Cotações por TradingView

Bonificação de ações: o que é e quais as vantagens?

Tempo de leitura: 11 minutos

O mercado acionário oferece diversas possibilidades para que os investidores alcancem seus objetivos financeiros. Quem investe com foco em construir patrimônio, por exemplo, pode se beneficiar do recebimento de proventos — como a bonificação de ações.

Ela representa uma forma de aumentar seu capital sem que seja necessário realizar novos investimentos. Dessa maneira, é possível impulsionar a construção de renda passiva no futuro, por exemplo.

Neste artigo, você entenderá o que é, como funciona e qual a importância da bonificação de ações para os investidores. Vamos lá?

O que são proventos?

Existem diferentes formas de lucrar no mercado financeiro. É possível obter rendimentos, por exemplo, com a venda de ações ou cotas de fundos de investimento por um preço maior que a cotação de compra.

Outra possibilidade é ter lucros pelo recebimento de proventos, que são formas de remuneração pagas por empresas ou gestoras de fundos. Eles estão relacionados aos lucros da companhia ou fundo e podem ser oferecidos aos investidores na forma de dinheiro ou de outros benefícios.

Assim, os proventos funcionam como uma fonte de retorno para o investidor e podem otimizar os resultados obtidos com o investimento — principalmente no longo prazo.

Quais são os principais tipos de proventos?

Você já sabe o que são proventos e que eles funcionam como uma forma de remuneração para quem investe em ações ou fundos de investimento. No entanto, é importante entender que existem diversos tipos de proventos no mercado.

Cada um deles tem características específicas e traz algum tipo de benefício aos investidores. Na prática, os proventos são distribuídos em situações específicas e existem regras para essa distribuição.

Por isso, é essencial conhecer as diferentes possibilidades para entender o retorno que eles podem oferecer. Confira quais são os principais tipos de proventos e descubra como eles funcionam!

Dividendos

Os dividendos estão entre os principais tipos de proventos distribuídos no mercado. Eles são bastante populares, pois podem ser pagos tanto por empresas de capital aberto quanto por fundos de investimento.

Esse tipo de provento representa uma parcela dos lucros obtidos pelo emissor. A distribuição dos dividendos ocorre após a empresa ou fundo pagar o Imposto de Renda (IR) correspondente. Por isso, o recebimento pelos investidores é isento de IR.

Ademais, o percentual e a frequência de distribuição dos dividendos dependem de cada companhia. As regras podem ser consultadas no estatuto social da empresa.

Já no caso dos fundos imobiliários, por exemplo, as gestoras são obrigadas, por lei, a dividir a maior parte dos seus ganhos com os cotistas.

Juros sobre capital próprio

Os juros sobre capital próprio (JCP) também são proventos distribuídos na forma de dinheiro para os investidores. A principal diferença para os dividendos está ligada ao fato de que a distribuição ocorre antes do pagamento de impostos — e ela só pode ser feita por empresas.

Portanto, ao contrário dos dividendos, os JCP são se referem ao lucro líquido. Logo, os investidores ficam responsáveis por pagar o IR correspondente ao montante recebido. A alíquota é de 15% sobre o total e fica retida na fonte.

Tanto o valor recebido por meio dos dividendos quanto dos juros sobre capital próprio é depositado na conta da corretora de valores utilizada para fazer as operações na bolsa de valores.

Direitos de subscrição

O direito de subscrição também é um provento relevante, mas não é pago em dinheiro. Na prática, ele permite aos investidores adquirirem ações ou cotas de fundos de modo preferencial.

A distribuição dos direitos ocorre quando há a emissão de novas ações ou cotas no mercado. O processo é conhecido como follow on e aumenta o volume de ativos em circulação. Com isso, a participação atual dos investidores poderia ser reduzida.

Para evitar que isso aconteça, os investidores recebem a prioridade na aquisição dos novos ativos emitidos. Dessa maneira, eles podem comprar ações ou cotas para manter o nível de participação atual ou aumentá-lo.

O responsável pela distribuição dos proventos estabelece quanto cada investidor poderá adquirir, conforme sua participação, e define o preço a ser cobrado. A vantagem é que a cotação costuma ser menor que o preço de negociação atual das ações ou cotas no mercado.

O que é a bonificação de ações?

Ao contrário dos dividendos, que possuem distribuição obrigatória definida em lei, a bonificação é um ato voluntário da empresa. Por isso, esse tipo de provento é considerado uma forma de a companhia agradar seus acionistas.

Assim, a bonificação se refere à distribuição gratuita de novas ações aos investidores, em volume proporcional ao capital investido. Em geral, o fornecimento ocorre quando a empresa está bem financeiramente, como uma forma de compensar o acionista.

A prática é bem vista no mercado e atrai a atenção de investidores, que aumentam suas posições. Até mesmo os especuladores podem se beneficiar desse processo, pois quando uma organização anuncia a bonificação de ações, o número de negociações e a liquidez tende a aumentar.

Como funciona a bonificação de ações?

Quando uma companhia decide beneficiar seus acionistas com esse tipo de provento, ela deve deliberar, por meio de uma assembleia geral, a data e a quantidade de papéis que serão distribuídos.

Portanto, os acionistas com ações ordinárias — que garantem voto nas deliberações — podem ajudar na decisão, segundo o regulamento. Essa assembleia também ajuda a definir qual será a reserva ou o lucro retido, revertido em bonificação.

Em seguida, é preciso informar ao mercado essas decisões. Isso é feito por meio da emissão de um fato relevante, que se refere a um tipo de anúncio que permite a preparação dos investidores e demais interessados pelo benefício.

O anúncio deve conter a data limite para a compra das ações que permitirão o recebimento da bonificação, conhecido como data com. A partir desse momento, chamado data ex, a pessoa que adquirir uma papel da empresa não terá o direito de receber a bonificação naquela oportunidade.

Na data de distribuição, a companhia fornece as novas ações para os investidores, de acordo com o capital que eles têm investido. Dessa forma, os beneficiados terão uma quantidade maior de ativos daquela organização. Vale ressaltar que não há prazo certo para ocorrer a bonificação de ações.

Exemplo

Para compreender melhor como funciona a bonificação, imagine que uma empresa obteve lucro no período e formou uma reserva. Esse montante pode ser utilizado para financiar projetos de expansão ou infraestrutura, por exemplo.

Outra possibilidade é distribuir uma parcela dos lucros aos acionistas, na forma de dividendos e JCP. Ademais, a companhia pode optar por agregar valor ao seu capital social, aumentando sua base acionária por meio da emissão de mais ações.

Como a bonificação é expressa em um percentual, considere que a empresa decidiu fazê-la no total de 20%. Assim, quem possuía 100 papéis até a data limite receberá 20 ativos da companhia como bonificação.

Por outro lado, um investidor com 108 ações deveria receber 21,6 papéis. Como isso não é possível, ele receberá 21 ativos. O restante é creditado em dinheiro, proporcionalmente ao percentual devido, na conta do acionista. Esse montante é calculado conforme a cotação do dia.

Quais as vantagens da bonificação de ações?

Agora que você conhece a bonificação de ações, pode ficar em dúvida sobre as suas vantagens. Confira os principais benefícios dessa prática, tanto para os investidores quanto para a companhia:

Benefícios para os investidores

A primeira vantagem é o fato de os investidores receberem mais ações de uma empresa, sem precisar pagar nada por isso. Dessa maneira, eles conseguem ter acesso a distribuições de dividendos e juros sobre capital próprio maiores, por exemplo.

Ou seja, um investidor que possui 100 ações de uma companhia e, com a bonificação, recebe 20 papéis a mais, terá direito a receber proventos sobre 120 ativos. Outro benefício está relacionado com a possibilidade de valorização no preço da ação.

Se houver um aumento de 20% na cotação dos papéis, por exemplo, então o retorno do investidor será sobre 120 ativos, e não mais em 100. A bonificação também é uma forma de contribuir para o aumento da liquidez dos ativos.

Como consequência, a volatilidade no preço da ação pode diminuir. Com relação à parte tributária, a bonificação é considerada isenta de Imposto de Renda. No entanto, vale destacar que a proporção de participação na empresa não muda, pois o valor individual de cada papel é ajustado.

Benefícios para a empresa

Já para a empresa, a grande vantagem da bonificação é aumentar o capital social sem reduzir a participação dos sócios majoritários. Além disso, não há interferências nas ações já existentes no mercado.

Isso pode ser interessante para negócios que necessitam de mais investimentos ou para companhias que têm planos de crescimento, por exemplo. Dessa forma, os investidores são prestigiados pela empresa mas, em vez de receber dinheiro, receberão um aumento no número de ativos.

Ademais, a bonificação é uma maneira de dar visibilidade para o negócio. Com ela, mais investidores podem se interessar pelos ativos.

Qual a diferença entre bonificação, agrupamento e desdobramento de ações?

Quando o assunto é bonificação, algumas dúvidas podem surgir. Nesse sentido, existem outros conceitos no mercado financeiro que não devem ser confundidos com esses proventos. Entre eles, estão o agrupamento e desdobramento de ações.

Primeiramente, é preciso esclarecer que, devido às suas características, a bonificação é uma operação contábil. A companhia que fornece o benefício incorpora parte da reserva de lucros para ampliar o capital social.

Já os desdobramentos e agrupamentos são estratégias que as companhias utilizam para atuar na liquidez de suas ações. Isso vale tanto para quando os preços estão muito altos quanto muito baixos.

Assim, as estratégias mudam a cotação dos papéis, mas não alteram a quantia investida pelos acionistas ou o capital social da empresa. Elas podem ser resumidas em operações que há multiplicação ou divisão dos papéis proporcionalmente.

Logo, o número e o preço mudam, mas o total investido permanece o mesmo. Confira mais detalhes sobre o desdobramento e agrupamento de ações:

Desdobramento

O desdobramento de ações é um processo também chamado de split. Ele é realizado quando uma empresa decide aumentar o número de ativos negociados no mercado. Contudo, isso é feito sem modificar seu percentual de capital aberto.

Dessa forma, o preço de cada papel reduz na mesma proporção em que ocorre o desdobramento dos existentes. Então o número de ativos negociados na bolsa de valores aumenta, pois uma única ação pode ser repartida em duas, três ou quantas a companhia desejar.

O processo também pode ocorrer em fundos de investimentos, como nos fundos imobiliários (FII) e fundos de índice (ETFs). O objetivo é o mesmo das ações — ou seja, diminuir o preço das cotas para atrair investidores.

Agrupamento

Já o agrupamento de ações, também chamado de inplit, é um processo inverso ao desdobramento, pois agrupa os ativos da companhia. Dessa forma, ocorre uma redução da quantidade de papéis em circulação no mercado, com o aumento proporcional no preço de cada uma.

Como declarar a bonificação de ações no Imposto de Renda?

Outra dúvida comum entre os investidores é como declarar as bonificações recebidas no Imposto de Renda. Se alguma empresa que você possui na carteira distribuiu esse tipo de provento, saiba que ele deve ser declarado em dois locais.

Primeiro, a posição acionária deverá ser informada na ficha de “Bens e Direitos”, utilizando o código “39 – Outras participações societárias”. Depois, inclua o número total de ações e a quantidade recebida por bonificação.

Já as eventuais bonificações devem constar na ficha de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”. Nesse caso, utilize o código “18 – Incorporação de reservas ao capital / Bonificação em ações”. O montante informado deverá ser o preço médio das ações bonificadas.

Por isso, para preencher a declaração do Imposto de Renda de forma correta, é preciso conhecer o preço das ações que foram distribuídas no processo de bonificação. Em geral, você poderá encontrar essa informação no fato relevante da bonificação.

Consultar o informe de rendimentos também pode ser bastante útil. Esse documento apresenta uma relação de todos os pagamentos realizados por uma empresa ou instituição para uma pessoa física. Geralmente, ele é referente ao ano anterior de quando foi emitido.

Assim, é responsabilidade do investidor controlar a compra e venda de ativos na bolsa de valores, bem como suas eventuais distribuições de proventos. Logo, manter todos os documentos organizados facilita o processo.

Com essas informações, você entendeu o que é bonificação de ações e como ela funciona. A depender da sua estratégia, é possível encontrar oportunidades quando há distribuição de novos papéis. Assim, ter atenção quando elas ocorrem pode beneficiar seus investimentos.

Gostou do assunto? Então complemente a leitura e entenda se é possível ter renda vitalícia a partir dos proventos!

Relacionados

O que é direito de subscrição e para que serve?

O mercado financeiro oferece diversas oportunidades para investidores ampliarem seu patrimônio e rentabilizarem seu portfólio. Afinal, é possível valorizar seus investimentos [...]

Guide Investimentos - 27/05/2022

Vale a pena comprar uma ação fracionada?

Quem deseja investir no mercado de ações precisa conhecer as diferentes alternativas disponíveis nesse ambiente de negociações. Nesse sentido, é fundamental [...]

Guide Investimentos - 23/05/2022

Dividendos x juros sobre capital próprio: o que são e como compor a carteira com eles?

A negociação de ações está entre as possibilidades de investimento para quem visa obter ganhos na bolsa de valores. No entanto, [...]

Guide Investimentos - 20/05/2022
Logo o guia financeiro

Entrar

Como deseja continuar?

Abra sua conta

Preencha os campos abaixo
ou use uma das opções