Banco Mundial: O Brasil está melhor, mas ainda falta muito

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O Brasil está no seu melhor momento desde 2014, apontou o relatório Doing Business, do Banco Mundial. O já tradicional relatório — que não está imune das críticas dos economistas — foi publicado no final de outubro e nos relembra da importância de continuarmos no caminho das reformas. Quais foram as novidades? O Brasil tem motivos para comemorar? Aliás, quais têm sido as críticas à publicação do Banco Mundial?

O Brasil está na posição número 109 no que diz respeito à “facilidade de fazer negócios”, afirma o Banco Mundial. Para ser mais preciso, estamos entre a Papua-Nova Guiné e o Nepal. Bem longe do “Top 3”, que inclui Nova Zelândia, Singapura e Dinamarca. O índice nada mais é do que uma métrica que incorpora 10 áreas consideradas relevantes para o desenvolvimento econômico, incluindo facilidade de começar um negócio, acesso à energia elétrica e proteção de investidores minoritários, entre outros quesitos. Frente ao ano de 2018, avançamos importantes 12 posições. Motivo para comemorar?

Sim e não. De fato, houve sim uma melhora significativa nos últimos anos. De 2018 pra cá, mostramos um resultado relativo também interessante: o Brasil foi, entre os chamados “grandes” da América Latina, o único país a melhorar neste ranking. Mas isto não quer dizer que estamos bem na “foto”. Basta olhar alguns vizinhos: México, Chile e Colômbia, por exemplo, que estão nas posições 54, 56 e 65, respectivamente. Só a Argentina, entre os nossos “próximos”, ficou para trás e aparece na posição 119.

A seguir, um compilado do Brasil, de acordo com cada critério avaliado pelo Banco Mundial. O país está melhor avaliado em “acesso à energia”, por exemplo, e o seu pior quesito foi o “pagamento de taxas”. Há sim alguma dispersão entre os indicadores (e isto acontece não só para o Brasil, mas para todos os demais), mas, de modo geral, não é novidade dizer que poderíamos melhorar em todas as frentes.

E às críticas ao relatório do Banco? Não é exagero dizer que o Doing Business atrai a atenção não só de acadêmicos e pessoas interessadas com o desempenho econômico dos países, mas também de políticos ao redor do mundo. É uma vitrine; algo que pode ser utilizado para alavancar apoio, interna e externamente. Os críticos, portanto, afirmam que o ranking poderia criar incentivos perversos, e a adoção de políticas públicas por parte de políticos que nem sempre estão alinhadas com o melhor funcionamento das economias.

Paul Romer, ex-economista-chefe da instituição — e recém-nomeado Nobel de Economia —, chegou a levantar dúvidas quanto à interferência política neste tipo de publicação, ainda no início deste ano. Já não está no cargo, mas foi o suficiente para colocar a suspeita no centro dos holofotes. Com interferências, ou não, o índice do Banco Mundial mexe com os políticos. Neste contexto, vale ressaltar que após a Índia melhorar 30 posições no ano passado, a China “acordou”, e avançou impressionantes 32 posições nesta última edição.

Independente das críticas, a publicação do Banco Mundial continua — e provavelmente continuará — a ser relevante. O Brasil melhorou, mas ainda há muito a fazer. Bolsonaro e Cia. sabem disto, é claro. Diminuir a burocracia e facilitar a vida às empresas é, certamente, o caminho para acelerar o crescimento econômico.  Políticas neste sentido serão muito bem-vindas e continuarão a ser bem recebidas pelo ranking do Banco Mundial. Vamos acordar?

 

 

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