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Cotações por TradingView

Dividendos x juros sobre capital próprio: o que são e como compor a carteira com eles?

20 de maio de 2022
Escrito por Guide Investimentos
Tempo de leitura: 11 min
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Tempo de leitura: 11 min

A negociação de ações está entre as possibilidades de investimento para quem visa obter ganhos na bolsa de valores. No entanto, a busca por lucros na venda do ativo após a valorização não é a única alternativa para ter rentabilidade com empresas de capital aberto. Também há chances de receber proventos.

É o caso dos dividendos e dos juros sobre capital próprio — você já sabe o que são ou como eles funcionam? Embora nem todas as companhias listadas em bolsa façam a sua distribuição, é possível montar uma carteira com ações de empresas com maiores chances de pagamento.

Se você quer saber mais sobre o tema, siga com a leitura deste artigo e veja o que são dividendos e juros sobre o capital próprio e como compor a sua carteira visando o recebimento desses proventos.

Boa leitura!

O que são ações?

Considerando que o acesso aos dividendos e juros sobre capital próprio se dá por meio do investimento em ações, é necessário revisitar esse conceito primeiro.

Ações são ativos de renda variável disponíveis na bolsa de valores. Elas representam a menor parte negociável do capital social de uma empresa que decide abrir o seu capital. Assim, quem adquire uma ação se torna acionista do negócio.

Com isso, o acionista passa da compartilhar os resultados e riscos da companhia. Os resultados podem se dar com a valorização dos papéis ou com o recebimento de proventos. Já os riscos estão relacionados à desvalorização das ações ou, até mesmo, à falência da empresa.

Quando se fala em proventos, existem 4 principais tipos: os dividendos, juros sobre capital próprio, bonificação e bônus de subscrição. Os dois primeiros são pagos em dinheiro, enquanto os dois últimos em ações e em direito de adquiri-las por um preço menor, respectivamente.

Diante disso, quem se interessa pelo recebimento de renda passiva no mercado encontra, nas ações, duas possibilidades de ter uma renda recorrente — embora não seja garantida. Logo, é válido estudá-las melhor.

O que são dividendos?

Como você viu, os dividendos integram os proventos que uma companhia de capital aberto pode distribuir ao seu acionista. Segundo a Lei das Sociedades Anônimas (SA), os dividendos são de distribuição obrigatória a cada exercício fiscal, caso a empresa tenha lucros.

Apesar da obrigatoriedade, a legislação não estipula uma quantia máxima ou mínima de distribuição. Logo, cada companhia pode estipular o percentual de lucro que pagará aos seus investidores. Essa informação constará em seu estatuto, junto à periodicidade do pagamento.

De modo a incentivar o investimento, muitas empresas optam pela distribuição de 25% de seu lucro. No entanto, é possível encontrar organizações que oferecem um percentual menor ou maior, assim como aquelas que reinvestem seus lucros e, com isso, não pagam dividendos.

Ademais, os dividendos são isentos de Imposto de Renda (IR) ao acionista. Ou seja, o investidor recebe o valor líquido sem nenhum desconto. Isso acontece porque os dividendos são computados no lucro líquido da empresa e, assim, integram a sua base de cálculo tributária.

Porém, vale destacar que, em 2021, um projeto de lei visando mudar a tributação dos dividendos entrou em discussão. Se ele for aprovado, a tributação passaria a recair sobre o investidor, diminuindo a carga tributária das companhias listadas em bolsa. Porém, em 2022, o projeto ainda tramitava no legislativo.

O que são juros sobre capital próprio?

Os juros sobre o capital próprio (ou JCP) também são proventos pagos em dinheiro. Logo, trata-se de outra forma de receber renda passiva com ações. O conceito é parecido com o dos dividendos, no entanto, a sua distribuição é facultativa.

Na verdade, o surgimento dos JCP parte da interpretação de uma lei tributária que permite às empresas lançarem esse provento como despesa em seu livro contábil. Dessa forma, os JCP não integram a base de cálculo tributária da organização. Logo, ela paga menos impostos.

Por conta disso, a obrigação tributária recai sobre o investidor, que precisa recolher 15% sobre o montante recebido a título de IR. A quantia é retida na fonte, sendo que o lucro remanescente é depositado na conta do investidor na corretora de valores.

Vale destacar que, ainda que a incidência de imposto possa parecer desvantajosa ao investidor, na realidade, ela é benéfica. Isso porque, se a tributação recaísse sobre a empresa, a alíquota a ser recolhida superaria os 15%. Nesse cenário, o investidor receberia uma quantia menor do provento.

Como não há obrigatoriedade na sua distribuição, o pagamento dos JCP dependerá das políticas internas da organização. Então, caso você queira recebê-los, precisará verificar se eles estão previstos no estatuto social da empresa de interesse.

Quais as principais diferenças entre esses proventos?

Ao chegar até aqui, você já deve ter percebido a diferença entre esses dois proventos, mas vale frisá-los para que não restem dúvidas sobre o assunto.

A principal diferença entre dividendos e JCP é a tributação. Como visto, os dividendos são isentos de IR para o investidor, já nos juros sobre capital próprio há incidência de uma alíquota de 15% de imposto, recolhido diretamente na fonte.

Outra distinção refere-se à obrigatoriedade de distribuição. Por lei, os dividendos devem ser distribuídos a cada exercício fiscal no qual uma empresa obtenha lucro. O pagamento de JCP, por sua vez, é facultativo e dependerá da política interna da companhia.

Também existem diferenças em relação ao motivo do pagamento. Você aprendeu que os dividendos são pagos quando a empresa tem lucro.

No caso dos JCP, a motivação está relacionada à redução da carga tributária empresarial. Isso significa que os juros sobre capital próprio podem ser distribuídos mesmo quando a companhia não tem lucro — visando reduzir os custos com impostos.

Vale destacar que os JCP são proventos exclusivos de empresas de capital aberto. Por outro lado, os dividendos podem ser pagos por companhias fechadas ou por fundos de investimento imobiliários (FIIs).

Qual o papel dos dividendos e dos JCP na composição de carteira?

Tanto os dividendos quanto os JCP exercem um papel fundamental na carteira do investidor. Afinal, eles permitem rentabilizar o seu capital e reforçar a acumulação de patrimônio. Quando analisados em um horizonte de longo prazo, ambos também podem servir de fontes de renda passiva — ainda que não sejam garantidas.

A renda passiva é compreendida como o dinheiro que você recebe sem precisar trabalhar. Quem investe visando recebê-la tem à sua disposição diferentes alternativas do mercado. Por exemplo, existem aplicações de renda fixa que distribuem juros semestrais.

Porém, a rentabilidade costuma ser limitada, especialmente em comparação ao potencial da renda variável. Por outro lado, ao investir em ações que pagam dividendos ou JCP, o investidor poderá lucrar com eventual valorização dos papéis ao longo do tempo e com o recebimento desses proventos.

Assim, é possível potencializar os resultados de sua carteira ao mesmo tempo em que a rentabiliza. Ao adotar a estratégia de reinvestir os dividendos ou juros recebidos, por exemplo, os ganhos poderão ser maiores — ampliando o seu patrimônio em menor tempo.

Com isso, poderá chegar um momento em que você atingirá a independência financeira — sendo possível viver de renda. No entanto, é preciso ter em mente que as ações pertencem à renda variável.

Isso significa que não há como prever os resultados dos investimentos, os quais poderão ser negativos. Por isso, é importante fazer boas escolhas para aumentar as chances de alcançar os seus objetivos com esses aportes.

Como compor um portfólio com dividendos e juros sobre capital próprio?

Depois de conferir o conceito e funcionamento dos dividendos e dos juros sobre capital próprio, é possível que você queira saber como compor um portfólio com eles.

Confira o que é preciso ser observado!

Identifique o seu perfil de investidor e objetivos

O passo inicial para quem deseja investir visando o recebimento de dividendos ou JCP é conhecer o seu perfil de investidor e traçar os objetivos almejados. Como você observou, o investimento em ações envolve os riscos da renda variável.

Ao descobrir o seu perfil de investidor, você saberá o seu nível de abertura aos riscos. Quem tem um perfil conservador prioriza a segurança. Já quem tem um perfil moderado tolera um pouco mais de riscos e o perfil arrojado busca maior rentabilidade.

Por isso, a busca por renda passiva por meio do investimento em ações tende a se alinhar melhor a quem tem maior apetite aos riscos, como investidores moderados e arrojados.

Em relação aos objetivos, é importante traçá-los com antecedência. Assim, você consegue selecionar no mercado as companhias com as maiores chances de atingi-los. Por exemplo, escolhendo apenas empresas que fazem a distribuição de ambos os proventos (dividendos e JCP).

Estude sobre a análise fundamentalista de empresas

A análise fundamentalista de empresas é uma estratégia de escolha de investimentos que considera os fundamentos de uma organização. Isso envolve analisar a saúde financeira da companhia, fluxo de caixa, capacidade de gerar receitas, endividamento, etc.

Dentro dessa estratégia, é possível encontrar indicadores como o dividend yield e dividend payout. Ambos podem ser utilizados para identificar as empresas que pagam mais proventos na bolsa de valores, bem como a política de distribuição de cada uma delas.

Dessa forma, você conseguirá montar uma carteira com o foco no recebimento de dividendos ou juros sobre capital próprio. Contudo, é válido relembrar que ganhos ou distribuições passadas não são garantias de retorno futuro.

Reinvista com frequência

Quanto maior for o aporte realizado, maior tende a ser a rentabilidade obtida. Nesse contexto, é válido criar uma rotina para fazer alocações periódicas, inclusive reinvestindo os dividendos e JCP recebidos.

Ao fazer isso, a tendência é que os próximos recebimentos sejam cada vez maiores. É o chamado efeito bola de neve, em que cada quantia alocada contribui para aumentar o patrimônio total e, consequentemente, o retorno a ser recebido no futuro.

Considerando o investimento em prazos maiores, seus objetivos poderão ser atingidos com mais rapidez. No entanto, não basta investir em ações e aguardar os resultados em longo prazo. Também é preciso acompanhar a rentabilidade da carteira e rebalanceá-la quando necessário.

Diversifique seu portfólio

A diversificação está entre as estratégias mais utilizadas por investidores no mercado financeiro. Ela consiste em dividir o capital investido em diferentes companhias, segmentos e tipos de investimento, ao invés de concentrar seu capital.

Essa dinâmica faz alusão ao ditado “não coloque todos os ovos na mesma cesta”. Afinal, caso a cesta caia, há o risco de quebrar todos eles. Nos investimentos, o aporte em apenas um ativo, por exemplo, amplia os riscos e as chances de perdas financeiras.

No entanto, diversificar não significa pulverizar seu capital em qualquer empresa. Na realidade, é necessário fazer escolhas estratégicas, optando por companhias de diferentes setores, tamanhos e mercados. Assim, suas chances de receber dividendos ou JCP serão maiores.

Isso porque, caso uma organização ou setor enfrente uma crise e suspenda a distribuição, a ação de outra que esteja na sua carteira poderá seguir com o pagamento — mantendo a frequência no recebimento. O mesmo vale quando se fala no investimento em empresas nacionais e internacionais.

Se você tiver uma carteira composta apenas por papéis do mercado brasileiro, a ocorrência de uma crise nacional pode ser o bastante para reduzir o recebimento de proventos. Portanto, é válido considerar a diversificação internacional — se isso fizer sentido para você.

Aproveite o conteúdo de carteiras recomendadas

Caso você seja um iniciante no mercado ou não tenha o conhecimento necessário para analisar as companhias por conta própria, poderá se valer de carteiras recomendadas. Trata-se de recomendações de investimentos feitas por um profissional devidamente qualificado.

Nesse sentido, você consegue aproveitar a leitura de um profissional do mercado para fazer as suas escolhas de investimento. Ainda que as carteiras recomendadas de ações também não garantam o recebimento de renda passiva, são selecionadas as companhias com maiores chances de realizar esses pagamentos.

O assinante VIP de O Guia Financeiro, por exemplo, tem acesso às carteiras recomendadas com foco em recebimento de dividendos. Assim, há chances de utilizá-las como guia para montar a sua estratégia focada em renda passiva.

Dessa forma, investir nas melhores pagadoras de dividendos da bolsa de valores se torna um processo mais simples. Além disso, como as análises são periódicas, fica mais fácil de administrar e remanejar a sua carteira, se for necessário.

Agora que você sabe o que são dividendos e juros sobre capital próprio, é possível avaliar se vale a pena montar uma carteira com o foco no recebimento desses proventos. No entanto, se precisar de ajuda, considere utilizar as carteiras recomendadas desenvolvidas por analistas qualificados.

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