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CDB ou Tesouro Direto: qual a melhor opção de investimento?

Tempo de leitura: 11 minutos

A renda fixa conta com diferentes tipos de investimento, os quais podem ser adequados a investidores com interesses distintos. Entre as aplicações disponíveis, é comum que surjam dúvidas se é melhor investir em CDB ou em títulos do Tesouro Direto.

O que veremos neste artigo?
O que é o Tesouro Direto e como funciona?
Quais são as vantagens e riscos dos títulos do Tesouro?
O que é o CDB e como funciona?
Quais são as vantagens e riscos do CDB?
O que rende mais: CDB ou Tesouro Direto?
Qual a melhor opção de investimento?
Como investir em CDB ou Tesouro Direto?

Embora sejam parecidas, essas alternativas guardam diferenças quanto ao rendimento, à segurança e à liquidez. Portanto, vale a pena conhecer quais são essas características para decidir qual investimento pode ser mais adequado.

A seguir, descubra quais são as características desses investimentos de renda fixa e veja se é melhor recorrer ao CDB ou às possibilidades do Tesouro Direto!

O que é o Tesouro Direto e como funciona?

Ao contrário do que pode parecer, o Tesouro Direto não é um investimento. Ele consiste em uma plataforma criada em 2002, com o objetivo de facilitar o acesso das pessoas físicas a títulos públicos. Portanto, é nesse ambiente em que são negociados os títulos de renda fixa emitidos pelo Tesouro Nacional.

O objetivo desses títulos é captar recursos para o Governo Federal, que utiliza o dinheiro para custear programas variados. Em troca, há o pagamento de uma rentabilidade ao investidor.

Porém, antes de investir em títulos do Tesouro Direto, vale conhecer quais são os principais tipos, classificados de acordo com as regras de rentabilidade. Veja!

Tesouro Prefixado

O Tesouro Prefixado tem uma rentabilidade definida por uma taxa fixa, conhecida antes de o investimento acontecer. Portanto, você tem como saber o quanto receberá no momento de resgate do investimento.

Normalmente, esses títulos são de médio e longo prazo, mas existem exceções. Além disso, é possível encontrar alternativas de Tesouro Prefixado que pagam juros semestrais. Nesse caso, você recebe parte do retorno a cada 6 meses de investimento.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é a modalidade pós-fixada e tem rendimento atrelado à taxa básica de juros da economia brasileira. Como consequência, seu rendimento muda conforme as movimentações dessa taxa, que pode ter altas ou baixas.

Vale saber que a Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. As reuniões acontecem a cada 45 dias e o desempenho do título pode mudar com base nesses encontros. O vencimento do título, por sua vez, costuma ser de curto e médio prazo.

Tesouro IPCA

Já o Tesouro IPCA é um título híbrido, o que significa que ele rende com base em uma parte prefixada e outra que acompanha um índice. Nele, o indicador utilizado é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — a taxa oficial de inflação do Brasil.

Por ser um título atrelado à inflação, é comum que o Tesouro IPCA seja de longo prazo. Porém, também é possível encontrar alternativas que pagam juros semestrais.

Quais são as vantagens e riscos dos títulos do Tesouro?

Agora que você entende parte das características dos títulos do Tesouro, é interessante conhecer suas vantagens. Uma delas é a possibilidade de investir no curto, no médio ou no longo prazo. Então você pode escolher o que faz mais sentido para a sua estratégia.

Essa também é uma forma de fazer o seu dinheiro render acima da poupança, por exemplo, sem precisar renunciar à segurança. Portanto, pode ajudar no desempenho da sua carteira de investimentos.

Quanto aos riscos, vale saber que os títulos públicos são inteiramente garantidos pelo Tesouro Nacional e o Governo pode emitir papel-moeda, caso necessário. Isso ajuda a diminuir o risco de crédito, fazendo com que eles tenham o chamado risco soberano.

Outro benefício é a liquidez diária. Como o Tesouro garante a recompra dos títulos, você pode resgatar o investimento quando quiser. Contudo, é necessário ter atenção com o Tesouro Prefixado e com o Tesouro IPCA.

Isso porque eles sofrem os efeitos da marcação a mercado. Trata-se de um mecanismo de precificação dos títulos, que indica o preço de venda se houver o resgate antecipado. Logo, o montante pago no resgate depende da curva de juros e das perspectivas macroeconômicas.

Por exemplo, se a tendência é que ocorra o aumento de juros, os títulos já emitidos se desvalorizam. Se a taxa de juros entra em queda, os títulos podem se valorizar. Por conta desse mecanismo, o preço de venda pode ser menor que o valor aportado, gerando perdas.

Portanto, só há garantias quanto ao retorno contratado se esses investimentos forem levados até o vencimento. Vale destacar que o Tesouro Selic não tem esse risco.

O que é o CDB e como funciona?

O certificado de depósito bancário (CDB) é um investimento de renda fixa, emitido por instituições financeiras. Então o objetivo é captar recursos que serão utilizados pelos bancos em suas operações, como na oferta de crédito para os clientes.

Em troca, há o pagamento de uma taxa de juros que segue regras previamente acordadas. Ao pesquisar os títulos, você pode encontrar CDBs prefixados, pós-fixados e híbridos, como no Tesouro Direto.

A principal diferença, nesse caso, ocorre no CDB pós-fixado. Nesse caso, é comum que a rentabilidade seja apresentada na forma de um percentual do Certificado de Depósitos Interbancários (CDI).

Esse é um indicador financeiro importante da renda fixa que fica pouco abaixo da Selic. Dependendo do nível de risco que apresenta e das condições propostas pelo emissor, o CDB pós-fixado pode render até mais que 100% do CDI.

Quais são as vantagens e riscos do CDB?

Considerando as características a respeito do CDB, saiba que ele também tem pontos positivos e riscos, como o Tesouro Direto.

Entre as vantagens, está a versatilidade dos títulos disponíveis. É possível encontrar CDBs com diferentes condições de rendimento e de prazo de resgate, o que pode ajudá-lo a escolher de acordo com a sua estratégia.

Investir em CDB também é vantajoso pela previsibilidade que a renda fixa oferece. Assim, é possível diminuir os riscos da sua carteira e favorecer a diversificação. Ao mesmo tempo, você deve considerar dois aspectos principais sobre a segurança: o risco de crédito e o risco de liquidez.

O primeiro decorre da probabilidade de o emissor não conseguir fazer o pagamento do resgate conforme as condições acordadas. Se um banco tiver grandes chances de falir, por exemplo, o risco de crédito é maior, devido às maiores probabilidades de inadimplência.

Porém, esse risco é mitigado no CDB pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa entidade garante a proteção de até R$ 250 mil por CPF e instituição, com limite global de R$ 1 milhão, renovável a cada 4 anos.

Se o emissor não realizar o pagamento, o FGC devolve os recursos e o rendimento, dentro dos limites definidos. Já o risco de liquidez existe no caso dos CDBs com carência de resgate ou com resgate apenas no vencimento.

Para levantar o montante antes do prazo, é preciso recorrer ao mercado secundário. Porém, também há exposição à marcação a mercado, gerando riscos de perdas. Também é possível encontrar CDBs com liquidez diária — geralmente, pós-fixados.

O que rende mais: CDB ou Tesouro Direto?

Para complementar seu entendimento sobre as diferenças entre o CDB e os títulos do Tesouro Direto, vale a pena compreender como ambos rendem, na prática. Para isso, é interessante fazer uma simulação.

Neste artigo, serão utilizados dados do simulador do próprio Tesouro Direto, que permite comparar oportunidades da renda fixa com os títulos públicos. Como referência, serão utilizados os títulos disponibilizados na plataforma em dezembro de 2021 e dados hipotéticos de CDBs de mercado.

A seguir, veja os cenários possíveis e entenda quais são os resultados!

Tesouro Prefixado x CDB

Para começar, vamos comparar um CDB com o Tesouro Prefixado 2026. Ele tem vencimento em 1 de janeiro de 2016 e previa rentabilidade fixa anual de 10,43% na data da simulação. Já o CDB tem o mesmo prazo, mas rendia 10% ao ano.

Esses são os resultados para uma aplicação de R$ 5 mil:

      Valor bruto de resgate (R$) Rentabilidade bruta (a.a) Custos (R$) Imposto de Renda (R$) Resgate líquido (R$) Rentabilidade líquida (a.a)
Tesouro Prefixado 7.467,92 10,42% 61,89 370,18 7.024,35 8,76%
CDB 7.353,72 10% 0,00 353,05 7.000,67 8,67%

Tesouro Selic x CDB

No caso do Tesouro Selic, considere o título Tesouro Selic 2024, que rendia a variação da Selic + 0,1085% ao ano. O vencimento é em 01 de setembro de 2024.

O CDB apresentado automaticamente na simulação, por sua vez, rendia 82% do CDI e a expectativa anual da Selic era de 8,29%. Confira os resultados ao investir R$ 5 mil:

      Valor bruto de resgate (R$) Rentabilidade bruta (a.a) Custos (R$) Imposto de Renda (R$) Resgate líquido (R$) Rentabilidade líquida (a.a)
Tesouro Selic 6.321,64 9,06% 0,00 198,24 6.123,40 7,78%
CDB 6.045,13 7,27% 0,00 156,77 5.888,36 6,23%

Mantendo o Tesouro Selic com essas condições, mas considerando um CDB que renda 110% do CDI, os resultados são estes:

      Valor bruto de resgate (R$) Rentabilidade bruta (a.a) Custos (R$) Imposto de Renda (R$) Resgate líquido (R$) Rentabilidade líquida (a.a)
Tesouro Selic 6.321,64 9,06% 0,00 198,24 6.123,40 7,78%
CDB 6.315,87 9,02% 0,00 197,38 6.118,49 7,75%

Tesouro IPCA x CDB

No caso da comparação com títulos híbridos, considere o Tesouro IPCA 2035. O vencimento ocorre em 15 de maio de 2035 e o rendimento previsto seguia a variação do IPCA + 5,08% ao ano.

Já o CDB utilizado rendia 5% ao ano + IPCA. Ao investir R$ 5 mil, você terá esses resultados:

      Valor bruto de resgate (R$) Rentabilidade bruta (a.a) Custos (R$) Imposto de Renda (R$) Resgate líquido (R$) Rentabilidade líquida (a.a)
Tesouro IPCA 18.286,27 10,18% 337,06 1.992,94 15.704,05 8,94%
CDB 17.721,13 9,92% 0,00 1.908,17 15.812,96 8,99%

Com base nessas simulações, você reparou a diferença que existe entre o rendimento de cada uma dessas aplicações. Portanto, vale a pena fazer simulações com os títulos específicos que despertam o seu interesse para uma comparação mais acertada.

Qual a melhor opção de investimento?

Como você viu, a comparação entre CDB ou títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Selic, Prefixado ou IPCA, apresenta certas diferenças. Na hora de escolher onde investir, você deve pensar em suas características, como perfil de investidor e objetivos financeiros.

Começando pelo perfil, é necessário avaliar a sua tolerância ao risco. Se você for conservador, o Tesouro Selic pode ser indicado, por ser considerado o investimento mais seguro do mercado brasileiro, ou em CDBs de emissores mais confiáveis.

Já se for moderado ou arrojado, pode contar tanto com o investimento em CDBs de diferentes características quanto nos títulos do Tesouro Direto. Eles podem ajudar a diversificar uma carteira mais arriscada ou permitem que você se exponha de modo mais controlado.

Pensar nos objetivos também é importante. Se a sua intenção for investir a reserva financeira, o Tesouro Selic e o CDB com liquidez diária podem ser mais adequados. Já se puder esperar um pouco até o resgate, títulos prefixados ou híbridos podem fazer sentido.

Pelo prazo maior, o Tesouro IPCA costuma fazer mais sentido para quem deseja planejar a aposentadoria, por exemplo. Se o CDB híbrido também tiver um prazo maior, ele pode ser igualmente útil para esse objetivo.

Ademais, se você busca maior proteção, mas pretende investir valores que superem a cobertura do FGC, pode ser mais interessante recorrer ao Tesouro Direto, que não possui limite para a proteção.

Por fim, tenha em mente que não é preciso escolher entre investir em CDB ou em títulos do Tesouro Direto. Em vez disso, é possível incorporar ambos em seu portfólio. Assim, você pode diversificar sua carteira e explorar as características de cada  alternativa.

Como investir em CDB ou Tesouro Direto?

Para fazer qualquer um desses investimentos (ou para fazer ambos), o ideal é buscar uma corretora de valores. Desse modo, você poderá ter acesso aos títulos públicos, que são custodiados pela bolsa de valores, e às opções disponíveis de CDB.

Por exemplo, ao escolher a Guide Investimentos, você pode acessar uma grande variedade de investimentos e ainda conta com uma equipe qualificada que pode oferecer suporte em sua jornada.

Depois de abrir sua conta, é necessário transferir o dinheiro e escolher os investimentos desejados. Feito isso, basta aplicar o montante disponibilizado para esse objetivo e acompanhar os resultados do investimento.

Como você descobriu, investir em CDB ou em títulos do Tesouro Direto não precisa ser excludente. Você pode incluir ambas as aplicações em sua carteira. Assim, há chances de aproveitar os principais pontos fortes de cada uma e diversificar o seu portfólio.

Ficou clara a diferença entre ambos os investimentos? Para investir nessas e em outras alternativas do mercado financeiro, abra sua conta conosco da Guide Investimentos!

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