Amazon: uma obsessão

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Mais uma vez Donald Trump. Mais uma vez pelo Twitter. Até parece notícia repetida. A bola da vez é o gigante do comércio virtual mundial: Amazon.com. 

Jornalistas e analistas, que acompanham o dia-a-dia da multinacional americana, têm classificado esta como a verdadeira obsessão do presidente americano.

Entre “twittadas” e “pitadas de psicopatia”, os mercados acionários das maiores firmas tech e, principalmente, a Amazon têm sofrido muito nestas últimas semanas. Desde o primeiro tweet até o momento em que escrevo este post, a ação da the everything store havia caído 12,33% na bolsa de valores americana.

Um drama de roteiro quase novelesco entre o CEO da Amazon, Jeff Bezos, e seu antigo algoz, Donald Trump tem ganhado repercussão na mídia e aberto o debate sobre intervenção estatal, regulação do setor de tecnologia e possíveis mudanças na estratégia logística da Amazon.

COMO CHEGAMOS ATÉ AQUI?

Para entender como chegamos até este ponto nesta pequena crise na Amazon, precisamos voltar um pouco no tempo. A rixa de Trump e Bezos é antiga e remonta ao ano de 2015 quando Trump ainda era pré-candidato à presidência pelo partido Republicano.

A irritação e o rancor com a suposta “perseguição” promovida pelos veículos mais tradicionais da mídia americana, que depois vieram a ser classificadas pelo próprio presidente como promotoras de fake news, podem estar por trás da fixação de Trump com a Amazon.

O motivo: Bezos é simplesmente dono do jornal The Washington Post, veículo conhecido por críticas ferrenhas à administração Trump em seu editorial.

De forma clara, Trump já disse à Fox News que “Ele [Jeff Bezos] está usando o Washington Post por poder para que os políticos em Washington não taxem a Amazon como deveriam”.

Teorias da conspiração e briga de egos a parte. Quais foram os fatos concretos que têm estressado tanto aos mercados?

Em sucessivos tweets desde a semana passada, o presidente dos EUA tem dito de várias formas que os correios americanos, o United States Postal Service (USPS), possui um acordo de prestação serviços injusto com a Amazon.

De maneira similar à postura que tem adotado em relação aos acordos comerciais entre os EUA e outros países, Trump faz uso da sua conhecida retórica incendiária no Twitter para afirmar de várias maneiras que a nação e os trabalhadores estão perdendo muito dinheiro diante de monopólios e condições injustas impostas por inimigos seletivos do presidente.

Trump afirma que, além da Amazon estar pagando poucos impostos (até mesmo insinuações de sonegação estão sendo ventiladas), a empresa paga muito pouco ao USPS por encomenda transportada. Para o presidente, a empresa pública funciona como delivery boy de Bezos.

A reação enfurecida de Trump tem causado receio aos detentores de ações da Amazon.com, pois estes acreditam que alguma medida inesperada do Estado visando onerar mais a empresa pode causar muitos prejuízos, além do sempre temido cerco regulatório sobre as empresas de alta tecnologia, que é o caso da Amazon.

VAMOS AOS NÚMEROS

Apesar de todo alarde causado por Trump, os números parecem não corroborar com sua teoria de que o gigante do comércio eletrônico seja o principal inimigo do serviço postal do governo. Na verdade, o que reguladores desse serviço público e peritos tributaristas afirmam, é que a Amazon ajuda o serviço justamente a ganhar dinheiro e ser menos deficitário.

Hoje a estatal é deficitária muito por conta de seus custos de seguridade social e à queda do envio de cartas por usuários do serviço. O comércio eletrônico capitaneado pela Amazon foi crucial para ajudar o serviço postal a gerar receita com a entrega de pacotes.

Verdade seja dita também, os preços praticados pela Amazon com USPS são de certa maneira subsidiados, ou seja, estão abaixo dos praticados por prestadores de serviço postal privados como o FedEx e o UPS.

Sobre acusação de sonegação, reguladores afirmam que a Amazon recolhe impostos em 45 estados americanos que os exigem, embora os vendedores de seu marketplace, ou seja, aqueles que usam sua infraestrutura como terceiros podem não recolher.

SOLUÇÕES PARA QUEM INVESTE NA AMAZON

Se você investe direta ou indiretamente na ação da Amazon visando o longo prazo, fique tranquilo.

Se o governo americano insistir em fechar o cerco da companhia por meio do serviço público postal, saiba que a Amazon já está pensando, a um tempo, em algumas soluções logísticas para seguir seu negócio com menor dependência do Estado. Conheça algumas delas:

1. Em 2015, a empresa lançou o Amazon Flex, uma espécie de aplicativo nos moldes do Uber/Rappi que faz com que parceiros independentes ganhem por entregar produtos da Amazon em seus veículos particulares. Seria uma solução para o trecho mais curto da entrega, aquele que resta entre os centros de distribuição e as casas dos clientes. A empresa utiliza mais o serviço público de correio justamente nesta última etapa.

2. Ano passado, a empresa começou a testar um programa chamado Seller Flex que permite à Amazon supervisionar o recebimento e a entrega de encomendas em depósitos de terceiros que vendem mercadorias em seu site. Em outras palavras, a entrega é feita diretamente por estes terceiros.

3. A empresa também está testando entregas por meio de drones autônomos, com o objetivo de eliminar o custo com mão-de-obra no transporte de mercadorias.

4. Para pequenas distâncias, testes estão sendo realizados com seus próprios profissionais, que atuam como motoristas do serviço de entregas da Amazon Fresh.

5. Por último, a maior aposta da empresa é por meio do Whole Foods, cadeia de supermercados do segmento premium adquirida pela companhia ano passado. Resumindo, a Amazon pretende usar as 460 unidades do Whole Foods espalhadas pelos EUA não só como lojas, mas também como centros de distribuição integrados.

Esta guerra, ou novela, ainda terá muitos capítulos e nos resta, enquanto investidores, estarmos bem atentos aos seus possíveis desfechos.

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