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Energia elétrica e ESG: para não esquecermos do “S”

29 de junho de 2022
Escrito por Suno Research
Tempo de leitura: 3 min
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Tempo de leitura: 3 min

A eletricidade transformou a humanidade como nenhuma outra forma de energia o fez. Desde os primórdios do que se chama de Era da Energia Elétrica, há menos de um século e meio atrás, a eletricidade mudou como vivemos, comunicamos, aprendemos e comemos, alimentando um período sem precedentes de desenvolvimento humano.

Ainda que seja fácil argumentar que a energia elétrica torna a vida moderna possível, é também importante evidenciar que em torno de três bilhões de pessoas ainda estão presas no escuro.

Conforme levantado no livro A Question of Power: Electricity and the Wealth of Nations (Uma Questão de Energia: Eletricidade e a Riqueza das Nações, em tradução livre), publicado por Robert Bryce em 2020, aproximadamente dois bilhões de pessoas dispõem de somente pequenas porções de energia elétrica, enquanto um bilhão sequer possui acesso.

A situação é lamentável pois apesar da disponibilidade de energia elétrica não garantir riqueza, é fato que a sua falta quase sempre representa pobreza.

Fazendo um recorte das nações do planeta, é possível alegar que a ampla disparidade entre ricos e pobres pode ser, em grande parte, definida pela disparidade entre aqueles que já se acostumaram com a eletricidade em abundância e outros que travam batalhas diárias para garantir um pouco dela.

No livro, é relatado o caso de uma família porto-riquenha que, após o Furação Maria devastar a infraestrutura do país em 2017, passou a viver com a constante preocupação de alimentar um gerador funcionando poucas horas por dia.

A partir do caso, se constata que a oportunidade para essas pessoas se desenvolverem além do trabalho exaustivo diário se torna escassa, levando também as suas possibilidades de desenvolvimento econômico e social, que dependem do aumento do acesso à eletricidade confiável.

Evidencia-se aí, portanto, que o movimento ESG (Environmental, Social and Governance) não pode atrelar as discussões sobre o tema energia elétrica apenas à letra “E”, que reflete uma justa preocupação com os impactos ambientais de uma expansão energética irresponsável.

A eletricidade, sobretudo, também deve ser enxergada tendo em vista o seu importante impacto social, representado pela letra “S”, sob pena de estarmos praticando um ato de auto sabotagem quando não fazemos uso de uma ótica completa nas análises ESG.

Numerosos políticos e grupos do meio ambiente têm reivindicado que podemos eliminar completamente o uso de hidrocarbonetos (carvão, óleo e gás natural) e energia nuclear. Em vez disso, deveríamos confiar principalmente em energia solar e eólica.

Ao mesmo tempo em que essas iniciativas têm a intenção de parar ou arrefecer as mudanças climáticas, elas podem estar representando um pensamento um pouco realista. Tal defesa ignora as inúmeras desvantagens existentes em depositar todas as confianças em fontes intermitentes de energia, que não podem ser armazenadas em sua forma original.

Além disso, elas esquecem como vastas porções de terra, concreto, aço, cobre e outras commodities seriam requeridas para fazer esses projetos funcionarem na escala em que a sociedade moderna demanda.

Em consonância, carros elétricos como os da Tesla nutrem do que se assemelha a um culto de defensores, com pouco entendimento do fato de que precisamos tirar de algum lugar a energia necessária para carregá-los. Ademais, sua fabricação requer mineração em larga escala para garantir o lítio, o cobalto e os demais elementos que são usados em veículos a bateria e motor.

Quando se trata de eletricidade, é possível esquecermos da sua importância, dado que estamos acostumados com o seu uso como algo garantido. “We take it for granted”, na expressão americana utilizada por Bryce em seu livro para chamar atenção a esse fato.

Acontece que a energia elétrica, uma das conquistas mais importantes do mundo, também é algo difícil de ser suprido de uma maneira que seja conjuntamente barata e confiável, sobretudo quando lançamos o nosso olhar para locais menos desenvolvidos nesse âmbito.

Resumidamente, a produção e consumo de energia elétrica sempre chega com um custo embutido. Abandonar o nosso sistema de geração elétrica atual para um que depende somente de fontes intermitentes pode fazer a nossa rede se tornar menos estável e confiável, criando um ambiente fértil para problemas sociais que sequer foram solucionados em todo o globo.

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