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Flash Macro | Vendas no varejo despencam no fim do semestre

Tempo de leitura: 5 minutos

As vendas no varejo brasileiro, na série livre de influência sazonais, apresentaram retração de 1,7% em junho, após alta revisada de 2,7% em maio. No conceito ampliado, que inclui a venda de veículos e materiais de construção, as vendas caíram ainda mais, 2,3%, após avanço revisado de 3,2% no mês diretamente anterior. Na comparação interanual, as vendas no varejo restrito passaram de 15,9% para 6,3%, enquanto as vendas no varejo ampliado recuaram de 26,3% para 11,5%. Dentre as grandes atividades do varejo, apenas quatro das dez atividades apresentaram resultados positivos.

São elas, Móveis e eletrodomésticos (1,6%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,4%); Livros, jornais, revistas e papelaria (5%) e Material de construção (1,9%). As demais atividades do varejo registraram queda: Combustíveis e lubrificantes (-1,2%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,5%); Tecidos, vestuário e calçados (-3,6%); Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-3,5%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,6%) e Veículos, motocicletas, partes e peças (-0,2%).

Para ver o desempenho das atividades em diferentes janelas temporais, verifique a tabela abaixo.

Nossa visão:

As vendas no varejo decepcionaram fortemente as expectativas na leitura de junho. O mercado esperava um avanço para o conceito restrito (0,50%) e uma queda menos acentuada (-1,7%) no conceito ampliado. É curioso que as vendas no varejo tenham registrado um desempenho tão aquém da expectativa, principalmente quando levamos em conta o desempenho majoritariamente positivo dos índices de confiança do consumidor e de produtores do setor. O pobre desempenho dos índices pode estar relacionado a alguns fatores.

Primeiro, como comentamos para o IBC-Br de maio, os modelos de dessazonalização têm sofrido imensamente com o choque da pandemia. Na medida em que a pandemia alterou os padrões de consumo da sociedade, necessariamente induziu mudanças no poder explicativo e na eficácia dos filtros de dessazonalização apliacados nas séries econômicas.

Por outro lado, o pobre desempenho do setor varejo também pode estar intimamente ligado ao intenso processo inflacionário em curso. A leitura mais recente do IPCA apresentou forte aceleração derivada dos combustíveis, energia elétrica e serviços, levando o acumulado dos últimos 12 meses para 9%, praticamente. É uma taxa de inflação não vista a cinco anos e, na medida em que causa uma forte erosão da renda real das famílias, tende a retrair força do consumo das mesas. Isto é especialmente verdade para os alimentos, que tem apresentado uma inflação historicamente notável e batido diretamente nos resultados de grandes players ligados ao setor de hiper e supermercados. 

Quanto ao desempenho mais negativo do setor varejista ampliado, entendemos que a pressão da queda na produção e vendas de automóveis é o principal culpado. Assim como no restante do mundo, a produção de veículos continua sendo impactada pelos diversos gargalos de oferta, seja pela falta de matérias primas, trabalho ou problemas ligados aos prazos de entrega e custos de transporte. É esperado que, com o tempo, tais gargalos se resolvam na medida em que a oferta agregada é recomposta, mas é nítido que a pressão continuará presente por mais algumas leituras.

No que diz respeito à atuação da autoridade monetária, o dado de hoje não altera em nada a necessidade de seguir em frente com o processo de ajuste monetária. A inflação – o objetivo central do BC – tem se demonstrando incrivelmente persistente, contaminando núcleos e expectativas de inflação. Em um cenário onde a autoridade arrisca não entregar a meta pelo segundo ano consecutivo, não se dará o luxo de demonstrar, ou até mesmo atuar, de forma preocupada com o desempenho da atividade.

Disclaimer: Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores,  para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo.  Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações. Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Resolução CVM nº 20, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.

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