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Aumento dos remédios e o impacto na renda familiar

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Nas cidades grandes, se você olhar aleatoriamente para um lado da rua, há boas possibilidades de você avistar uma farmácia. Nos últimos anos, a rede de drogarias e farmácias se expandiu rapidamente, o que por sua vez trouxe impactos para a concorrência do setor (embora ainda haja grande consolidação do faturamento do segmento em poucas empresas). Além disso, empresas que vendem remédios pela internet ajudaram a baratear o custo dos medicamentos, pois as despesas fixas são inferiores as empresas com lojas físicas, o que acaba sendo repassado favoravelmente ao consumidor.

A CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) autorizou um aumento de até 4,33% nos remédios vendidos no Brasil a partir do final dessa semana. Na prática, esse aumento não é repassado inteiramente para o consumidor, a exemplo do que já ocorreu no ano passado. Como há muitas farmácias com lojas físicas e também as que vendem apenas pela internet, há um risco grande de repassar o aumento total ao cliente, caso a concorrente não o faça, tendo em vista que o bem é homogêneo (não há diferença alguma entre comprar um Tylenol na farmácia A ou na drogaria B). Dessa forma, como num jogo de xadrez, o movimento a ser realizado no tabuleiro pode ser uma antecipação do movimento dos concorrentes. Essa é a beleza da concorrência, tão ausente em outros segmentos de mercado.

De qualquer forma, os medicamentos representam parte significativa da renda da população, principalmente dos mais pobres. Segundo pesquisa realizada pelo IPEA, os 10% mais carentes comprometem uma fração da renda 3,6 vezes superior à dos 10% mais ricos com medicamentos, representando 11% do gasto total mensal. Considerando outra pesquisa, agora do IBGE, o gasto mensal das famílias brasileiras com saúde chega a pouco mais de R$150, sendo que os medicamentos compõe 48,6% desse total, seguido por Plano de Saúde (29,8%). Assim, os aumentos autorizados pela CMED e executados pelas empresas que vendem remédios devem ser monitorados com cautela, tendo em vista o impacto que trazem no orçamento familiar e no próprio índice de inflação.

Só para se ter uma ideia, em 2016 foi autorizado pela CMED um aumento máximo de 12,5% nos preços dos remédios. Na prática, houve crescimento de 11,23% no valor pago pelo consumidor. Esse aumento, sozinho, representou quase 10% (ou 0,36 pontos percentuais) de todo o índice de inflação (IPCA) de junho/16, que à época estava na ordem 4,5% nos últimos doze meses. Conforme

formas de mitigar o peso desse aumento no orçamento. Primeiramente, há bons programas governamentais, como é o caso da Farmácia Popular, que vende produtos com mais de 90% de desconto ou até fornece alguns medicamentos gratuitamente, como é o caso de quem sofre com hipertensão, por exemplo. Segundo, há programas de fidelidade em certas indústrias farmacêuticas quando há o uso continuado de certo medicamento; esse tipo de modalidade por gerar descontos de até 70%. Por fim, vale a pena pesquisar na internet antes de comprar determinado remédio. A exemplo do que ocorre em épocas de Black Friday, há sites especializados que comparam os preços praticados pelas principais empresas do ramo, e podem encontrar ofertas que valem a pena.

Ninguém gosta de pensar sobre gastos com saúde e medicamentos. Mas um bom planejamento pode auxiliar (e muito) a economizar nesse tipo de gasto, sobrando mais dinheiro para guardar ou gastar com o que mais vale a pena.

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