Como a liquidez infinita impacta a economia

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Ninguém vai questionar que 2020 foi um ano totalmente atípico. Uma pandemia que nos obrigou a mudar (ou adaptar) rapidamente o nosso dia a dia em relação a trabalho, hábitos de lazer e cuidados com a saúde. Além das questões sociais, há um aspecto financeiro que foi único no ano passado: a quantidade de dinheiro em circulação no mundo, resultado de diversas políticas públicas dos governos para mitigar os efeitos da crise econômica que veio a reboque assim como ações de expansão monetária dos bancos centrais aumentando seus balanços para valores nunca antes vistos.

Ficou confuso? Exemplos certamente vão te ajudar a entender.

Em primeiro lugar, o mais impressionante: 20% dos dólares existentes no mundo foram emitidos apenas em 2020. Os planos de resgate da economia americana, executados por Trump e mais atualmente por Biden inundaram os mercados de moeda barata (os juros estão baixos por mais de uma década) fazendo com que o consumidor não adiasse os planos de compra incentivando a economia a girar.

O próprio FED (Banco Central dos EUA) comprou títulos soberanos até não poder mais, inflando o seu balanço até um patamar jamais visto em toda a história. O ECB (Banco Central Europeu) também adotou medida semelhante, comprando tudo que via pela frente (títulos do governo e privados) permitindo que a economia não parasse de vez por falta de liquidez. Os dois gráficos de cima dão a dimensão da ação dos bancos centrais para mitigar os efeitos da pandemia:

ação dos bancos centrais para mitigar os efeitos da pandemia
Fontes dos Gráficos: FxStreet | Bloomberg e IMF.

Mas, como dizem por aí, toda mágica vem com um preço. Os governos se endividaram em uma velocidade astronômica, com a dívida pública de todos os países do globo ultrapassando os 100% do PIB, sendo que os países desenvolvidos estão mais endividados que os emergentes, conforme mostra o terceiro gráfico, logo abaixo dos outros dois. E olha que não estão somando com a dívida privada (que é superior à dívida soberana nos países emergentes).

Se, por um lado, essa enxurrada de dinheiro permitiu um aliviar razoavelmente rápido da situação econômica – com uma recuperação global mais rápida do que inicialmente esperado -, por outro algumas distorções provavelmente estão acontecendo diante de nossos olhos e outras devem ocorrer mais adiante.

A primeira dessas distorções advém do fato de que tanto dinheiro acaba indo parar em ativos mais arriscados. Pensamos em uma analogia que ilustra o motivo: diante de uma pirâmide de taças de cristal, se você tiver uma quantidade muito grande (quase ilimitada de champanhe), vai fazer com que o líquido chegue a todas elas, das mais altas até as da base, conforme despejar. Se trocarmos as taças por projetos (os mais altos seriam os mais seguros e os da base os mais arriscados), fica fácil entender o que acontece com uma quantidade imensa de dinheiro na economia.

Com isso, observamos por exemplo um incremento considerável nos preços de diversas criptomoedas, uma valorização sensível no preço de várias empresas do mercado de renda variável e até o caso de uma delicatessen nos EUA que agora vale cem milhões de dólares, um valor de mercado que, convertido em reais, é semelhante a Bombril ou a Tecnisa aqui do Brasil.

Outra preocupação, mas mais ao longo do tempo, é com a inflação. Com uma quantidade tão grande de dinheiro indo diretamente para o giro da economia, aumenta-se a demanda de maneira que não seria assustador imaginar que a oferta seria incapaz de acompanhar. Como brasileiros sabemos bem o que significa não acompanhar de perto a inflação e impedir que ela saia dos trilhos.

A grande pergunta – de alguns trilhões de dólares – é: o que será que vai acontecer com a economia mundial quando essa liquidez começar a ser enxugada do sistema?

Na dúvida, pense bem em qual altura da pirâmide de taças de cristal você está depositando seu champanhe…

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