The behavior gap: o ponto cego

Tempo de leitura: 4 minutos

Você conhece seu ponto cego?

Minha contribuição de hoje, caro leitor, é te proteger de você mesmo.

Espero, depois desta leitura, deixá-lo um pouco mais alerta quando o assunto for o seu dinheiro e algumas armadilhas que sua mente pode causar.

Neste caso, acredite no velho ditado “nem tudo que reluz é ouro”. E no mundo das finanças, em especial, o que a princípio está claro, reluzente e indiscutível pode enganar muita, mas muita gente.

A indústria financeira está aberta a profissionais e amadores das mais diversas formações profissionais e acadêmicas. Estou falando de pessoas muito inteligentes, certificadas e muito bem instruídas.

Acontece que, nestes mesmos mercados, existem alguns componentes emocionais. Estou falando de reações, comportamentos e incentivos.

Estes outros componentes costumam ignorar completamente a formação acadêmica, a certificação, a bagagem profissional e o Q.I. dos indivíduos. Mais do que nunca, os mercados podem nos provar que o mais inteligente da sala nem sempre estará certo.

Indo mais direto ao ponto: na esmagadora maioria das situações, ser extremamente inteligente, e isso inclui ter plena noção de que as pessoas estarão condicionadas a considerar sua opinião e esperar de você uma solução, pode fazer de você vítima de um clássico viés comportamental e fazer com que sua inteligência, infelizmente, passe a jogar contra você.

Eu explico.

A autonomia de decisão em um processo de investimento, seja ele formal ou informal, pode fazer com que pessoas reconhecidamente muito inteligentes se tornem perigosamente autoconfiantes.

Tomadas pela sensação de impossibilidade do erro, as pessoas inteligentes podem acreditar demais em suas habilidades enquanto investidores, sendo incapazes de mudar de ideia ou aceitar alguns fatos.

Por exemplo: na ponta contrária da operação infalível X, pode existir alguém mais inteligente ainda, ou ainda pior, os mercados podem simplesmente ignorar a racionalidade em um momento de pânico.

Outro fator relevante, que agrega à nossa discussão é: pessoas muito inteligentes, em suas especialidades fora do mundo das finanças, muitas vezes podem ser investidores terríveis.

Estou falando de médicos, advogados, engenheiros, pessoas de carreiras brilhantes.

Esta discrepância entre sucessos acontece porque estes profissionais acreditam que o sucesso e a riqueza alcançada por eles, em determinada área de conhecimento na sociedade, podem ser facilmente replicados com ganhos extraordinários nos mercados financeiros.

Parece não fazer o menor sentido, não é mesmo? E não faz.

Mas entenda que este tipo de “subestimação intelectual” é mais comum do que se imagina, eu diria.

Pessoas brilhantes podem sabotar a si mesmo e acabar tomando péssimas decisões financeiras.

Entenda o que é o ponto cego

Quando se é inteligente, nós somos condicionados a sermos extremamente autoconfiantes, pensarmos em soluções altamente complexas (famosa pressão por pensar fora da caixa o tempo inteiro quando a solução sempre esteve ali na caixa) ou, até mesmo, pensar demais em uma solução de algo que já deveria ter sido resolvido de forma muito mais rápida.

Este conjunto de reações comumente observadas em pessoas com mais conhecimento pode levá-las ao viés conhecido como “ponto cego”, também chamado de “paradoxo da inteligência”.

Trata-se de um viés comportamental perigosíssimo, pois é por meio dele que simplesmente deixamos de enxergar em nós mesmos a ação de outras heurísticas mais famosas que também estamos suscetíveis. Por exemplo: Excesso de confiança, aversão à perdas, representatividade, ancoragem, viés de confirmação, etc.

E pior, pessoas inteligentes, muitas vezes paradoxalmente, ignoram estas outras heurísticas citadas mesmo tendo absoluto conhecimento da existência delas e de como estamos expostos o tempo todo às suas consequências. É como estar cego às suas próprias emoções. Complicado, não acha?

O livro Thinking in Bets: Making Smarter Decisions When You Don’t Have All the Facts da autora Annie Duke aborda uma explicação primorosa sobre o ponto cego.

O que fazer?

Conforme prometi, seguem alguns conselhos finais que visam protegê-lo, se você se considera inteligente ou é tido como referência na sua área de atuação, seja ela qual for.

1- Entenda que está tudo bem em dizer “eu não sei” em determinada situação a qual não se sinta confortável. Como investir de forma autônoma, por exemplo.

2- Pense em termos de probabilidades, no “porém”, considere o “se”, prepare-se para as falhas. As chances de errar podem evitar sua “cegueira” e que você fique imerso em sua própria certeza. Resumindo: abrace os riscos.

3- Estimule sua inteligência emocional. Pode valer mais que mil diplomas na sua parede.

4- Procure a ajuda de especialistas em qualquer assunto que você não tiver domínio. Se investimentos for um deles, busque por uma equipe plural e diversificada intelectualmente.

5- Se a equipe escolhida por você parece fazer tudo de uma maneira complicada, abusar nos jargões e não se comunicar bem com você, fuja e leve seu dinheiro junto!

Os melhores especialistas em investimentos que conheço possuem a habilidade de explicar assuntos e estratégias complexas de uma maneira a qual as pessoas realmente os entendem.

E lembre-se, o pior defeito que temos é aquele que não sabemos que temos.

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