Descolado de Nova York, Ibovespa fecha em baixa de 0,82%

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As bolsas de Nova York melhoraram à tarde, à espera dos resultados da Amazon após o fechamento desta quinta-feira, enquanto o Ibovespa, embora tenha recuperado a linha de 120 mil depois de tocar os 119,7 mil pontos na mínima do dia, não conseguiu acompanhar o humor de Wall Street. Assim, o índice da B3 devolveu parte da recuperação da quarta-feira, quando havia subido 1,39% após perda de 1% no dia precedente. Nesta quinta, ainda em zigue-zague na semana, fechou em baixa de 0,82%, aos 120.065,75 pontos, entre piso de 119.702,87 e pico de 121.497,86 pontos na sessão, com giro financeiro a R$ 31,6 bilhões. Nas últimas quatro sessões, acumula agora perda de 0,39%, com ganhos no mês a 2,94% – no ano, sobe apenas 0,88%.

Sem fôlego para romper de forma sustentada a resistência dos 121 mil pontos, mas também distante do suporte de 117,5 mil pontos, o Ibovespa tem se mantido em faixa relativamente estreita, tendo atingido os 119.003,27 pontos no pior momento da semana, na mínima intradia de terça, e chegado a 121.497,86 pontos na máxima do intervalo, nesta quinta. Nas últimas sete sessões, foi para os 119 mil pontos nas respectivas mínimas, e nas últimas quatro conseguiu tocar e superar os 121 mil pontos nos melhores momentos.

O cenário externo continua favorecido pela temporada positiva de resultados corporativos, especialmente os das grandes empresas de tecnologia, bem como pela política monetária afrouxada e os estímulos fiscais nos Estados Unidos, em visão de retomada econômica reforçada pela expansão de 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) americano. Aqui, apesar do alívio recente observado no câmbio – nesta quinta, ainda em ajuste de baixa, a R$ 5,3365 no fechamento -, uma série de incertezas tem impedido o Ibovespa de rasgar para cima, mesmo permanecendo atrasado no ano em comparação a outras referências.

“O mercado continua a operar muito em cima do ritmo de vacinação e de dados de crescimento econômico – o PIB americano foi positivo hoje para os mercados, que continuam muito correlacionados aos juros de 10 anos nos Estados Unidos”, diz Daniel Miraglia, economista-chefe do Integral Group. “A reunião do Fed ontem também tranquilizou os mercados, e os ativos de risco reagiram bem. Os juros de 10 anos dos Estados Unidos, a taxa mais importante do mundo, saíram de 0,90% no início do ano para 1,75%, em fins de março, e aliviaram em abril, a 1,53% na mínima vista em 23 de abril, antes de voltar a subir de novo, mais lentamente”, acrescenta Miraglia. “Vinham se mantendo ultimamente de lado, entre 1,55% e 1,60%, em cenário mais benigno para emergentes. Depois desta última reunião do Fed, estamos entrando em dinâmica um pouco nova, onde os juros longos nos Estados Unidos estão com viés um pouco mais de alta. Se voltar para nível de 1,75% ou acima, nos yields de 10 anos, será mais desafiador para emergentes, com impacto em câmbio e curva de juros.”

Previsto para começar nesta quinta, o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolve o ICMS calculado na base do PIS e da Cofins – uma conta bilionária em disputa que coloca de um lado o setor privado e, de outro, o governo – é outra questão delicada que tem sido acompanhada com interesse pelo mercado, acrescenta o economista, pelo “impacto fiscal relevante”.

Assim, o índice da B3 segue dividido entre o noticiário corporativo doméstico, em geral positivo, e as preocupações com a pandemia, a CPI da Covid e a economia, especialmente a situação fiscal e a inflação – hoje, embora em desaceleração, a 1,51% em abril, o IGP-M foi o maior para o mês desde 1995.

Dessa forma, desde meados de abril o Ibovespa tem orbitado em torno dos 120 mil, sem grandes quedas, sem grandes avanços. Os ganhos que haviam se distribuído bem na quarta-feira por empresas e setores deram lugar nesta quinta a um ajuste também linear, em que os bancos, em especial, devolveram parte do entusiasmo do dia anterior com o balanço do Santander, o primeiro da temporada trimestral no segmento.

Em geral, o dia foi negativo também para outros setores de peso no Ibovespa, como commodities (Petrobras ON -2,00%, PN -1,34%) e siderurgia (CSN -2,20%). Na ponta do índice, Lojas Americanas fechou em baixa de 5,17%, à frente de Embraer (-4,31%) e de Santander (-3,87%). No lado oposto, B2W subiu 7,69% – em reação oposta a de Americanas sobre a mesma notícia, de combinação operacional entre as empresas -, enquanto Ecorodovias avançou 4,55% e Sabesp, 4,36%.

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