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Finalmente, um dígito na taxa de desemprego!

4 de julho de 2022
Escrito por Terraco Econômico
Tempo de leitura: 4 min
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Tempo de leitura: 4 min

No início do mês passado, lançamos aqui, em O Guia Financeiro, o seguinte artigo: Desemprego em queda no Brasil: tendência ou momento?.

A nossa intenção era justamente fazer uma análise sobre a atual situação do desemprego no Brasil, por meio de alguns dados e insights, buscando estabelecer um canal de discussão, junto com algumas previsões a respeito de possíveis cenários futuros.

Entre essas previsões, estava a possibilidade da taxa do desemprego chegar a um dígito. Por isso, fizemos questão de levantar o seguinte questionamento: “Um dígito na taxa de desemprego vem quando?”.

Já possuímos a resposta para essa pergunta, pois a taxa de desemprego – depois de uma longa espera – chegou a um dígito finalmente. Estávamos em dois dígitos nesse acompanhamento desde a crise de 2015-2016, um longo período.

Mas, apesar da boa notícia, o que isso significa? Voltaremos a conviver com desemprego de dois dígitos em um futuro próximo?

Desemprego em um dígito: um sonho que finalmente se tornou realidade?

No trimestre referente a março-abril-maio de 2022, a taxa de desemprego brasileira finalmente chegou a um dígito, situação que não era vista desde o trimestre dezembro-janeiro-fevereiro do ano de 2015. O ponto mais atualizado dos dados é de 9,8%!

A partir do gráfico abaixo, podemos observar a taxa de desemprego, correspondente ao trimestre março-abril-maio, desde o ano de 2016.

Gráfico de taxa de desemprego
Fonte: Elaboração própria com dados do IBGE.

No gráfico, exceção feita ao trimestre mais recente (ano de 2022), com uma taxa de desemprego de 9,8%, em todos os demais anos anteriores o desemprego se manteve acima de 10%.

Esse resultado demonstra uma tendência de recuperação no mercado de trabalho brasileiro, em um patamar pré-pandemia, algo verificado já em outros trimestres de 2022. Em janeiro-fevereiro-março, por exemplo, a taxa de desemprego ficou em 11,1%, enquanto que, no trimestre fevereiro-março-abril, o valor foi de 10,5%.

Agora, falando em valores absolutos, o Brasil possui atualmente cerca de 10,6 milhões de pessoas desempregadas. O número ainda é bastante elevado, bem longe de “um sonho que se tornou realidade”, mas ainda sim representa 1,4 milhão de pessoas a menos quando comparado ao trimestre anterior (fevereiro-março-abril).

Mas o que é a taxa de desemprego?

No Brasil, a taxa de desemprego se refere à desocupação oficial no país, sendo definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o próprio IBGE, a situação de desemprego é quando uma pessoa que possui idade para trabalhar – mais de 14 anos -, não está trabalhando, mas está disponível e tentando conseguir emprego. Por isso, para ser considerado desempregado, não possuir um emprego é uma condição necessária, porém não suficiente.

Além do valor dessa taxa em si, há três fatores muito importantes que se relacionam com ela:

  • taxa de ocupação;
  • quantidade de desalentados;
  • massa salarial.

A taxa de ocupação pode ser definida como a quantidade de pessoas no país que estão ocupadas com algum trabalho no momento em que a pesquisa é realizada.

Já o desalento, este é definido como uma situação na qual a pessoa desiste de procurar emprego. Apesar disso, uma pessoa, passando por essa situação de desalento, aceitaria trabalhar no caso de conseguir alguma oportunidade de emprego.

A respeito da massa salarial agregada, trata-se do produto entre a remuneração média dos indivíduos empregados e o número de empregos. É o dinheiro que circula na economia olhando pelo lado de quem está trabalhando

“PEC kamikaze” indo de encontro ao emprego?

Depois de passar por discussão no Plenário do Senado Federal, acabou sendo aprovada em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 1/2022. Essa proposta, liderada pelo Governo Federal, concede uma série de “bondades” como:

  • aumento do valor do Auxílio Brasil;
  • aumento do valor do Vale-Gás;
  • criação do voucher-caminhoneiro;
  • criação de benefícios para taxistas;
  • compensações da alíquota do etanol para os estados;
  • gratuidade no transporte público para idosos;
  • suplementação financeira do Alimenta Brasil.

Esses benefícios deverão custar R$41,25 bilhões aos cofres públicos – pelas contas feitas até agora e caso durem apenas o período estabelecido, que vai até o fim deste ano. O que explica muito bem o porquê dessa PEC ter sido apelidada como PEC kamikaze.

Num país que ainda sofre os efeitos de uma profunda crise fiscal na última década, responsável por enorme e duradoura queda do nível de atividade econômica, uma expressiva elevação dos gastos públicos pode servir como um gatilho para mais um forte solavanco econômico, inclusive com impacto na elevação do nível de desemprego.

Em que pese a PEC kamikaze ter sido criada para ser temporária, destinada única e exclusivamente a um estado de emergência – por mera coincidência, também eleitoral – a tendência não é bem essa. Afinal, como teria dito Milton Friedman, “nada é tão permanente quanto um programa temporário do governo”.

E como muito bem sabemos, gastos públicos mal formulados e com fortes suspeitas de motivações eleitoreiras causam o agravamento da situação fiscal e, por consequência, levam a um grande debacle no nível de emprego do país.

No final, é quase um déjà-vu: já vimos essa história antes. Será que o final do filme vai ser o mesmo das outras vezes também?

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