Biden, Trump, eleições e sentimento de mercado

Em disputa acirrada decidida pelo resultado de alguns estados-chave, Joe Biden, candidato da chapa democrata, provavelmente residirá na Casa Branca a partir do ano que vem. Consigo, trará mudanças ao modo de comportamento e gerenciamento do executivo americano. Isto, junto com os resultados das eleições congressistas, tem uma série de repercussões sobre as expectativas e decisões de investimento.

Ao longo do último mês, investidores avaliavam como positiva a materialização de uma onda azul. O racional era que, se os democratas tomassem a Casa Branca e ambas as casas do legislativo, a probabilidade de aprovação de um massivo pacote de estímulos – da ordem de US$ 2,0 trilhões – aumentaria consideravelmente. Na medida em que auxilia a retomada da economia, tenderia a inflar com mais rapidez e intensidade o preço dos ativos financeiros.

Manutenção do status-quo

Isto, porém, não foi o que ocorreu. De fato, Biden provavelmente levará à Presidência, mas os Democratas falharam em sua missão de angariar ambas as casas do legislativo, conseguindo apenas manter a maioria na Câmara dos Deputados. Assim, um novo mandato com um Congresso divido não é considerado o melhor dos resultados, mas também não representa o pior dos mundos.

É justamente por esta razão que as bolsas americanas operaram com viés claramente positivo nos dias que procederam as eleições. Se por um lado um Congresso dividido reduz a probabilidade de aprovação de um megapacote de estímulos e inibe um avanço mais robusto da recuperação da economia e, consequentemente, dos ativos, este resultado também reduz a chance de aumento de impostos por parte do presidente democrata, além de impedir mudanças mais drásticas em termos regulatórios.

A falta de estímulos fiscais também vai focar as atenções do mercado no Federal Reserve, que já sinaliza a manutenção de uma postura acomodatícia (pelo menos) até 2023. Assim, investidores reavaliaram o cenário, atualmente caracterizado pela manutenção do status-quo. Estímulos menores do lado do governo, mas sem alta de impostos e com a garantia de uma política monetária estimulante.

Risco de judicialização drasticamente reduzido

Agora, cabe um comentário sobre uma possível judicialização do processo eleitoral. Antes dos resultados, um dos maiores medos do mercado era justamente o prolongamento do processo, que, por via de uma recontagem de votos induzida por um litígio republicano, deixaria o investidor no escuro sobre quem chefiaria a Casa Branca. Por mais que o resultado desta eleição tenha sido próximo e Trump apele às cortes – como já sinalizou – é altamente improvável que uma recontagem dos votos o favoreça. Ainda, o desejo de travar a contagem de votos na Pensilvânia – outro estado decisivo para Trump – também deve carecer de força para avançar, tendo em vista que não existem evidências para suportar a afirmação de fraude eleitoral.

Nos estados em que pretende forçar uma recontagem, como Michigan, Wisconsin e Arizona, perdeu por margens relativamente grandes de aproximada e respectivamente, 150 mil, 20 mil e 169 mil votos. A última vez que em que uma recontagem dos votos decidiu um resultado foi em 2000, Al Gore x Bush, onde o republicano venceu após a recontagem dos votos na Florida reduzirem sua liderança de 1.784 para algo em torno de 537 votos. Em outras palavras, é altamente improvável que uma recontagem cubra a diferença necessária para que Trump leve estes estados.

O mercado parece entender isso e compreende que, mesmo que o incumbente republicano trate de manter sua posição no executivo por meio desta judicialização, ele dificilmente conseguirá reverter o atual quadro. Assim, permanece algum grau razoável de certeza e previsibilidade quanto ao futuro da Casa Branca.

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