Alta nos alimentos é puxada por mais exportações, câmbio e demanda, diz IBGE

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As famílias voltaram a gastar mais com alimentos no mês de agosto. O grupo Alimentação e Bebidas saiu de um ligeiro avanço de 0,01% em julho para uma elevação de 0,78% em agosto, dentro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo contribuiu com 0,15 ponto porcentual para a taxa de 0,24% do IPCA no mês.

Os alimentos para consumo no domicílio passaram de aumento de 0,14% em julho para um avanço de 1,15% em agosto.

Segundo Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, os alimentos estão mais caros no varejo por causa do aumento nas exportações brasileiras e da alta do dólar ante o real, mas também por uma pressão da demanda doméstica, aquecida pelo pagamento do auxílio emergencial.

A alimentação para consumo no domicílio acumula um aumento de 11,39% nos 12 meses encerrados em agosto.

“Alguns alimentos estão em alta, outros estão em queda, como alho, cebola, batata. O consumidor acaba percebendo muito mais as altas que as quedas. E sua percepção de inflação depende muito da sua cesta de consumo individual. Se você é vegetariano vai sentir menos preço das carnes”, disse Kislanov.

Embora o Brasil esteja colhendo uma safra recorde de grãos em 2020, alguns itens estão mais caros para o consumidor doméstico. Segundo Kislanov, o câmbio mais alto estimula as exportações e reduz a oferta de produtos no mercado doméstico.

“Essa alta nos alimentícios tem a ver com vários fatores, um deles é demanda externa, principalmente chinesa. Outro é câmbio, porque com dólar alto é interessante para o produtor exportar. E o auxílio emergencial ajudou a sustentar preços de alimentos, especialmente arroz e feijão, produtos mais básicos. Aumenta demanda também de laticínios. Mas tem alguns alimentos que estão caindo. Não é como se todos os alimentos estivessem subindo conjuntamente”, justificou Kislanov. “O auxílio emergencial foi importante para sustentar a demanda por alguns produtos da cesta mais básica, e pode continuar sustentando nos próximos meses”, completou.

No mês de agosto, houve pressão dos preços do tomate (12,98%), leite longa vida (4,84%), frutas (3,37%), carnes (3,33%), óleo de soja (9,48%) e arroz (3,08%). O arroz acumula uma alta de 19,25% no ano de 2020.

Por outro lado, ficaram mais baratos a cebola (-17,18%), alho (-14,16%), batata-inglesa (-12,40%) e feijão-carioca (-5,85%).

A alimentação fora do domicílio passou de uma queda de 0,29% em julho para um recuo de 0,11% em agosto. A refeição fora de casa saiu de -0,06% em julho para -0,56% em agosto, enquanto o lanche passou de -0,86% para uma alta de 0,78%.

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