A cabeça do investidor

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMC), o Brasil lidera a lista de países com maior nível de ansiedade. Deste modo, é plausível dizer que uma indústria tão competitiva quanto a financeira também expõe o investidor às dificuldades psicológicas. Contudo, a literatura da ciência econômica pode oferecer úteis percepções a respeito da cabeça do investidor. Além disso, algumas estratégias podem mitigar o “custo mental” dos investimentos.

Podemos abordar esses pontos através da ótica das finanças comportamentais, área da economia que busca explicar certos comportamentos dos participantes do mercado. Orly Sade e Dan Galai, por exemplo, são dois pesquisadores dessa área e que investigam o comportamento do investidor frente às situações de incerteza.

A grande sacada de ambos os pesquisadores consiste na observação de uma anomalia: determinados investidores se comportam como avestruzes! Em outras palavras, o investidor abre mão das informações sobre um ativo, em troca de uma maior percepção de segurança, ainda que os níveis de risco e retorno sejam semelhantes entre as alternativas em questão. Por esse motivo, essa anomalia foi apelidada de “efeito avestruz”.

Especificamente, considerando um título público e um depósito bancário com níveis semelhantes de risco e retorno, observou-se que os indivíduos: i) evitavam os títulos, cujos preços poderiam ser acompanhados diariamente; ii) e preferiam os depósitos, dada a menor percepção de risco por não serem negociáveis, logo, não há um preço a ser acompanhado.

Outros três pesquisadores, Niklas Karlsson, George Lowenstein e Duane Seppi, observaram os desdobramentos do efeito avestruz no mercado de ações. A partir de dados a respeito do comportamento de investidores escandinavos e americanos, notou-se que:

i) as carteiras de ações dessas pessoas eram verificadas com mais frequência numa tendência altista.

Logicamente, quando o mercado estava em baixa:

ii) os mesmos investidores verificavam as próprias carteiras com menos frequência;

Nota-se que os investidores, considerando determinada carteira de ações, exerciam a atenção de forma seletiva, sendo ela maior e, consequentemente, menor na baixa.

No entanto, o estudo de Svetlana Gherzi e colegas observou um fenômeno oposto ao efeito avestruz: o comportamento do investidor assume um modo “hipervigilante”, onde ele busca todo o tipo de informação disponível que possa elucidar o desempenho dessa carteira de ações. O apelido aqui é “efeito suricato”, que faz referência a um pequeno animal do continente africano, reconhecido pelos hábitos de vigilância.

Dado que o investidor pode apresentar comportamentos opostos, uma característica é comum a ambos: o “custo mental”. Isso é, a forma com que as atividades financeiras impactam a saúde mental do indivíduo, que também é algo a ser incorporado numa estratégia de investimento.

A estratégia barbell, comumente relacionada ao folclórico trader de opções Nicholas Nassim Taleb, é uma delas. Trata-se de alocar a maior parte dos recursos disponíveis (70–90%) em ativos de baixíssimo risco e uma parte menor (10–30%) em ativos de alto ou altíssimo risco.

Além de uma exposição calculada à ganhos exponenciais, essa estratégia pode mitigar o dito custo mental ao investidor, ao garantir a “sobrevivência” do investidor com a proteção de parte desses recursos.

A psicologia do investidor sempre foi um tema presente na discussão econômica, desde John M. Keynes e os animal spirits, os trágicos suicídios no Crash de 1929 e tantos outros eventos históricos. Nas últimas décadas, a importância dada ao assunto é crescente, pois, o aspecto mental é fundamental nas atividades financeiras. Além disso, quando esse mesmo aspecto é comprometido, ao nível individual, pode impactar algo imprescindível: a qualidade de vida.

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