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Como avaliar a previsibilidade de um negócio

Muito se fala no mercado financeiro da necessidade de investir em empresas previsíveis. Isto ocorre pois o valor de uma ação é consequência de sua capacidade de gerar caixa no futuro. Isto é, a soma de seus próximos fluxos de caixa livres descontados ao valor presente por uma taxa de desconto que você julgue adequada, com base em seu custo de oportunidade. Neste texto, vamos ver como isso funciona na prática.

Uma das grandes dificuldades do investidor – se não a maior – é a necessidade de lidar com o futuro, devido à sua grande imprevisibilidade. Os tempos atuais mostram como o futuro é incerto. Se, um ano atrás, alguém saísse pelo centro de sua cidade anunciando que uma pandemia estava por vir, seria considerado louco.

Como o investidor não possui uma bola de cristal, ele pode se utilizar de outras estratégias disponíveis para conseguir lidar com o futuro. Por exemplo, focar seus esforços em empresas previsíveis.

Estas empresas, no geral, vendem bens e serviços que apresentaram pouco histórico de disrupção durante seus longos anos de vida, consumidos por uma demanda fiel e – de preferência – pouco sensível aos preços. Por conta disso, apresentaram, ao longo de seus anos de operação, um histórico de resultados de pouca volatilidade.

Quando Warren Buffett e Charlie Munger dizem que não gostam e não entendem do setor de tecnologia, estão, na verdade, dizendo que não conseguem estipular o valor intrínseco dessas empresas por conta da dificuldade de estimar seus fluxos de caixa.

Como sabemos, o setor de tecnologia é altamente competitivo, marcado por grandes disrupções e inovações.

Mas como, então, avaliar a previsibilidade de um negócio? Estudando o passado dele, pois este é um bom guia para o futuro. No entanto, estudar o histórico de resultados de uma empresa é condição necessária, mas não suficiente, para estipular um valor terminal. Como vimos ao longo de nossas vidas, muitas coisas mudam, e intensamente. Por conta disso, é primordial que um investidor exija uma margem de segurança para, além de conquistar retornos maiores, ter um espaço para erros de análise.

Além do passado da empresa, o investidor deve entender seu modelo de negócio e ter a capacidade de dissertar sobre a probabilidade de ele permanecer ativo pelos próximos dez, quinze, trinta anos.

Exemplo prático

Partindo para prática, vamos avaliar a previsibilidade da Johnson & Johnson, uma empresa de 134 anos de história. Já podemos começar por aí. Se uma empresa possui quase um século e meio de vida, sendo líder de mercado em grande parte dessa trajetória, é porque, provavelmente, alguma vantagem competitiva estrutural ela tem – no caso da J&J são várias.

Ao analisar seu modelo de negócio, sabemos que ela possui três segmentos: produtos de consumo para saúde, equipamentos médicos e produtos farmacêuticos. É bem provável que no futuro as pessoas continuarão a consumir xampus, enxaguantes bucais, curativo adesivos (o famoso Band-Aid, que é o nome de uma marca da J&J), analgésicos, antitérmicos e afins.

Por fim, é muito importante construir um modelo como o abaixo e fazer uma análise dos resultados e margens históricas. Dez anos é um tempo legal, mas se conseguir informações para vinte anos é melhor ainda, pois poderíamos analisar como a empresa se comportou em momentos de crise.

Após coletar as informações dos demonstrativos financeiros da empresa, queremos descobrir os valores: mínimo, máximo, médio e seu desvio padrão e coeficiente de variação. No meu caso, analisaremos as margens brutas, operacionais (EBIT) e fluxo de caixa livre, mas fique à vontade para adicionar qualquer outra informação.

Como podemos ver, a Johnson & Johnson é uma empresa que apresentou sólidos resultados nos seus últimos dez anos, visto que os spreads entre mínimo e máximo, e sua média, são próximos.

Além disso, seu coeficiente de variação, interpretado como a variabilidade dos dados em relação à média, é baixo (um CV é considerado baixo quando for menor ou igual a 25%), ou seja, apresentou resultados mais homogêneos.

É claro que a análise absoluta não é suficiente, é muito importante comparar esses resultados com seus competidores, como a P&G.

Essa análise lhe auxiliará na hora de realizar previsões para os anos de 2020, 2021, 2022… Lembre-se sempre de estimar valores com base em premissas reais e – de preferência – pessimistas, pois elas irão diminuir seus vieses.

análise 10 anos de empresa

Espero que tenham gostado do artigo de hoje. E lembre-se: investir em empresas previsíveis é muito mais fácil e lucrativo!

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