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Biden ganha fôlego com vitória no Dia D dos democratas

No início de fevereiro, os resultados das primárias de Iowa e New Hampshire jogaram um balde de água fria no favorito Joe Biden. O ex-vice do presidente Barack Obama chegou em quarto e quinto lugar, respectivamente, nas primeiras duas disputas pela nomeação do partido Democrata. Em ambos os casos, o senador Bernie Sanders e o ex-prefeito Pete Buttigieg brigavam pela liderança em uma disputa acirrada com margens apertadas. Os números sugeriam que que Sanders era o favorito dos progressistas e o eleitorado moderado tinha optado pela juventude e vivacidade de Buttigieg ante a experiencia e previsibilidade de Biden.

Entretanto, a dinâmica preliminar que precedeu a Super Terça não se replicou no dia em que 14 estados realizariam eleições simultâneas. O pessimismo que pairava sobre a campanha do ex-vice sumiu durante a madrugada que antecedeu esta quarta-feira.  Biden dominou a disputa nos estados do Sul e teve resultados expressivos nos estados do Norte e Nordeste. Sanders, que agora figura em segundo na corrida por delegados, só foi forte nas urnas da Costa Oeste.  O placar final de delegados após as primárias da Super Terça ainda não foi divulgado – restam alguns estados que não foram completamente contabilizados –, mas até o momento Biden lidera com 566 delegados seguido por Sanders com 501.

Fora a questão geográfica, as primárias de terça-feira deixaram claro que Sanders e Biden são sustentados por públicos bastante distintos. O ex-vice detém o apoio dos mais velhos e dos negros, enquanto o senador de Vermont tem forte respaldo entre os jovens e latinos. A próxima rodada de eleições, que ocorre no dia 10/03, inclui tanto estados que favorecem Biden, como Mississipi, Missouri e Michigan; quanto os que favorecem Sanders, como Washington, North Dakota e Idaho.

Quase 2/3 dos delegados ainda serão disputados até a convenção partidária em julho, quando será necessário conquistar 1.991 representantes para garantir a nomeação partidária. Arriscar um palpite a esta altura do campeonato seria um tanto precoce, mas é relevante destacar o impacto que os outros candidatos exercem sobra às candidaturas dos dois favoritos. Todos os principais candidatos que desistiram da disputa até o momento (Bloomberg, Klobuchar e Buttigieg) endossaram Biden. Na prática, tanto os votos quanto as doações que iriam para estes três devem majoritariamente ir para o ex-vice.

Ademais, Elizabeth Warren, que defende um palanque bastante parecido com o de Sanders, continua na disputa em detrimento do seu companheiro progressista. A dupla divide a atenção e apoio da ala radical do partido Democrata. Ontem, quando o resultado decepcionante de Sanders começou a se concretizar, muitos dos seus apoiadores culparam a senadora de Massachusetts pela performance aquém do esperado do seu candidato, que presumivelmente absorveria o seu apoio caso ela desistisse da disputa pela nomeação. Segundo algumas contagens, Sanders teria sido vitorioso em 3 outros estados se Warren já tivesse desistido. Não me surpreenderia se o desejo dos sanderistas fosse atendido antes da próxima rodada de primárias, no dia 10 de março.

O embate entre Biden e Sanders representa mais do que uma corrida por delegados que determinará quem disputará a eleição com Trump, ele é sintomático de duelo maior por controle de um dos dois únicos partidos com representação no Congresso na maior economia do mundo. Nos bastidores, a velha guarda democrata lamenta a ascendência de Sanders, que oficialmente nem democrata é – sua designação oficial no Senado é “independente”, apesar de seguir os democratas nas maiorias das votações.

Ainda mais importante que o seu rótulo partidário é o fato que Sanders defende pautas muito à esquerda de um democrata tradicional como, por exemplo, o ex-presidente Barack Obama. As atuais primárias, caso o Sanders prevaleça, não só darão ao senador a oportunidade de disputar a Casa Branca com Donald Trump, elas posicionarão os radicais no centro do partido e exilarão os moderados para a margem da sigla.

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