De volta aos parques

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O setor de serviços está posicionado para liderar o processo de recuperação ao longo dos próximos anos. Espera-se uma reversão do efeito substituição que ocorreu durante a pandemia, onde indivíduos passaram a demandar mais bens do que serviços. Ou seja, demandarão, relativamente, mais serviços.

Dado o atual ritmo de vacinação, é esperado que os EUA retomem uma reabertura quase que integral de sua economia ao longo deste ano, criando as condições para uma recuperação robusta do setor que mais sofreu com a pandemia. Crescimento esperado na casa dos 6,5% e 4,5% para 2021 e 2022, respectivamente, sendo puxado, principalmente, pelo setor de serviços, setor no qual muitos empregos ainda precisam – e vão – ser recuperados.

Gráfico de consumo x família e doses de vacina x mortes
Fonte: Bloomberg em 23/04/2021. Elaboração: Guide Investimentos

Devido à impossibilidade de reabrir seus parques ao longo do ano passado e boa parte do ano corrente, houve uma queda expressiva da receita ajustada da companhia, que encerrou o ano em US$ 65 bilhões, valor 6% inferior ao nível verificado no final de 2019;

A receita derivada dos parques e produtos em geral despencou 37% em 2021, ao ir de US$ 26,2 bilhões para US$ 16,5 bilhões. A queda, no entanto, poderia ter sido maior se não fosse pela forte expansão de vendas ligadas aos streamings services (Disney+, ESPN+, Hulo), que se beneficiaram da dinâmica social instaurada pela chegada da pandemia e consequente necessidade do isolamento social. Daqui surge uma das principais atratividades da Disney: ela é uma ponderação muito interessante entre growth e value.

Espera-se que, com a reabertura gradual da economia americana e a manutenção de algum grau de distanciamento social (principalmente em outros países menos avançados na vacinação), ambos os segmentos – streaming e parques temáticos – tenham crescimento acentuada de receita ao longo dos próximos anos.

Fonte: Bloomberg em 23/04/2021. Elaboração: Guide Investimentos. Nota: projeções para 2021 e 2022 indicado em ameixa escuro

O segmento de parques e produtos compunha aproximadamente 42% da receita da companhia em 2019 (em 2020 este valor foi de 23%). A reabertura da economia americana ao longo deste e do próximo ano permitirá uma vigorosa retomada da receita dos mais diversos segmentos dos businesses ligados à oferta de serviços turísticos e, em grande parte, presenciais.

A receita derivada do segmento de parques será maior nos EUA do que no restante do mundo, tendo em vista a maior celeridade na campanha de vacinação americana e consequente reabertura do país. Ao todo, as perspectivas de aumento de receita das atividades presenciais – mas também de streaming – é bastante positiva.

Gráfico de receita por segmento e tabela de crescimento anual da receita de segmentos
Fonte e Projeções: Bloomberg em 23/04/2021. Elaboração: Guide Investimentos

A companhia registrou, ao final de 2020, um EBITDA ajustado de US$ 18,8 bilhões, marcando queda de 7,5% em relação a 2019, quando estava US$ 15,9 bilhões. A capacidade de geração de caixa da companhia deve cair novamente em 2021 por conta da demora em reabrir os parques ao longo deste ano, mas deve retomar trajetória de alta em 2022.

Com relação ao lucro líquido ajustado, houve queda de 15,8% para US$ 6,9 bilhões em 2020 em comparação a 2019, quando registrou lucro líquido de US$ 8,3 bilhões. Pela mesma razão, o lucro líquido deve ter nova queda em 2021, retomando trajetória de recuperação a partir de 2022 em diante. Retomada deverá ser robusta: é esperado que tanto o EBITDA quanto o lucro líquido fiquem acima do patamar pré-covid já a partir do ano que vem o fluxo de caixa livre da companhia, no entanto, teve aumento de 107% em 2020 ao ir para US$ 3,5 bilhões ante R$ 1,7 bilhões em 2019.

Gráfico de EBITDA ajustado e gráfico de lucro líquido ajustado
Fonte: Bloomberg em 23/04/2021. Elaboração: Guide Investimentos

O aumento no fluxo de caixa repercutiu, principalmente, três fatores:

– Aumento do fluxo de caixa das operações de streaming, com Disney+ puxando a maior parte do crescimento do segmento;

– Redução acentuada nos investimentos em capital (parques, resorts, cruzeiros, etc), que caíram 17,5%, encerrando o ano em US$ 4 bilhões;

– Intensa queda nos investimentos em capital circulante líquido utilizado no dia a dia das operações dos parques e resorts.

Espera-se que o fluxo de caixa tenha nova queda em 2021, em vista das dificuldades ainda presentes por conta do vírus, mas retome forte trajetória de alta em 2022, com aumento ainda maior no fluxo de caixa das operações “presenciais” na esteira da liberação de demanda ainda muito reprimida e volta gradual da demanda internacional, principalmente chinesa.

Gráfico de caixa livre da companhia
Fonte: Bloomberg em 23/04/2021. Elaboração: Guide Investimentos

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