Fraqueza externa leva Ibovespa à queda

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A fraqueza dos mercados internacionais no último pregão da semana e de abril impede uma recuperação do Ibovespa. Dados de atividade da Europa deixam evidentes os efeitos da pandemia de covid-19, com várias economias registrando queda do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, com a zona do euro entrando em sua segunda recessão técnica em um ano. Já nos EUA, novos indicadores de consumo e de inflação corroboram aceleração econômica do país, enquanto a Índia continua a preocupar por causa do aumento expressivo de novos casos da doença, gerando preocupações em relação à demanda mundial. Neste sentido, as cotações futuras do petróleo no mercado externo caem esta manhã na faixa de 2% e as bolsas realizam depois das máximas recentes.

No Brasil, por sua vez, a covid-19 também continua preocupante. O elevado número de mortos pelo coronavírus acima dos 400 mil e de índices de mobilidade impõe cautela não só pelas perdas em si, mas também no sentido de esfriar as expectativas de retomada de um segundo semestre menos deteriorado.

Ainda que considerado retrovisor, o indicador do mercado de trabalho informado esta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda reforça a dificuldade do segmento. A taxa de desemprego na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua atingiu 14,4% no trimestre até fevereiro, ficando menor do que a mediana de 14,6% das estimativas no levantamento do Projeções Broadcast (14,3% a 15,3%). Já o setor público teve superávit de R$ 4,981 bilhões, vindo melhor que a mediana das expectativas, o que pode contribuir para amenizar eventual queda do Ibovespa.

“Houve alguns ajustes positivos nesta semana cheia de resultados lá fora e que vieram bons. Então, o investidor aproveita para realizar lucros. Não vejo nenhuma notícia de peso para queda hoje. O mercado está basicamente focado na recuperação da economia e na sustentabilidade fiscal que depende das reformas”, descreve Eduardo Cubas, sócio e responsável pela área de alocação da Manchester Investimentos.

De acordo com o economista-chefe do banco digital ModalMais, Álvaro Bandeira, a queda indicada para o índice Bovespa hoje e as recentes – acumula perda de 0,85% na semana – reflete uma mistura de fatores, mas, por ora, não muda o quadro positivo para a Bolsa brasileira. Contudo, em abril, a valorização é de 2,38%. Na quinta, fechou em queda de 0,82%, aos 120.065,75 pontos

“É uma fase. Junta fim de mês, muitos dados da economia global, balanços de trimestre que tiveram resultados mais positivos do que negativos. Claro, sempre bom lembrar da base de comparação que é muito fraca ano passado. Acredito ser uma fase de volatilidade, mesmo. E por aqui ainda temos a covid-19, possibilidade de uma terceira onda, preocupação com a situação na Índia, com novas variantes. Mas, no fundo, acredito que a vacinação aqui avançará e teremos um segundo semestre melhor”, avalia Bandeira.

Além do externo, questões locais apontando sinais mistos também tendem a afetar os ativos internos, avalia o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria. Além de dados fiscais melhores que o esperado, há sinais de possíveis avanços da reforma tributária. “A CPI da covid faz o contraponto, sendo um fator de desgaste ao governo.”

Um contraponto pode ser a China, onde o índice de gerentes de compras (PMI na sigla em inglês) industrial do país subiu de 50,6 em março para 51,9 em abril, atingindo o maior nível em quatro meses, segundo a IHS Markit em parceira com a Caixin Media.

Contudo, a queda de 1,44% do minério ferro no porto chinês de Qingdao, a US$ 188,85 a tonelada, impede alta das ações do setor de commodities metálicas. O investidor ainda acompanhará a definição do conselho de administração da Vale para o biênio 2021-2023. As ações da empresas cediam 0,82% às 11h13. CSN ON perdia 2,17%. O Ibovespa caía 0,44%, aos 119.532,45 pontos.

Na B3, o investidor ainda acompanhará o Leilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) às 14 horas.

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