Curva de juros: o que é e como ela afeta os seus investimentos?

Tempo de leitura: 6 minutos

O que veremos neste artigo?
O que é a curva de juros?
Como funciona a curva de juros?
Por que é importante conhecer esse conceito?
Como a curva de juros afeta os investimentos?
Como é possível aproveitar a curva de juros ao investir?

O comportamento da taxa de juros tem grande influência no mercado financeiro e, por isso, precisa ser considerado por investidores. Uma das principais formas de avaliar esse cenário é por meio da curva de juros.
Como investidor (a), você deve não apenas saber como ela é montada, mas também quais impactos causa e como aproveitá-la. Desse modo, é possível melhorar os resultados da carteira com a adaptação da estratégia.

Neste artigo, você descobrirá o que é a curva de juros e como ela pode impactar os seus investimentos. Confira!

O que é a curva de juros?

Os juros são uma forma de remuneração pelo risco. Quanto maior for o risco de inadimplência, por exemplo, maiores tendem a ser as taxas. É diante desse contexto que surge a chamada curva de juros.

Também conhecida como curva a termo ou estrutura a termo da taxa de juros, ela é a representação da expectativa quanto ao comportamento e às mudanças dos juros ao longo do tempo. Para acompanhá-la, é possível conferir a evolução da curva de juros pela ANBIMA, por exemplo.

Como funciona a curva de juros?

Quanto maior for o prazo de um título, maiores são as probabilidades de risco. Afinal, é difícil prever o que acontecerá no longo prazo e se a capacidade de pagamento será mantida. Com um aumento de risco, a tendência é que a taxa de juros também se eleve.

Esses são, exatamente, os pilares da curva de juros. Como ela é avaliada no longo prazo, faz sentido que indique uma expectativa de avanço ou retração dos juros com o passar do tempo. Assim, é possível avaliar a economia por meio dela.

Para isso, a curva é composta com base no rendimento de títulos semelhantes, mas que têm datas de vencimento distintas. É comum utilizar os títulos públicos, o que leva à associação entre curva de juros e Tesouro Direto, onde são negociados os títulos do Governo.

Os títulos principais utilizados são os prefixados e os atrelados à inflação, em prazos diferentes. O Tesouro Selic, por sua vez, fica de fora por ter rendimento atrelado ao desempenho da taxa Selic, excluindo as expectativas de mercado.

Ao interpretar a curva de juros, você pode ver que o aumento dos juros representa a abertura da curva. Nesse caso, significa que há uma tendência de subida nas taxas — mas que pode não se concretizar.

Já quando a curva tem inclinação negativa significa que os juros tendem a ficar mais baixos. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a economia do país enfrenta problemas e são definidas taxas menores para fomentar o desenvolvimento econômico.

Por que é importante conhecer esse conceito?

Como investidor, é indispensável conhecer a taxa de juros futuros e suas principais características. Essa curva fornece informações muito importantes sobre o mercado e a economia e, com isso, pode afetar a sua tomada de decisão.

Se a curva tiver inclinação positiva, por exemplo, é sinal de que há a conclusão de que ocorrerá crescimento da economia. O contexto envolve possível aumento do consumo, mas também com ampliação da inflação.

Normalmente, essa é uma condição que faz com que o Banco Central eleve a taxa de juros no mercado brasileiro para evitar o avanço inflacionário. Isso pode apontar para um rendimento maior nas aplicações, mas pode representar uma intensificação dos riscos.

Já se a curva estiver com inclinação negativa, você tem uma ideia de que a expectativa do mercado pode ser de piora nas condições econômicas. Assim, o cenário força a redução de juros para estimular a economia.

Porém, um comportamento de queda também pode indicar uma confiança maior do consumidor, considerando que o rendimento será menor por incidirem menos riscos. Assim, entender o conceito de curva de juros ajuda a vislumbrar a economia.

Como a curva de juros afeta os investimentos?

A estrutura da curva a termo e a forma como ela é montada afeta também os investimentos — tanto de renda fixa, quanto de renda variável. Esse é mais um motivo para que você entenda o conceito e como ele funciona.

No caso da renda fixa, a curva a termo afeta diretamente a precificação, considerando títulos de curto e de longo prazo. Diante da expectativa de aumento da inflação, torna-se necessário pagar juros maiores para os títulos de curto prazo prefixados, para cobrir o risco inflacionário.

Com a tendência oposta, os investidores costumam exigir prêmios maiores para os investimentos atrelados à inflação — do contrário, darão preferência aos de curto prazo.

A estrutura da curva de juros também pode afetar a renda variável. Isso está relacionado ao fato de que juros maiores nos prefixados ou de longo prazo podem tornar a renda fixa mais atraente que a renda variável, por exemplo.

Além disso, os juros impactam os resultados da empresa, tanto em relação aos custos de acesso ao crédito quanto ao desconto de fluxo de caixa. Portanto, a montagem da curva, na verdade, tem influência em todo o mercado.

Como é possível aproveitar a curva de juros ao investir?

Além de saber como a curva de juros gera impactos entre as alternativas de investimento, é interessante saber como aproveitá-la. Isso poderá ajudá-lo a implementar sua estratégia e alcançar seus objetivos financeiros.

Nesse sentido, convém conhecer a chamada marcação a mercado. Ela consiste na atualização da precificação de um título de renda fixa ou de cotas de fundos de investimento, com base no comportamento do mercado.

Considere que você investiu em um título prefixado a 6% ao ano. Se novos títulos forem oferecidos a 9% ao ano, o seu perderá valor, caso decida resgatá-lo antes do vencimento. Já se os novos forem negociados a 4% ao ano, a marcação a mercado poderá ser favorável na sua aplicação.

Também é possível se basear na inclinação da curva de juros para avaliar a rentabilidade de títulos. Com a abertura da taxa de juros, pode ser mais interessante investir em títulos prefixados ou pós-fixados atrelados ao Certificado de Depósitos Interbancários (CDI) ou à Selic.

A ideia é que eles se tornem mais vantajosos, pela necessidade de haver um prêmio maior, em relação ao longo prazo. Mas, com a inclinação negativa da curva, os prefixados ou de longo prazo podem ficar mais interessantes.

Como foi possível perceber, a curva de juros afeta tanto a renda fixa quanto a renda variável. Para aproveitar os impactos na rentabilidade, é essencial conhecer essa estrutura e também saber como montá-la e avaliá-la.

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