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China In Box, uma história sobre acreditar

Tempo de leitura: 5 minutos

Desde o início do capitalismo, principalmente a partir do advento da revolução industrial, uma pergunta galgou a popularidade: qual é a receita para criar uma empresa de sucesso?

Infelizmente, para conseguir realizar esse feito – criar uma grande empresa de sucesso -, não há uma resposta fácil ou mesmo exata. É que os fatores envolvidos nessa questão, não raras vezes, variam muito, pois o que gerou a fortuna de alguns acabou se tornando a ruína de outros. Um bom exemplo, que reflete a dificuldade de se estabelecer uma receita para um negócio de sucesso, é o perfil necessário para um empreendedor. Será que é necessário ser destemido e propenso a grandes riscos? Ou o melhor mesmo é ser paciente e mais equilibrado? Perguntas desse tipo não possuem respostas fáceis.

Não obstante a todas as interrogações, um verbo parece ser comum a todo empreendedor de sucesso: acreditar. A esmagadora maioria das grandes empresas que existem atualmente só alcançaram esse status devido a alguém que acreditou em uma determinada ideia, independente de todas as circunstâncias. Então, mesmo que não haja uma relação de causalidade, no mínimo existe uma grande correlação.

Um bom exemplo de grande empresa que apenas nasceu, sobreviveu e cresceu (muito) em função do “acreditar” é o China In Box, do empresário (sonhador) Robinson Shiba. A incrível história da empresa é muito bem mostrada em uma palestra de Shiba no Day1 – evento da Endeavor Brasil, em que grandes empreendedores contam como começaram suas carreiras, o que os motivou, percalços do caminho e outras questões que consideram terem sido relevantes nessa caminhada do empreendedorismo. Confira:

Um fast-food de comida chinesa?

Ideias que soam como geniais hoje, muitas vezes já soaram como impraticáveis e até mesmo como ridículas em um passado recente. Sobre isso, o que dizer da ideia de abrir um negócio de fast-food de comida chinesa no Brasil do início da década de 1990?

Shiba mantém um tom bem humorado em praticamente toda a sua palestra, relembrando que, de fato, não foi muito bem compreendido por grande parte das pessoas quando teve a ideia de criar fast-food de comida chinesa. Muitos acharam que a ideia era pouco crível e um tanto quanto maluca também. É que, fundado em 1992 no bairro Moema, o China In Box é bem anterior às redes sociais, sendo anterior até mesmo ao Plano Real. Sobre essa época, importante frisar que o Brasil era um país bem mais fechado, tanto para a entrada de produtos quanto para novas ideias. Nessa época, até mesmo o McDonald ‘s,  já presente mundo afora, era uma novidade ainda pouco difundida em terras brasileiras.

Para o assunto comida chinesa, o conhecimento naquela época, como podia se esperar, era bem mais restrito. O tamanho do desconhecimento era tanto, que levava à equivocada (e, até mesmo, xenofóbica) associação entre comida chinesa e ausência de higiene. Se yakissoba estava longe de ser popular, imaginem yakissoba servido em uma caixa e entregue na porta de casa?

Mesmo assim, Shiba acreditou na ideia, que surgiu durante uma espécie de intercâmbio nos EUA. Na época, o então aluno de odontologia Shiba, com pouco dinheiro no bolso e em um país diferente, encontrou restaurantes que vendiam comida chinesa em caixa. A comida era saborosa, servida de maneira rápida e com um atrativo essencial: preços bastante acessíveis.

Aqui mesmo, neste espaço semanal, já falamos que servir comida barata – e de maneira rápida – pode ser uma excelente opção de negócio.

Para um negócio diferente, um empresário diferente também

Shiba viu nos EUA todo o potencial de um negócio que poderia ser aplicado no Brasil, vendendo comida boa, servida de maneira rápida e com preços baixos. Mas, além do novo conceito de negócio – ao menos em termos de Brasil -, o próprio Shiba é um empresário bem, com o perdão do trocadilho, “fora da caixa”, sendo diferente do que se convencionou ser um empresário de sucesso.

Em primeiro lugar, Shiba não foi um aluno espetacular na escola ou na universidade, tendo inclusive se formado em um curso sem nenhuma conexão com o negócio do China In Box. Afinal, yakissoba e obturação de dente são palavras que não costumam estar em uma mesma frase. Shiba também não esperou ter um grande contato com a culinária chinesa, iniciando o seu negócio a partir da observação e da curiosidade. Isso não só acerca da culinária chinesa, mas na própria condução de um negócio, a experiência dele era muito pequena.

Assim, Shiba teve visão e soube implementar a sua ideia, mesmo aos “trancos e barrancos” e cometendo erros. No início, a sua concentração estava muito sobre a elaboração do produto ofertado e da expansão de lojas, mas muito pouco acerca da gestão do que era aberto. Como exemplo disso, ele comenta sobre uma pergunta realizada por um franqueado, a respeito da existência de algum índice econômico para orientar a estratégia de vendas durante o período do Efeito Tequila. A resposta de Shiba na época foi algo como: “Tratar bem o cliente e servir um bom yakissoba”.

Mas claro, posteriormente Shiba acabou percebendo a importância da gestão profissional de um negócio, acreditando que isso levaria o China In Box para um outro patamar, como de fato aconteceu.

O poder de acreditar

Sobre o poder de acreditar, Shiba também fala muito sobre como isso partiu do seu pai, que sempre lhe dizia: “eu acredito em você”. Isso parece ter servido como um grande gatilho para o início e ascensão do China In Box.

No momento em que as coisas pareciam inviáveis, situação que qualquer empresa já se deparou, acreditar na existência de uma solução foi o diferencial. Isso é muito verdadeiro para o caso do China In Box, que ousou em servir de forma diferente uma comida pouco popular no Brasil, conseguindo se tornar a maior rede de comida chinesa da América Latina. Além disso, a empresa foi eleita como a franquia do ano em 2019.

Essa é a história do China In Box, que na tão incerta receita para o sucesso, adicionou uma grande dose do “acreditar”. Ao provar que colocar comida chinesa na caixa era uma boa ideia, conseguiu se tornar uma das maiores empresas de fast-food do Brasil.

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