Cotações por TradingView

As revoluções silenciosas

Tempo de leitura: 5 minutos

Chegamos ao fim de 2021 e ninguém vai dizer que foi fácil. Mais um ano de pandemia, no qual milhares de brasileiros perderam a vida para um vírus sorrateiro, que teima em permanecer entre nós, por meio das mutações e variantes. Na política ou na economia, temos poucos motivos para comemorar, devido a redução da renda das famílias, aumento da inflação e passos largos em direção ao populismo.

Mas é possível ver o copo cheio de 2021? Claro que sim! Mesmo sem a gente perceber, pequenas revoluções passam quase despercebidas, e que pouco dependem daquele ou deste governo. São as revoluções silenciosas. E mesmo que elas tenham passado batido em meio ao turbilhão de notícias, análises e informações que fomos expostos neste ano, vale a pena mencionarmos alguns desses saltos que impactam toda a sociedade.

PIX: a revolução do dinheiro

Em novembro de 2020, sem muito alarde, surgia uma alternativa eficiente às transferências e pagamentos tradicionais: o tal do PIX. O projeto capitaneado pelo Banco Central buscava atacar uma ‘dor’ que os usuários do sistema de pagamentos (tanto Pessoa Física quanto Jurídica), que era a carência de uma solução financeira na qual fosse possível movimentar recursos de forma instantânea, sem custo e a qualquer momento, mesmo fora do horário comercial e até em finais de semana e feriados.

Os números falam por si. Após um período de adaptação, no final de 2020, a utilização do PIX explodiu entre pessoas e empresas. Atualmente, 61,4% dos brasileiros usam Pix, que já soma 7 bilhões de transações, deixando para trás soluções de pagamento tradicionais como cartão de débito e cheque. O número de brasileiros que utilizam a solução de pagamentos ainda esconde outra verdadeira revolução: pelo menos 40 milhões fizeram a primeira transferência de dinheiro por meio do PIX, sem ter usado antes TED ou DOC para isso. Isso é dar acesso à soluções financeiras ‘na veia’, uma das bases da Cidadania Financeira defendida pelo próprio Banco Central.

O Banco Central divulga recorrentemente a agenda de melhorias que abarca o sistema do PIX, e muitas coisas legais ainda estão por vir, como o PIX Cobrança, que pode substituir os boletos de cobrança e o PIX Garantido, que coloca a solução de pagamentos com um pezinho no mundo do crédito. Mais do que os projetos que estão por vir, a adesão massiva ao PIX é um enorme avanço para a sociedade.

Sol e Vento: a revolução da energia

Estamos passando pela maior seca em mais de 90 anos no Centro-Sul do território brasileiro. As chuvas vieram em baixa intensidade, principalmente a partir de 2018, sendo portanto insuficientes para encher os reservatórios na produção de energia hidrelétrica. As contas de luz ficaram bem mais salgadas, com a entrada da bandeira vermelha que adiciona um custo na conta final. Esse e outros fatores (como o preço dos combustíveis) foram os principais vilões da aceleração da inflação em 2021 no Brasil.

Silenciosamente, contudo, alternativas à energia hidrelétrica começaram a surgir e ganhar adesão. A produção de energia a partir de painéis fotovoltaicos – que transformam o calor do sol em energia elétrica – deve chegar a 18 Terawatt-hora (TWh) em 2021, um aumento de 67% com relação aos 10,7 TWh verificados em 2020. E isso se transforma aos poucos em grande economia de energia, mesmo em ambientes residenciais. Pessoas que apostaram em converter o método tradicional para os painéis solares mencionam economia de 80% na conta de luz, e recuperação do investimento em poucos anos.

A produção de energia eólica, resultante dos ventos, também apresenta um bom crescimento em 2021. A produção pode chegar a 70 TWh, representando uma elevação de 23% com relação a 2020, alcançando 10% de toda a energia produzida no Brasil, patamar inédito de toda a série histórica. Se olhamos para cima e vimos pouca chuva nos últimos anos, o sol e os ventos nos mostram que podemos superar a crise energética sem necessariamente ‘sujar’ nossa matriz energética, tão dependente das usinas hidroelétricas.

Vacinas mRNA: a revolução da saúde

Em meio às tensões e urgências criadas pela pandemia de Covid-19, as tão aguardadas vacinas chegaram no final de 2020, sendo testadas e aprovadas em tempo recorde. Formatos tradicionais de vacinas (Adenovírus não replicantes e vírus morto) foram disponibilizados junto com um formato novo de imunizante, que é o mRNA, como são os casos das vacinas da Pfizer e da Moderna, ambas americanas.

Resumidamente, uma vacina de mRNA fornece um conjunto de instruções às nossas células para que elas façam a proteína específica que queremos que nosso sistema imunológico reconheça e assim combata o vírus invasor. Ao longo dos estudos na fase 3 e mesmo após a vacinação em massa, esse método mostrou maior taxa de eficácia na prevenção de contágio e evolução para doenças graves ou morte.

E a revolução das vacinas mRNA não parou por aí. O método está sendo testado para a prevenção de outros tipos de doenças, como câncer e Aids/HIV, com resultados promissores em suas primeiras fases de pesquisa. Se o ano foi muito duro para se lembrar, com milhares de mortes e histórias terríveis, o aprendizado científico desse período certamente trará uma evolução notável em um futuro próximo.

O copo meio cheio: a revolução do cidadão

Ninguém vai olhar para o ano de 2021 e de ‘bate-pronto’ se lembrar das revoluções silenciosas mencionadas aqui. O mais aparente, claro, foi o enorme desafio provocado pela pandemia e as feridas que esse processo deixou.

Note que nenhuma das três revoluções silenciosas mencionadas acima têm participação direta do governo. Mesmo a do PIX, é tocada de forma autônoma pelo Banco Central, sem receber – até agora – intervenções do Estado.

Se no passado os grandes saltos tecnológicos e de produção necessariamente passavam pela mão do Estado, como foi o caso da revolução industrial e das grandes guerras, hoje em dia já não podemos dizer o mesmo.

Embora as (boas) políticas governamentais continuem sendo fundamentais para o desenvolvimento de relevantes mudanças, ainda mais em países de renda média, como é o caso do Brasil, a ação dos indivíduos tem mostrado cada vez mais a sua importância.

Esse é um legado para as próximas gerações: saber que as grandes transformações não precisam passar necessariamente pelo crivo intervencionista de governos, podendo ser criadas e desenvolvidas a partir da livre ação individual das pessoas. Isso é algo simplesmente novo e transformador.

Relacionados

Como ter uma renda extra? Conheça 6 soluções possíveis!

Uma pergunta bastante comum entre os brasileiros diz respeito a como ter uma renda extra. Afinal, muitas vezes é preciso potencializar [...]

Guide Investimentos - 25/01/2022

A ressaca do ano novo

Via de regra todo começo de ano costuma ser mais calmo, pouca coisa acontece e nos mercados financeiros os agentes estão [...]

Terraco Econômico - 25/01/2022

127 horas, a consequência do instinto e da racionalidade

127 horas, do inglês 127 hours, é um filme de drama e aventura baseado em fatos reais, que retrata parte da [...]

Terraco Econômico - 21/01/2022
Logo o guia financeiro

Entrar

Como deseja continuar?

Abra sua conta

Preencha os campos abaixo
ou use uma das opções