Cotações por TradingView

A Creche do Papai, um filme para crianças e empreendedores

Tempo de leitura: 4 minutos

Neste espaço semanal, sempre quando falamos a respeito de filmes, procuramos extrair conteúdos que não estão na superfície da obra, buscando desenvolver interpretações fora da curva, presentes nas entrelinhas, ligadas a vários temas da economia. No texto de hoje, sobre o filme A Creche do Papai, isso não seria diferente.

Mas, o que falar de A Creche do Papai?

O filme, mesmo sendo uma típica comédia destinada ao público infantil, fala sobre recomeço e oportunidades de negócios. É que os amigos Charlie, interpretado pelo astro Eddie Murphy, e Philos, interpretado por Jeff Garlin, são demitidos de uma empresa de cereais após fracassarem no lançamento de uma campanha publicitária.

Desempregados e, agora, tendo a obrigação de realizar as tarefas domésticas, como tomar conta dos próprios filhos, os dois acabam decidindo abrir um negócio juntos: uma creche!

O grande problema é que tanto Charlie quanto Philos possuem pouquíssima experiência com crianças, possuindo muitas dificuldades em lidar com os próprios filhos pequenos. No caso de Charlie, é destacado o quanto ele, apesar de ser um pai amoroso, é alheio e distante do filho.

De que o mercado precisa?

Antes de abrir um negócio, por mais interessante que ele possa parecer, é necessário ponderar sobre a sua real necessidade dentro do mercado. Vai haver consumidores para o produto/serviço que eu pretendo oferecer? O mercado em que eu quero atuar já é muito concentrado?

Diferentes empreendimentos só atingiram o tão sonhado sucesso no mundo corporativo respondendo, de alguma maneira, a essas questões. Um exemplo muito conhecido é o do McDonalds e o do Burger King, empresas que nasceram para satisfazer consumidores sedentos por refeições rápidas e com preços acessíveis. Além disso, ambas as empresas começaram atuando em um mercado com baixa concentração no tocante ao nicho de fast food.

Voltando para A Creche do Papai, a situação mostrada no filme é a de uma série de pais procurando por opções de creche. O grande problema é que a principal creche da cidade, a Chapman Academy, exerce um poder de monopólio, elevando o preço da sua mensalidade para além do valor de mercado, chegando ao ponto de impor condições um tanto quanto abusivas aos seus clientes. Diante dessa situação, justamente procurando uma creche para o seu filho, que Charlie percebeu a inexistência de qualquer opção, minimamente razoável, ao Chapman Academy.

Logo, Charlie e Philos tinham um mercado sedento por outras opções de creche, constituindo-se em uma nova oportunidade profissional a partir de um empreendimento. Apesar de terem identificado uma demanda insatisfeita com a oferta disponível no mercado, os amigos teriam que enfrentar um monopólio pela frente. Qual é o problema disso?

A via burocrática

Mesmo com as inúmeras dificuldades iniciais, praticamente todas geradas pela inexperiência de lidar com crianças, a Creche do Papai consegue se estabelecer no mercado de creches. Porém, esse avanço ocorreu na medida em que a Chapman Academy começou a perder clientes.

Insatisfeita com a ascensão da nova concorrência, a diretora da Chapman decide sabotar a Creche do Papai. O meio encontrado para isso foi pela via burocrática, acionando sempre os órgãos de fiscalização do setor. É que nos EUA existem uma série de normas que precisam ser seguidas pelas creches, questões relacionadas com o número máximo de crianças, itens de prevenção a acidentes, número de funcionários, entre outros. Aqui no Brasil há regras também nesse sentido, obviamente.

Claro que as sabotagens sofridas pela Creche do Papai são exageradas e um tanto quanto infantis, algo que é muito devido ao tipo de gênero do filme. Mas, mesmo considerando o mundo real fora da ficção, o caminho burocrático pode de fato ser utilizado como um tipo de estratégia de atuação contra a concorrência, principalmente sobre novas entrantes, ou seja, empresas que buscam quebrar o poder de mercado do negócio que já atua faz tempo naquela região e com aquele público.

A Creche do Papai, um filme sobre empreendedorismo

Como já mostrado, do contrário daquilo que aparenta, A Creche do Papai é (também) um filme sobre empreendedorismo. A história inicialmente pouco promissora de dois amigos desempregados que decidem recomeçar, entrando em um mercado desconhecido para eles, com o desafio de ter que concorrer com um monopólio.

De maneira semelhante aos empreendedores da vida real, Charlie e Philos enfrentaram inúmeras dificuldades, muitas delas provenientes de suas próprias limitações, como a inexperiência e a falta de dinheiro, e também advindas da burocracia. Apesar de todas as adversidades, eles conseguem se superar, melhorando dia a dia, literalmente na base da combinação de persistência com criatividade.

Definitivamente, A Creche do Papai não é um filme apenas para crianças. 

Relacionados

5 conceitos importantes que todo investidor iniciante precisa entender

Os brasileiros estão começando a investir mais. Pesquisa recente divulgada pela B3 mostrou que a quantidade de investidores chegou a 4,3 [...]

B3 - A Bolsa do Brasil - 25/05/2022

Vale a pena comprar uma ação fracionada?

Quem deseja investir no mercado de ações precisa conhecer as diferentes alternativas disponíveis nesse ambiente de negociações. Nesse sentido, é fundamental [...]

Guide Investimentos - 23/05/2022

Dividendos x juros sobre capital próprio: o que são e como compor a carteira com eles?

A negociação de ações está entre as possibilidades de investimento para quem visa obter ganhos na bolsa de valores. No entanto, [...]

Guide Investimentos - 20/05/2022
Logo o guia financeiro

Entrar

Como deseja continuar?

Abra sua conta

Preencha os campos abaixo
ou use uma das opções