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BDR ou investir direto no exterior? Entenda a diferença

Tempo de leitura: 5 minutos

Nos últimos anos, mais pessoas passaram a ter interesse pelo mercado de capitais, procurando novas formas de investir e de diversificar a carteira. Entre os diversos ativos que passaram a ficar na mira dos investidores, os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) vêm se destacando. No primeiro semestre de 2021 o número de investidores nesses papéis cresceu 3.000% no comparativo com o mesmo período de 2020, totalizando quase R$ 5 bilhões investidos.

Esse aumento se deve às mudanças de regras no fim do ano de 2020. Anteriormente, os BDRs só podiam ser adquiridos por investidores qualificados, depois das mudanças puderam ser comprados por investidores Pessoa Física.

A compra desse tipo de recibo equivale a negociar ações de empresas sediadas no exterior, mas qual a diferença entre investir em BDRs e em ações estrangeiras?

O que são BDRs?

Na B3, a bolsa do Brasil, são negociados certificados que representam ações emitidas por empresas em outros países, eles são chamados de Brazilian Depositary Receipts ou BDRs. Esses recibos são valores mobiliários lastreados em papéis de companhias estrangeiras que também estão presentes no Brasil.

Quem adquire um BDR não está comprando ações da empresa no exterior, mas, sim, títulos representativos desses papéis. Enquanto acontecem as negociações, as ações da empresa precisam ficar bloqueadas para que os mesmos títulos não sejam comprados em dois lugares distintos, fazendo com que um deles fique sem o produto. Deste modo, uma instituição financeira, que atua como custodiante, guarda essas ações para que esse problema não ocorra e registra um programa de distribuição de BDRs junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A B3 é a instituição financeira responsável por assegurar o funcionamento desse processo em conjunto com os bancos depositários, os quais emitem os BDRs no Brasil.

Como investir em BDR’s?

Para operar BDRs, basta estar cadastrado em uma instituição financeira brasileira (banco ou corretora), na qual a dinâmica de negociação será similar ao que já é praticado para os outros produtos, tais como ações locais.

As ações utilizadas como lastro dos BDRs, podem ser cotadas em outras moedas a depender da bolsa de origem, porém, as operações com BDRs são realizadas sempre em reais, o que facilita a compreensão do investidor em relação ao valor que está sendo negociado.

Dentre as principais vantagens dos BDRs, destaca-se a praticidade de investir em ativos listado no exterior estando no Brasil, sem ter que abrir uma conta em corretora estrangeira, se preocupar com conversão cambial, emitir remessas internacionais e sem se sentir inseguro por estar em um ambiente desconhecido.

Além disso, os BDRs ajudam a diversificar os investimentos, possuem proteção cambial, e o risco é calculado no Brasil. Sem contar que os BDRs possuem a presença dos Formadores de Mercado em tela, instituições financeiras credenciadas pela B3, as quais garantem a liquidez do produto, comprando de quem quer vender, e vendendo para quem quer comprar.

Alíquotas e declaração de ativos no Imposto de Renda

A taxa de Imposto de Renda incidente é de 15% nas operações comuns e de 20% nas operações de day trade, ou seja, aquelas que são abertas e encerradas no mesmo dia. Mesmo os BDRs sendo certificados que representam a posse de ações no exterior, é fundamental que se declare essas negociações no Imposto de Renda.

O investidor precisa recolher mensalmente o valor do Imposto de Renda que deve ser feito por meio da emissão de um Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), utilizando o código 6015. É essencial que esse pagamento aconteça até o último dia útil do mês seguinte ao das vendas. Os BDRs não contam com isenções.

Exemplos de BDRs disponíveis hoje para o investidor brasileiro

Existem diversos tipos de BDRs disponíveis atualmente para o investidor brasileiro. São eles: BDRs patrocinados, (nível I, II e III) e os BDRs não patrocinados. Basicamente, o que muda para o investidor final é se a iniciativa de listagem parte do emissor do ativo (BDR Patrocinado) ou do Banco Depositário (BDR Não Patrocinados), bem como o volume de dados que serão compartilhados e tipo de distribuição permitida para cada tipo.

Além dos tradicionais BDRs de Ações, existem também os BDRs de ETF, os quais refletem as cotas de ETFs (Fundos de Índices) listadas e negociadas no exterior.

Atualmente, a prateleira de BDRs ofertados possuem exposição em mais de 17 países e cerca de 25 setores, tais como ações amplo, dividendos, large caps, small caps, ESG, saúde, tecnologia, commodities, entre outros.

Investir diretamente no exterior

Investir no exterior exige a abertura de uma conta em uma corretora de fora do Brasil, comprar dólares e remeter para o mercado off-shore, incorrer na tributação do exterior. É importante lembrar que o envio do valor para outro país contém o custo do IOF (que pode ser de 1,1% ou 6,38% no caso da utilização de cartão de crédito), tornando a operação mais cara. Além disso, a compra dólar e da manutenção da conta no exterior terão custos significativos, sem contar com os custos envolvidos para trazer esse dinheiro de volta para o Brasil.

Como declarar o Imposto de Renda de ações compradas no exterior

Comparada com a declaração dos BDRs, a declaração de ações compradas no exterior é mais complexa. Existem duas formas de declaração, uma para pessoa física e outra para empresas. A pessoa física deve preencher uma ficha intitulada “Bens e Direitos” que conterá o maior número de informações referentes aos investimentos e deverá inserir a quantidade de ativos, o valor gasto e o preço do câmbio na data em que a remessa foi feita.

Quando a pessoa física recebe dividendos de investimentos no exterior ela deve pagar o Carnê-Leão, mesmo que o dinheiro não esteja sendo enviado para o Brasil e existem tabelas de cálculo de tributação diferentes para os dividendos e para casos de ganho de capital, ou seja, quando o investidor vende ações.

No caso de declarações feitas por pessoa jurídica compreende-se que existe somente um ativo que é a própria empresa, bastando declarar a empresa, e não os ativos que ela possui.

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