Copom endurece discurso

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Em sua mais recente decisão de política monetária, o Copom do Banco Central optou por elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual para 5,25% ao ano. Mais do que isso, e em linha com a necessidade de combater a inflação de forma mais agressiva, o comitê também comunicou que considera apropriado levar a Selic para além de seu nível neutro nominal de 6,5%.

Em outras palavras, o BC admitiu que é necessário tornar a política monetária restritiva para garantir a meta de inflação do ano que vem. Não à toa, o cenário básico do BC, que utiliza uma Selic que encerra o ano em 7%, coloca a inflação justamente na meta de 3,50%.

Ocorre que entorno do cenário básico do Copom, existem diversas incertezas, notadamente aquelas relacionadas ao impacto da política fiscal sobre a trajetória da inflação. Como comentou o comitê, “novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país.”, adicionado que “o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos”.

O que o BC está dizendo, em essência, é que a pouca claridade relacionada à consolidação fiscal (reformas que gerem sustentabilidade da dívida) pode continuar pressionando o dólar, o que força a inflação local via repasse e a coloca em uma trajetória que não condiz com o cenário básico.

Em outras palavras, o comitê basicamente admite que é mais provável que a inflação, por conta do elevado risco fiscal, fique, na verdade, acima dos 3,50% atualmente projetados por ele. Ao cabo, isso se traduz em uma elevação possivelmente mais intensa do juro, que pode encerrar o ano em nível maior do que os 7% atualmente projetados.

Por enquanto, nós aqui da Guide mantemos nossa expectativa de Selic a 7% ao final do ano. Afinal, entendemos que, no que resta de 2021, as commodities – um dos principais vetores de pressão inflacionárias – passarão por um processo de acomodação, o que aliviará os preços ao produtor e ao consumidor.

Entendemos, também, que a Selic e patamar levemente restritivo combinado com ainda alta ociosidade da economia é suficiente para garantir uma convergência da inflação em direção à meta. Ou seja, entendemos não ser necessário uma política monetária fortemente restritiva para garantir a meta, tendo em vista que boa parte dos choques de oferta irão se dissipar até o final do ano que vem.

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