China critica EUA por suspensão de restrições a contatos diplomáticos com Taiwan

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Ao menos dois órgãos de mídia ligados ao governo chinês teceram críticas à decisão dos Estados Unidos de suspenderem restrições a contatos com diplomatas de Taiwan. O anúncio foi feito ontem pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo. A ilha é reivindicada por Pequim, e mantém relações com os EUA apenas através de canais diplomáticos alternativos.

“Só há uma China no mundo, Taiwan é parte inalienável do território chinês e o governo da República Popular da China é o único governo legal que representa a China”, afirma o texto publicado neste domingo (10) pela agência estatal Xinhua. O informe critica a administração de Donald Trump por “destruir” a cooperação internacional, e por criar divisões internas entre os americanos. O despacho cita a invasão do Capitólio por apoiadores do presidente, na última quarta (6), como exemplo deste ponto.

Já um texto da CGTN, emissora de televisão ligada ao canal estatal chinês CCTV, sustenta que a decisão dos americanos é parte de um esforço “contínuo” da gestão Trump para “queimar a casa antes do fim do mandato”. O texto afirma que os EUA cruzaram uma “perigosa linha vermelha” nas relações com a China dias antes de o democrata Joe Biden assumir a Casa Branca.

“(Mike) Pompeo é parte de um pequeno grupo de falcões da política externa que buscam ‘dissociar’ os EUA da China por razões ideológicas”, afirma a publicação. Segundo o texto, a intenção do grupo associado ao secretário de Estado é a de acabar com laços comerciais que foram benéficos a ambos os países, em uma “fantasia” que teria apelo apenas para os eleitores de Trump.

Desde meados do século XX, Taiwan clama ser o representante legal da China, mas o governo comunista de Pequim é reconhecido oficialmente como tal pela maior parte dos países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Pequim se recusa a manter relações diplomáticas com nações que reconhecem Taiwan como um país independente, e busca o reconhecimento de Taiwan como parte de seu território.

Hoje, os EUA reconhecem Pequim como o governo oficial da China e não mantêm relações diplomáticas oficiais com os taiwaneses. No entanto, desde 1979, quando o diálogo diplomático entre os países foi rompido, o governo americano mantém no local o Instituto Americano em Taiwan, considerado uma embaixada ‘de facto’ dos Estados Unidos.

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