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Front running: veja por que é uma prática ilegal!

Tempo de leitura: 5 minutos

No mercado financeiro, especialmente para os que buscam ganhos no curto prazo, adiantar-se e tomar decisões rápidas é primordial. Contudo, nem sempre essas estratégias são legais, como é o caso do front running.

A prática consiste em uma forma de vantagem competitiva, com acesso a informações privilegiadas. No entanto, não é raro encontrar quem não entenda os motivos que fazem o movimento ser criminoso e o que o diferencia de estratégias legalizadas.

Você quer saber o que é o front running e por que ele é ilegal? Entenda neste artigo!

O que é front running?

No mercado financeiro, a prática consiste na obtenção de informações privilegiadas sobre negociações e outros aspectos que podem se configurar em uma vantagem. Em uma tradução livre, front running significa “correr na frente”.

Desse modo, o front runner é a pessoa que, com esse acesso, antecipa tendências de mercado para beneficiar a si mesmo e outros investidores. A prática se configura um crime porque a bolsa de valores busca ser um ambiente transparente — oferecendo oportunidades iguais para todos.

Como funciona essa prática ilegal?

Em um primeiro momento, é possível que a definição de front running ainda cause algumas dúvidas. Por isso, entender a prática a partir de um exemplo é fundamental. Considere um profissional que trabalha em uma corretora de valores.

Nessa posição, ele toma conhecimento que um investidor emitiu uma ordem de compra milionária para uma determinada ação. Por ser experiente em relação às oscilações do mercado, ele entende que a tendência é que o ativo se valorize após a finalização do processo.

Depois, a subida de preço pode criar um efeito manada e tornar o aumento ainda mais intenso. Desse modo, antes que a ordem seja realizada, essa pessoa se antecipa e compra os papéis para si — ou outros possíveis clientes.

Assim, quando o ativo eventualmente valorizar após a aquisição milionária, será possível aproveitar as altas para obter ganhos no curto prazo. Mas, além de antiética, a prática é um crime — por se aproveitar de uma posição privilegiada.

Outro exemplo de front running pode ser com analistas financeiros. Esses profissionais são responsáveis por fazer análises do mercado e publicar relatórios públicos ou exclusivos para os seus clientes apontando tendências.

Dessa forma, o analista pode conduzir análises que privilegiam ativos que ele mesmo possui. O objetivo, portanto, seria valorizar a própria carteira. Outra forma é fazer as compras dos ativos antes de publicar os relatórios.

Quais as punições para o crime?

Como você entendeu, o front running é uma prática criminosa. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) institui normas claras que proíbem a prática e orientam as punições dos envolvidos. O esforço é para que todos os investidores e especuladores tenham o mesmo acesso às informações.

Logo, aproveitar de privilégios por conhecimento exclusivo torna o ambiente inseguro para os demais. Por isso, quando se identifica alguém cometendo esse tipo de ato, a pessoa pode enfrentar complicações legais.

Uma das punições é multa, que pode representar muito mais que o valor obtido com o front running.  Também existem penas de reclusão para quem se beneficiou de informações privilegiadas. Por fim, a CVM pode buscar restringir os ativos que foram obtidos a partir da prática.

Existem casos famosos de front running?

Um caso conhecido de front running aconteceu com o HSBC — um dos maiores bancos do mundo. Em 2011, o grupo foi contratado por uma organização escocesa para fazer uma conversão de 3.5 bilhões em libras esterlinas.

Como essa operação estava prevista para acontecer em qualquer data futura e valorizaria o câmbio em questão, operadores fizeram a compra da moeda com dinheiro do próprio banco. Desse modo, quando a ordem foi executada, a moeda se valorizou e o banco lucrou.

A operação rendeu quase 3 milhões de dólares e mais 5 milhões pelos serviços de câmbio. Contudo, após a comprovação da prática ilegal, o banco foi multado. Assim, 6 anos depois o HSBC precisou pagar mais de 170 milhões de dólares.

Qual a diferença entre o front running e o insider trading?

Além do front running, outra prática ilegal que consiste no uso de informações privilegiadas é o insider trading. Embora os conceitos possam soar similares e confundir investidores, as atividades são distintas.

Em primeiro lugar, como você viu, o front running é uma prática de corretores, analistas ou outro intermediário do mercado financeiro. Desse modo, eles se adiantam em relação aos clientes para benefício próprio.

O insider trading, por sua vez, é uma informação que parte internamente de uma empresa. É o caso, por exemplo, de um funcionário que tem acesso a informações de que sua organização está lançando um novo e ambicioso projeto.

Por entender que essa será uma movimentação com potencial positivo, esse colaborador pode adquirir ações agora para tirar proveito das altas no futuro. Isso significa que ele fez uso de informações privilegiadas para se beneficiar em relação a outros investidores.

É importante destacar que o acesso a informações como essas não é crime. Isso faz parte da rotina de muitos profissionais. O que configura o front running e o insider trading é realizar uma movimentação antes que essas informações se tornem públicas.

Por que é importante conhecer práticas como essas?

Para quem opera no mercado financeiro, seja como iniciante ou mais experiente, antecipar-se às tendências é um dos principais objetivos. Essa é uma estratégia que pode ser responsável por trazer uma ampliação em seus lucros.

No entanto, é preciso ter atenção para não praticar nenhum ato ilegal — mesmo que sem saber. Suponha, por exemplo, que você conheça alguém que trabalhe como corretor. Em um primeiro momento, entrar em contato com ele para buscar informações pode soar como uma boa estratégia.

Contudo, quando são compartilhadas informações sigilosas, a prática se configura justamente no crime de front running. Por isso, é imprescindível conhecer esses duas conceitos para evitar participar de alguma operação desse tipo.

Como você viu, o front running e o insider trading podem se apresentar como uma oportunidade para obter ganhos no curto prazo. Todavia, ambas as atividades são ilegais e podem trazer diversas complicações para quem as pratica. Por isso, é fundamental não seguir esses caminhos.

Quer entender mais sobre o mercado financeiro? Conheça dicas para aprimorar seus conhecimentos!

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