ser classificado de duas formas distintas: multimercado ou ETF. A seguir, entenda as características específicas quando as criptomoedas são o ativo de interesse!

ETF de criptomoeda

O ETF de criptomoeda busca replicar um índice de mercado composto, prioritariamente, por criptoativos desse tipo. Um exemplo é o HASH11, ETF da gestora Hashdex. Seu objetivo é replicar o Nasdaq Crypto Index (NCI), índice criado pela Hashdex com a bolsa americana Nasdaq.

Ele foi concebido para medir o desempenho geral do mercado de criptomoedas e, por isso, conta com os criptoativos com maior valor de capitalização. Em sua criação, ele contava com 6 criptomoedas principais, mas a composição de carteira pode mudar com o rebalanceamento.

Convém saber que o HASH11 é, na verdade, um ETF de ETF. Isso porque o fundo de índice brasileiro investe em um fundo internacional. O investimento não é feito diretamente nas moedas e, sim, nas cotas do ETF conhecido como Hashdex Nasdaq Crypto Index, que acompanha o mesmo indicador.

Multimercado de criptomoeda

Outra possibilidade para investir em criptomoedas é por meio de um fundo multimercado de criptomoeda. Graças à flexibilidade para definir a estratégia de investimento, os fundos do tipo apresentam exposições variadas aos ativos digitais.

Há, por exemplo, fundos de criptomoeda com exposição de 20% a eles. Significa que, de todo o patrimônio do fundo, 20% dele é investido nesse tipo de ativo e o restante segue para outras alternativas, de renda fixa ou variável.

Também há fundos com exposição de 40% ou de 80% a criptomoedas. Para quem estiver disposto a correr mais riscos, existem aqueles que têm 100% de exposição — normalmente destinados a investidores qualificados.

Nesse cenário, é comum que haja uma divisão do patrimônio entre as moedas individuais e cotas de ETFs de criptomoedas.

Quais são as vantagens dos fundos de criptomoeda?

Como as criptomoedas são descentralizadas, elas não são regulamentadas em muitos países, como é o caso do Brasil. Assim, se você comprar diretamente as moedas digitais, não fará um investimento efetivamente regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Os fundos de criptomoedas, por outro lado, atendem a todas as regras de qualquer fundo de investimento. Por conta disso, um dos benefícios de escolhê-los é exatamente o fato de contar com uma alternativa regularizada.

Assim, há benefícios como maior segurança institucional. Além disso, não é necessário se preocupar com a custódia ou proteção das moedas. A praticidade é outra vantagem, já que não é preciso analisar cada moeda digital individualmente.

Outra vantagem do investimento é o potencial de valorização dos criptoativos. Não é possível determinar o que acontecerá no futuro, mas, historicamente, eles vêm ganhando valor. Dependendo das suas características, os fundos podem ser uma forma de aproveitar essa evolução.

Se fizer sentido para o seu perfil e objetivos, os fundos de investimento em criptomoeda podem ajudar a diversificar a carteira. Como os criptoativos são descorrelacionados de outros investimentos, auxiliam a diluir o risco do portfólio.

Quais são os riscos de investir nesses fundos?

Apesar das vantagens, vale a pena ter atenção com os riscos do fundo de investimento em criptomoeda. Por ser de renda variável, o risco de mercado é o mais importante a considerar, já que o preço das cotas de participação pode oscilar bastante com as condições do cenário.

A volatilidade dos criptoativos é elevada e eles podem sofrer grandes altas ou quedas intensas, o que se reflete nos resultados do fundo. É possível mitigar os riscos ao escolher fundos com exposição menor, por exemplo.

Como é a tributação de fundos de criptomoeda?

Independentemente do tipo, o fundo de criptomoeda é um investimento tributável. Porém, a incidência dos impostos é diferente de acordo com a classificação.

O ETF, por exemplo, prevê a cobrança de imposto quando há a venda com ganho de capital (lucro). A alíquota é de 15% para operações comuns e de 20% para day trade e o recolhimento ocorre via Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF).

Já o imposto sobre o fundo multimercado é cobrado segundo o tempo, usando a tabela regressiva. Veja as alíquotas:

  Até 180 dias 22,5%
 de 181 a 360 dias 20%
 de 361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

O IR é antecipado pela cobrança de come-cotas, que ocorre semestralmente. É considerada a taxa de 20% para fundos de curto prazo e de 15% para fundos de longo prazo. No momento do resgate das cotas, o investidor só precisa pagar a diferença, se houver.

Para quem podem ser adequados?

Depois de conhecer as características gerais do fundo de criptomoedas, é a hora de descobrir se ele deve fazer parte da sua carteira. Normalmente, investir neles é adequado para quem tem uma tolerância maior ao risco, devido à volatilidade dos ativos.

Porém, como você viu, há fundos com diferentes níveis de exposição às moedas digitais. Assim, é possível encontrar possibilidades para variados perfis de investidor e tolerância ao risco.

Também é importante avaliar seus objetivos financeiros. Muitos investidores, por exemplo, optam por se expor a esses fundos com foco no médio e no longo prazo. Outros, preferem explorar as possibilidades no curto prazo.

Então, é fundamental que a sua decisão esteja alinhada com as suas expectativas.

Como investir em um fundo de criptomoedas?

Caso decida que essa opção é adequada para você, é preciso saber como investir em fundos de criptomoedas no Brasil. As cotas dos fundos multimercados são negociadas na plataforma de investimento da instituição financeira.

Enquanto isso, as cotas dos ETFs ficam disponíveis no home broker, na bolsa de valores. Então, independentemente do fundo escolhido, é fundamental contar com uma boa corretora de valores. Ela garantirá o acesso aos fundos e também é essencial para oferecer o suporte necessário.

Diante dessas informações, você sabe o que é e como funciona um fundo de criptomoeda. Pondere as vantagens e os riscos com seus objetivos e seu perfil para decidir se a alternativa faz sentido para o seu portfólio.

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