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Coronavírus derruba a bolsa: atualização e posicionamento

Victor Beyruti Guglielmi

Continuando o que mencionamos na quarta-feira sobre a queda da bolsa pelo coronavírus, segue atualização e posicionamento.

Principais destaques

Número de casos: 87,734
Número de mortes: 2,868

Casos recuperados: 36.439

– Número de casos fora da China se aproxima dos 5.000, totalizando até 80 mortes até o momento;

– Governo da Califórnia anuncia monitoramento de 8.400 pessoas suspeitas de terem contraído a doença – já são 33 casos confirmados na região e 60 nos Estados Unidos;

– Casos na Coréia do Sul ultrapassam 2.337 e governo anuncia pacote de US$ 13 bilhões para amenizar os impactos na economia;

– 1º caso é registrado no Brasil. Ministério da Saúde acusa 137 suspeitas de infecção.

– Vírus chega à Europa de maneira avassaladora: Itália já acumula mais de 888 casos e 21 mortes relatadas;

– No velho continente, a doença também chegou à Áustria, Croácia, Suíça, Espanha e Alemanha; – Situação se agrava no Irã e na Coréia do Sul, com 16 e 11 mortes relatadas, respectivamente;

– O Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC) já alerta diversos países americanos para se prepararem para a “alta probabilidade” da chegada da doença ao país. Segundo o órgão, “não é mais tanto uma questão de ‘se’ e sim uma questão de ‘quando’.”;

Cenário Macro

Em função da aceleração de novos casos confirmados do Covid-2019 na Europa, em principal na Itália, além do primeiro caso confirmado em solo brasileiro, o nível de apreensão em torno dos impactos econômicos do coronavírus atingiu nova alta. As revelações preocupantes agregam a piora de expectativa que ocorreu durante a semana passada, quando a Apple revelou que não conseguiria atingir sua meta de produção, devido a interrupção nas suas linhas de produções chinesas, além de reduzir a sua projeção de vendas 1ºT2020.

Para o Brasil, a ameaça do coronavírus impacta a economia local por meio de três canais distintos: (i) desaceleração da demanda global, (ii) falta de insumos utilizados no processo produtivo e (iii) queda no preço internacional das commodities.

As medidas de restrição à mobilidade impostas pelo governo chinês, na tentativa de conter a disseminação do vírus, reduz a demanda no país asiático, e, em menor grau, a mundial, criando uma pressão negativa sobre as exportações brasileiras.

As mesmas medidas interrompem o fluxo de bens de capital para a economia brasileira, configurando uma redução na quantidade de insumos disponíveis para produzir. Isto, a curto prazo, cria um choque negativo de oferta que pode gerar uma alta no IPP (Índice de Preços ao Produtor); algo análogo ao choque de alimentos que pressionou o IPCA em dezembro, só que do lado da oferta.

A queda no preço internacional das commodities impacta negativamente a rentabilidade de importantes empresas brasileiras que comercializam estes produtos no exterior, possivelmente colocando em xeque a obtenção de metas de produção e projetos de investimento.

Em termos de política monetária, acreditamos que o Banco Central irá manter a taxa de juros estacionada em 4,25% em sua próxima reunião de março e observará o fluxo de dados referentes ao 1ºT2020 para pautar sua política de juros no futuro. De qualquer forma, isto não quer dizer que a porta para cortar juros mais uma vez em 2020 está completamente fechada. A desaceleração do crescimento global, intensificada por causa da disseminação do Covid-2019, reduz a rapidez com a qual a economia se recupera elevam cada vez mais a probabilidade de mais estímulos monetários.

Dito isso, acreditamos que ainda é cedo para realizar quaisquer previsões sobre o real impacto do coronavírus nos mercados globais, inclusive brasileiros, logo, iremos manter o monitoramento das notícias e da expansão da doença em tempo real, nos esforçando para estarmos preparados para qualquer eventual cenário que se concretize.

Vemos espaço para os principais Bancos Centrais globais expandirem suas políticas monetárias e fiscais visando conter desacelerações mais fortes nas economias, mas para isso, estimamos que ao menos dados referentes a fevereiro necessitem ser divulgados.

No Brasil, é importante monitorarmos também a evolução das medidas econômicas e políticas por parte do Governo para que ao menos, no cenário local, possamos focar na retomada econômica e possível expansão da doença no território local.

Cenário Bolsa

Na nossa visão, os próximos dias tendem a ser voláteis, com possíveis novas quedas precificando um cenário de menor crescimento global. Nesse sentido, permanecemos com otimistas no médio prazo para ações, mas com maior grau de seletividade, focando em empresas com melhores fundamentos. Dentre os principais setores que preferimos exposição estão os relacionados a atividade doméstica: varejo, energia elétrica e saneamento. Além disso, recomendamos maior cautela com ativos relacionados a economia internacional, como commodities (Petróleo, Minério de Ferro, Papel & Celulose) e o setor de transportes, como as companhias de aviação.

O Brasil vem retomando sua atividade econômica e com isso, vimos por meses ativos de risco se valorizarem ininterruptamente, dando a impressão de segurança em ativos destas classes.

Agora, durante um momento de maior volatilidade, continuamos defendendo uma postura sóbria e comedida e ressaltamos novamente a necessidade dos investidores em não tentarem realizar ajustes grandes em seus portfólios, uma vez que estamos diante de um cenário de grande incerteza.

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