A Era ESG: Como esse tema tem influenciado o mercado de fundos de investimentos?

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Em um curto espaço de tempo, houve uma demanda cada vez maior dos investidores, consumidores e da sociedade para investimentos ESG. Essa sigla que tomou conta do mercado nos últimos tempos, deriva dos termos Environment, Social, and Governance, em inglês. A tradução literal seria meio ambiente, social e governança.

Embora recente, o tema de desenvolvimento sustentável não é novidade e o ESG é a aplicação deste conceito às empresas. Essa sigla funciona como um selo que comprova o compromisso da empresa com as pautas de sustentabilidade, diligência governamental e bem-estar social.

“Gradualmente, as empresas começam a se conscientizar e adotar práticas que não faziam parte do dia a dia e questões como mudanças climáticas, escassez de recursos, crescimento populacional e falência corporativa são levadas cada vez mais a sério. Como gestores ativos, procuramos, através do engajamento com as empresas, incentivar as melhores práticas de governança corporativa e acreditamos que empresas preocupadas com o impacto das suas operações na sociedade e no meio ambiente tendem a gerar melhores resultados financeiros para seus investidores, no longo prazo.” diz Fernando Cortez, Diretor Comercial da Schroders, asset que implementa a análise ESG há 23 anos no seu processo com um time 100% dedicado composto por mais de 20 pessoas e mais de 10 sistemas proprietários que foram desenvolvidos para auxiliar o time de gestão na análise de empresas.

No entanto, a importância do ESG também sofre duras críticas. O Aswath Damodaran, um dos nomes mais conceituados quando o assunto é valuation, tece fortes críticas ao tema, chamando-o de “overhyped’ e “oversold”. Damodaran, acredita que o ESG é uma forma de transpor as responsabilidades fiscais que deveriam ser do governo para as empresas.

Mesmo com duras críticas, houve um aumento inegável da cobrança por essa classe e o mercado de fundos de investimentos tem se adaptado para atender essa demanda. Os fundos que levam em conta a sigla tiveram uma entrada líquida de capital de US$71 bilhões durante o período mais agudo da crise (o que fez com que chegassem a US$1 trilhão de valor total globalmente).

              Embora não haja um método único de análise ESG, diferentes casas têm modificado seu processo de investimento para acrescentar essa nova variável de análise. “Nos últimos anos, a Constellation tem implementado os processos ESG dentro da empresa, assim como no processo de investimento. Atualmente, as questões ESG são tratadas no Comitê de Investimentos (quando relacionadas às companhias investidas) e no Comitê Executivo (quando se trata de assuntos internos da própria Constellation). Para entender um pouco melhor sobre nossa análise dos fatores ESG, nós temos uma metodologia proprietária de análise dividida em duas partes. A primeira consiste em listar os fatores que entendemos ser os mais importantes e de maior relevância para o mercado. Com isso, criamos um ranking próprio de notas ESG para cada empresa da nossa cobertura, nos permitindo comparar as companhias dentro das respectivas indústrias e as indústrias entre si. A segunda parte é uma combinação de fatores qualitativos que consideramos essenciais ao longo da análise das companhias. É um fator mais subjetivo – mas não menos importante – da análise.” diz Raquel Dias, CFA, Partner e RI da Constellation.

              No mercado de fundos de renda fixa e crédito privado, essa tendência também vem tomando conta como explica Gabriel Fidalgo, analista sênior da Plural Gestão: “Dentro da Plural Gestão, as questões ESG já eram vistas, em especial as de governança, dentro do nosso modelo de crédito. Contudo, com a maior abertura de informações nessas questões por parte das companhias, entendemos que deveríamos sofisticar a nossa análise, fazendo uma análise ESG complementar a de crédito. Para isso, contratamos a Sitawi para nos auxiliarem a desenvolver nossa ferramenta de avaliação e política ESG. Além disso, constituímos um Conselho de Notáveis, com um especialista em cada uma das 3 áreas, Prof Carlos Nobre (E), Sra Alice Kuerten (S) e Sra Cristiana Pereira (G), que atuam como consultores (sem poder de decisão nos investimentos) para dúvidas que, por ventura, tenhamos, dado que o ESG não é estático, e sim, dinâmico, aonde estar atualizado é um desafio constante. Por fim, ao avaliar os fundos ESG já existentes no mercado, percebemos que o valor mínimo era uma barreira de entrada para o investidor em geral, por isso, decidimos que o nosso fundo Plural ESG tivesse valor mínimo de R$ 10 de aplicação para democratizar o investimento em questões ESG, além de reverter 20% da taxa de administração devida ao gestor (sem tirar rentabilidade do investidor) para 3 instituições filantrópicas.”

              Independentemente da classe de fundos, a análise ESG tem sido incorporada no processo de investimento. Nós da Guide acreditamos que essa mudança é inegável e irreversível. Assim, estamos constantemente expandindo nosso portfólio para suprir essa demanda pujante. Embora haja muito espaço para evolução e crescimento, uma coisa não podemos negar, estamos na Era ESG.

              ESG te interessa? Confira os nossos outros conteúdos envolvendo esse tema.

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