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300: um épico sobre liberdade

12 de março de 2021
Escrito por Terraco Econômico
Tempo de leitura: 5 min
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Filme 300 e a liberdade - ilustração de um saco de pipoca Guide
Tempo de leitura: 5 min

Aqui, nesse espaço do portal O Guia Financeiro, já abordamos uma gama bem diversa de obras cinematográficas. Filmes de documentários, de comédia e até mesmo de terror, todos descritos e analisados sob uma ótica que busca pender mais para a economia e/ou política, algumas vezes a partir de gatilhos presentes nas entrelinhas das obras.

Mas nenhum dos filmes, analisados, até então, foi tão épico quanto o que falaremos, ou “bradaremos”, agora: “300” é o seu nome.

300 é uma obra de 2006, inspirada em fatos históricos, estrelada por Gerard Butler, David Wenham, Lena Headey e pelo astro brasileiro Rodrigo Santoro. No filme, acompanhamos a marcha épica de 300 soldados que entraram em guerra contra um poderoso império. Esses soldados, comandados pelo Rei Leônidas (interpretado por Butler), lutam com ardor, mesmo em pantagruélica desvantagem numérica, pela defesa da liberdade de Esparta, enfrentando toda a crueldade e tirania do império Persa governado pelo Rei Xerxes (interpretado por Santoro).

O desejo por liberdade foi o combustível que levou os guerreiros espartanos para o campo de batalha.

Liberdade: o combustível de guerras e revoluções

O filme 300 se baseia na lendária Batalha das Termópilas, travada no contexto da Segunda Guerra Médica. Essa guerra durou três dias e se desenrolou no desfiladeiro das Termópilas em 480 a.C. Todo esse conflito ocorreu a partir da resistência de Esparta, movida pelo desejo de proteger a autonomia e a liberdade dos seus cidadãos contra o expansionismo perpetrado pelo rei Xerxes.

No entanto, a Batalha das Termópilas não foi o primeiro e nem o último conflito dessa natureza, ocorrido a partir da resistência de um povo. Um bom exemplo, bem mais contemporâneo, é a Batalha da Grã-Bretanha, ocorrida durante a  Segunda Guerra Mundial. Nessa batalha, a Inglaterra sofreu intensos ataques da aviação alemã, a temida Luftwaffe. Mas mesmo estando isolada, dado que nesse período praticamente toda a Europa estava sob controle da Alemanha nazista, a Inglaterra, comandada por Winston Churchill, resistiu, conseguindo repelir o ataque dos alemães.

Não obstante, a luta pela liberdade não necessariamente ocorre entre dois países diferentes, podendo ocorrer dentro de um mesmo território, como foi a Revolução Francesa. Em meio a uma profunda crise econômica e social, a França do século XVIII, governada pelo inábil rei Luís XVI, era um país absolutista e marcado pelo despotismo. Nesse ambiente, marcado por uma enorme desigualdade social – importante destacar que a França dessa época era rigidamente estratificada em diferentes classes – e por uma gigantesca crise econômica que levou milhares de franceses a morrerem de fome, instalou-se a necessidade de mudanças urgentes na política e na economia, sendo a liberdade o primeiro de todos os ideais de mudança.

Até mesmo na Bíblia, tanto no Velho quanto no Novo Testamento, a liberdade foi o combustível para que um povo travasse batalhas. Por exemplo, são notáveis as passagens que descrevem o quanto o domínio do Império Romano na Galileia causou profundas insatisfações e, por consequência, tendo acarretado em conflitos. O historiador Flávio Josefo descreveu diferentes guerras em seus manuscritos, batalhas que ocorreram devido a resistência do povo judeu ao domínio do Império Romano.

Mas, e a economia em Esparta?

A liberdade pode ter sido o combustível dos soldados espartanos na Batalha das Termópilas, mas, no geral, o principal “combustível” dos soldados de Esparta era o provento do sustento. É que grande parte da população era empregada no exército, algo que é consequência do regime militarista mantido em Esparta.

Além da atividade militar, os espartanos tinham pouquíssimas escolhas profissionais. Uma das poucas exceções era a agricultura, considerada como uma importante atividade econômica em Esparta. Acerca disso, uma peculiaridade estava na divisão das propriedades: as terras mais férteis pertenciam ao Estado, sendo divididas pelos governantes aos chefes guerreiros.

Também havia comércio e artesanato, atividades realizadas pelos periecos, que eram pequenos comerciantes e artesãos que não possuíam direitos políticos.

O filme não foca nas atividades econômicas de Esparta, mas, mesmo assim, é possível observar a existência de uma sociedade rígida, dividida em castas, além de uma economia com pouca complexidade. Outra peculiaridade da economia espartana, é que, apesar de possuir moedas, estas eram pouco utilizadas.

E a educação em Esparta?

Se a economia em Esparta não chama muita atenção – tanto historicamente quanto no filme -, o mesmo não é possível dizer da educação.

A educação em Esparta começa “no berço” ou na chamada primeiríssima infância (muitíssimo antes do nascimento de James Heckman, os espartanos já haviam percebido a importância da educação na infância), baseando-se em um intenso treinamento militar. Porém, é a partir dos sete anos de idade que o treinamento dos meninos espartanos chega a um novo nível, extremamente brutal e desumano, por meio da agoge, o sistema educacional espartano.

A agoge era dividida em três fases:

  • 1ª fase: dos 7 aos 11 anos de idade
  • 2ª fase: dos 12 aos 15 anos de idade
  • 3ª fase: dos 16 aos 20 anos de idade

A 1ª fase consistia em um treinamento militar básico, enquanto que a 2ª era uma continuidade do treinamento básico com o incremento do uso de armas com perícia. Já na 3ª fase, esta era centrada em ações coletivas.

Liberdade marcada na história

A principal marca registrada de 300, além dos espetaculares combates travados no campo de batalha é a resistência de um povo à tirania de um poderoso inimigo.

No filme, os espartanos são, em diferentes momentos, tentados a aceitar um acordo de “paz” com os persas. O acordo visava evitar a guerra, ao preço da submissão espartana ao rei Xerxes. Em uma cena, Xerxes chega a, pessoalmente, propor transformar Leônidas num poderoso senhor das guerras, desde que este se ajoelhasse em seus pés.

Leônidas, de maneira irônica e jocosa, responde que, apesar da proposta tentadora, não poderia se ajoelhar, pois massacrar tantos persas o havia deixado com câimbras na perna.

Desse modo, 300 marcou história, retratando de maneira espetacular, com direito a batalhas de tirar o fôlego e diálogos cheios de efeito, uma épica batalha pela liberdade marcada na história.

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