4 Investimentos atrelados à inflação que vale a pena conhecer

Tempo de leitura: 11 minutos

O seu poder de compra não é o mesmo ao longo do tempo. Por causa da inflação e o consequente aumento generalizado dos preços, o seu patrimônio acaba perdendo capacidade de compra. Para se proteger dos impactos, uma solução é recorrer aos investimentos atrelados à inflação.

O que veremos neste artigo?
O que é inflação?
O que é o IPCA?
Qual a relação da inflação com os investimentos?
4 Investimentos atrelados à inflação
Como escolher os investimentos atrelados à inflação?

Eles se caracterizam por garantirem um ganho real, acima do índice de inflação medido a cada ano. Com isso, você consegue ter um aumento efetivo no patrimônio, com a manutenção — e ampliação — do valor do seu dinheiro.

Para saber como compor uma carteira com essas características, veja 4 investimentos que são atrelados à inflação e saiba como eles funcionam!

O que é inflação?

A inflação é um dos conceitos mais importantes do mercado financeiro. Ela corresponde à variação de preços que acontece em uma economia. Os ajustes podem acontecer por fatores como a oferta e demanda ou a necessidade de reajustar os preços (chamadas de pressão de custos).

Quando existe acesso fácil ao crédito, por exemplo, mais pessoas tendem a consumir e com maior intensidade. Isso aumenta a demanda e, pela lei da oferta e da procura, pode pressionar os preços para cima.

Tal questão ajuda a justificar por que a maior circulação de dinheiro na economia é apontada como causa da inflação. Outro exemplo envolve o reajuste de preços praticado por uma empresa ou setor, que desencadeia um aumento generalizado.

Quando o preço do barril de petróleo sobe, a gasolina tende a passar por reajustes, por exemplo. As operações de logística e transporte ficam mais caras e o aumento pode chegar ao valor cobrado do cliente final.

Como consequência, a inflação diminui o poder de compra do dinheiro e pode aumentar o nível de incerteza na economia. Por isso, é comum que o Banco Central estabeleça uma meta para o ano e use instrumentos financeiros para tentar controlá-la.

O que é o IPCA?

Sigla para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA é o principal indicador que representa a inflação da economia brasileira. Existem outros índices com cálculos diferentes, mas ele é considerado o oficial do país.

Ele é composto por uma cesta de produtos e serviços, montada para refletir o comportamento de consumo da população. O nicho avaliado é o de famílias brasileiras que recebem de 1 a 40 salários mínimos por mês, espalhadas pelo país.

Mensalmente, ocorre uma avaliação dos preços médios de itens ligados à alimentação, transporte, saúde e habitação, entre outras categorias.

A coleta de dados é realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entidade que também faz o cálculo. O cálculo sobre a taxa média depende da participação de cada despesa, sendo que a alimentação costuma ter o maior peso.

Então, quando o preço dos alimentos dispara, por exemplo, o resultado do IPCA para o mês tende a ser maior do que se houvesse um aumento em um setor com um peso menor de participação.

Os resultados são divulgados mensalmente e um IPCA positivo representa que houve inflação no período. Se ele ficar negativo é indício de ocorrência da deflação. A inflação total é calculada pela soma das parcelas mensais, podendo ficar abaixo ou acima da meta definida pelo Bacen.

Qual a relação da inflação com os investimentos?

A inflação não afeta apenas o consumo cotidiano. Ela também pode interferir na relação com os investimentos, dependendo da intensidade desse aumento de preços. A questão principal envolve a rentabilidade da carteira.

A inflação é descontada do retorno real de um investimento, com base em uma fórmula que vai além da subtração de valores. Independentemente do método de cálculo, significa que ela reduz a capacidade de retorno, gerando uma rentabilidade real menor que o número bruto.

Inclusive, se a inflação for elevada ou se o retorno de um investimento for baixo, pode acontecer da rentabilidade dele perder para a inflação.

Em 2020, por exemplo, a inflação foi de 4,52%, enquanto a poupança teve um retorno de 2,11%. Então, quem aplicou o dinheiro acabou perdendo poder de compra, ainda que o montante aplicado tenha aumentado ao longo do tempo.

O impacto da inflação também pode afetar a avaliação da relação entre risco e retorno. Dependendo do caso, algumas operações na bolsa de valores podem ter resultado abaixo da inflação, o que significa que não compensou assumir o risco em busca de mais retorno.

Ao mesmo tempo, é possível aproveitar os investimentos como instrumentos para lidar com os impactos da oscilação de preços e proteger melhor o patrimônio. Isso é viável quando há a busca por investimentos que garantam retorno acima da inflação.

As aplicações financeiras que têm resultado acima do IPCA ajudam a manter o poder de compra e apresentam uma rentabilidade real positiva. Ao usar esse critério para compor o seu portfólio, você conta com mecanismos de proteção para o seu dinheiro e para a capacidade de consumo.

4 Investimentos atrelados à inflação

Como você viu, os investimentos podem ter seus retornos afetados pela inflação, o que pode prejudicar o desempenho da carteira. Porém, é possível contornar essa questão com a escolha de alternativas atreladas à inflação.

Esses são produtos financeiros da renda fixa que usam indicadores inflacionários — normalmente, o IPCA — para estabelecer as regras de retorno. Com isso, são investimentos que rendem acima da inflação e que ajudam a manter o poder de compra do seu dinheiro ao longo do tempo.

Logo, mesmo que a inflação suba muito em um período de descontrole, por exemplo, você tem a tranquilidade de que o montante acompanhará esse movimento e renderá mais.

A seguir, veja 4 tipos de investimento que rendem com a inflação e entenda quais são as características de cada um!

1. Tesouro IPCA+

A plataforma do Tesouro Direto prevê a negociação de diversos títulos públicos e, entre eles, está o que é conhecido como Tesouro IPCA+. A remuneração desse investimento é do tipo híbrida, sendo composta por um indicador variável (no caso, o IPCA) e por uma taxa fixa.

Essa característica garante que o investimento tenha uma rentabilidade real acima da inflação, cumprindo o propósito de proteger o patrimônio da aceleração generalizada de preços. Essa mesma regra de rentabilidade vale para outras alternativas ligadas à inflação.

O Tesouro IPCA+ faz parte dos investimentos de longo prazo e costuma ter vencimento previsto para anos ou mesmo décadas. Além disso, há títulos que preveem o pagamento de juros semestrais, enquanto outros realizam o pagamento na data de vencimento.

Esse investimento tem cobrança de Imposto de Renda pela tabela regressiva, com alíquota mínima de 15% para resgates a partir de 720 dias. A liquidez é diária, mas podem ocorrer perdas diante do resgate antecipado — por conta da marcação a mercado.

2. LCI e LCA

A letra de crédito imobiliário (LCI) e a letra de crédito do agronegócio (LCA) são títulos emitidos por instituições financeiras. Eles captam recursos que são direcionados para esses setores representados em cada termo.

Algumas aplicações de LCI e LCA estão entre os investimentos atrelados à inflação porque podem apresentar rentabilidade híbrida. Com isso, o retorno fica atrelado ao índice que mede a variação de preços na economia.

Uma das principais vantagens dos investimentos é que eles são isentos de Imposto de Renda. Isso leva a um desconto menor do retorno, o que pode consolidar uma rentabilidade real maior. Contudo, vale comparar os ganhos líquidos para saber se isso se efetiva.

Ao mesmo tempo, é preciso ter atenção quanto à liquidez, que costuma ser menor nesse tipo de investimento — sendo necessário recorrer ao mercado secundário, em caso de necessidade de resgate antecipado.

Em termos de segurança, LCI e LCA têm proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O limite é de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, com teto de R$ 1 milhão que é renovável a cada 4 anos.

3. CRI e CRA

Os certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA) são investimentos de renda fixa que fazem parte do chamado crédito privado. Eles são emitidos por securitizadoras, que ficam responsáveis por antecipar recebíveis para empresas desses setores.

Os títulos securitizados são transformados em um investimento que faz a captação de recursos para custear tais operações. Assim como outros investimentos atrelados à inflação, eles apresentam rentabilidade híbrida.

Porém, a parte fixa do retorno pode ser mais interessante porque há mais riscos atrelados a esses investimentos. Não há, por exemplo, cobertura do FGC. Além disso, outra característica deles é a isenção de IR para pessoas físicas.

4. Fundos de inflação

Os chamados fundos de inflação são alternativas coletivas da renda fixa que ajudam a proteger os recursos da perda de poder de compra. Para que isso seja possível, eles priorizam investimentos que tenham retorno acima da inflação, focando em títulos do Tesouro IPCA+ e semelhantes.

Uma das vantagens de recorrer aos fundos de inflação é a praticidade. Isso porque você adquire cotas e um gestor realiza os investimentos. Também há o benefício da diversificação. Em geral, os fundos investem em diversos títulos ao mesmo tempo.

Antes de recorrer a essa alternativa, entretanto, é preciso conhecer bem a estratégia do fundo. A intenção é avaliar se a proposta de investimento faz sentido para o que você procura. É necessário, ainda, conhecer as condições — como as taxas e regras de resgate.

Como escolher os investimentos atrelados à inflação?

Para compor sua carteira com aplicações financeiras ligadas à inflação é importante saber como escolhê-las. Afinal, cada uma tem características diferentes em termos de segurança e mesmo de retorno real, considerando os custos incidentes.

Por isso, veja como tomar as decisões!

Avalie seu perfil de investidor

Ainda que os investimentos atrelados à inflação sejam de renda fixa é preciso entender em qual classificação o seu perfil de investidor se encaixa. Os conservadores têm menor tolerância ao risco e, por isso, podem preferir alternativas como o Tesouro IPCA+ ou LCI e LCA, que oferecem maior proteção.

Já moderados e arrojados apresentam uma capacidade maior de suportar os riscos e a volatilidade. Logo, CRI e CRA podem ser indicados, já que oferecem menor segurança. Assim, é possível compor uma carteira consistente.

Identifique o prazo dos seus objetivos

A inflação existe de maneira permanente, então é sinal de que os preços continuarão a ser reajustados ao longo dos anos e das décadas. Essa característica pode apontar a necessidade de recorrer a investimentos de longo prazo, garantindo a proteção inflacionária ao longo do tempo.

Porém, é preciso pensar se isso faz sentido para os seus objetivos. Caso você deseje investir em curto ou médio prazo, por exemplo, pode ser melhor recorrer a alternativas com maior liquidez.

Calcule o retorno real das alternativas

Caso você queira equilibrar a proteção contra a inflação a um potencial otimizado de retorno, é importante considerar a relação existente quanto ao retorno real. Ou seja, a ideia é identificar quanto o investimento renderá, descontando a inflação e as taxas e os encargos.

Dependendo dos seus objetivos financeiros, pode ser mais interessante abrir mão do pagamento de juros semestrais do Tesouro IPCA+ para fazer um resgate maior. Também pode ser interessante priorizar investimentos isentos de Imposto de Renda, diminuindo os descontos.

Além disso, você deve considerar os gastos operacionais, como a taxa de corretagem e outros valores incidentes. Com um planejamento nesse sentido e uma avaliação completa das condições, é possível atingir as suas expectativas de retorno com a carteira.

Compare as alternativas disponíveis

Com essas informações, você já sabe como usar seu perfil de investidor e seus objetivos para escolher os investimentos. No entanto, isso não significa aplicar seu dinheiro em qualquer título que apresente aspectos condizentes.

Para encontrar as melhores oportunidades, vale a pena comparar as alternativas disponíveis. Dependendo da sua corretora de valores, você terá acesso a títulos com diferentes regras de rentabilidade ou prazos.

É possível, por exemplo, encontrar LCIs e LCAs com investimentos mínimos variados ou fundos de inflação com estratégias diversificadas. Assim, há como selecionar o que faz sentido para a sua realidade e para a sua carteira, considerando outros investimentos realizados.

Como você viu, os investimentos atrelados à inflação são escolhas para que você possa se proteger do aumento constante de preços, evitando a perda do poder de compra. Agora que conhece essas 4 aplicações, considere suas características e expectativas para compor a sua carteira.

Se quiser ter acesso a esses e outros investimentos do mercado, abra sua conta na Guide Investimentos e aproveite a nossa estrutura completa!

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