Mercados Hoje | Uma reforma em quatro etapas

Tempo de leitura: 9 minutos

Introdução:

Internacional

• Mercados globais iniciam sessão em baixa;
• Fluxo de notícias mais negativo e escalada de tensões entre China e EUA promovem movimento de realização de lucros;
• Retorno da pandemia em regiões na Ásia e Oceania levam governos a elevarem as precauções contra o coronavírus;
• Temporada de resultados corporativos traz balanços da Microsoft e da Tesla nesta 4ªfeira.

Brasil

• Guedes entrega a primeira contribuição do governo: um projeto de lei que cria um IVA federal por meio da junção dos impostos federais PIS e Cofins;
• Ministério da Economia gostaria de realizar a reforma em quatro etapas;
• Cerimônia da entrega demonstra redução de tensões entre Congresso e Executivo.
• Sondagem à indústria da CNI é destaque na agenda econômica.

 


CENÁRIO EXTERNO: AÇÃO E REAÇÃO

Mercados… Mercados asiáticos encerraram a sessão com desempenhos mistos. Na zona do euro, bolsas amanheceram em baixa, devolvendo parte dos ganhos angariados ontem. O Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos ao redor do continente europeu, recua 0,9% até o momento. Nos EUA, futuros de NY operam com o mesmo viés verificado na zona do euro, com baixas da ordem de 0,2%, enquanto o dólar (DXY) segue em trajetória de queda contra seus principais pares. Por fim, no plano das commodities, ativos ilustram a piora verificada nos mercados acionários. O preço do petróleo (Brent Crude) recua 1,3%, negociado em torno de US$ 43,70/barril.

Tensões Sino-Americanas voltam à tona… Mercados globais iniciaram a sessão em baixa nesta 4ªf. Um fluxo de notícias mais negativo em torno do ressurgimento da pandemia na Ásia e novos sinais de tensão entre China e Estados Unidos iniciaram um movimento de realização de lucros após índices acionários renovarem máximas desde fevereiro ao redor do mundo.

Ação e reação… O destaque desta noite ficou com a notícia de que o governo americano ordenou o fechamento do consulado geral chinês em Houston, no estado do Texas. Segundo as autoridades locais, a medida estaria sendo tomada para proteger informações privadas e propriedade intelectual americana – em outras palavras, a ação pode ser avaliada como uma acusação de espionagem. Naturalmente, a China retrucou o movimento, alcunhado de “escalada de tensões sem precedentes” pelo Ministério das Relações Estrangeiras da China, com ameaças de apresentar medidas de retaliação. Dentre as possíveis medidas, o governo chinês já sinalizou o fechamento da embaixada americana em Wuhan.

Considerações… Apesar de ainda não ter resultado no retorno das sanções comerciais entre as duas maiores economias do mundo, a escalada de tensões entre Estados Unidos e China nunca deixou de figurar entre os principais riscos do cenário atual. Em um mundo que começa a dar sinais de recuperação econômica no pós-pandemia, a volta da guerra comercial implicaria em mais um desafio para uma retomada mais rápida dos negócios. Assim, os próximos movimentos serão acompanhados de perto, principalmente com a aproximação das eleições americanas que, com a recuperação recente dos mercados financeiros, pode levar Donald Trump a utilizar a relação competitiva com a China como ferramenta na campanha eleitoral.

Ásia retoma cuidados contra a covid-19… Na medida em que o número de casos registrados de coronavírus se aproxima dos 15 milhões mundialmente, o retorno da pandemia em alguns pontos focais da Ásia/Oceania, além da situação que se agrava no Sul dos EUA, tem preocupado investidores. Como novidades nesta 4ªfeira, a região de Hong Kong e a Austrália – ambos lugares que já retornaram com algumas medidas de isolamento social – registraram novos recordes de casos diários nas últimas 24 horas. Simultaneamente, o governador de Tóquio, no Japão, voltou a pedir cautela da população ao sair de casa e pediu que saídas sem necessidade fossem evitadas.

Na agenda… Em novo dia de agenda de indicadores morna, as atenções deverão seguir voltadas à temporada de resultados corporativos nos EUA. Hoje, a Microsoft e a Tesla divulgarão seus balanços. No pano de fundo, investidores avaliarão ainda as vendas de moradias usadas em junho (11h) e os estoques de petróleo bruto (11h30) nos EUA.


BRASIL: UMA REFORMA EM QUATRO ETAPAS

Guedes entrega primeira etapa da tributária… Ontem, o ministro Paulo Guedes entregou a primeira contribuição do governo ao debate da reforma tributária. Como esperado, a primeira entrega foi composta de uma proposta de junção dos tributos federais PIS e Cofins, dando início ao processo de formação de um imposto federal sobre valor agregado. O governo pretende nomear este tributo de Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS). A alíquota seria de 12%, com a exceção de bancos, planos de saúde e seguradoras que teriam alíquota de 5,8%.

Quatro etapas… O governo ainda pretende fazer três outras contribuições a este debate. A próxima seria transformar o IPI em um imposto seletivo sobre “produtos do pecado” (sin tax, em inglês), como bebidas alcoólicas e cigarros. A terceira etapa deve incluir alterações ao IR de PFs e PJs e introduziria a tributação sobre lucros e dividendos. A última e mais controversa fase deve incluir uma sugestão que busca reduzir os encargos trabalhistas que incidem sobre a folha de pagamentos. Até o momento, a única contrapartida concebida pelo Ministério da Economia é um novo imposto sobre transações financeiras.

Cronograma incerto… Ainda não existe um cronograma para a entrega das várias etapas, nem se sabe como elas serão introduzidas ao debate – podem ser uma sugestão informal feita à comissão mista ou um projeto concreto, como no caso da união do PIS e do Cofins. De qualquer forma, como já citamos anteriormente, não existe muito tempo de sobra este ano. O mais provável é que algumas destas alterações ainda estarão sendo discutidas em 2021.

Clima de união em Brasília… Além de oficializar a retomada da construção da reforma tributária, a cerimônia realizada ontem foi representativa do momento de união que predomina em Brasília. A temperatura dos embates institucionais, reduzida pelo comportamento mais comedido do presidente (menos críticas), não esteve tão baixa desde o início do governo Bolsonaro. A formação de uma base parlamentar através da aproximação com os partidos do Centrão também contribuiu para o clima mais ameno.

Agenda Em dia de agenda econômica fraca, a Confederação Nacional da Industria (CNI) divulga os resultados da sua sondagem à indústria em junho e o Tesouro apresenta o seu relatório de avaliação de receitas e despesas referente ao 3º bimestre de 2020. Às 11h, o investidor também acompanha uma nova live com participação de Roberto Campo Neto, presidente do Banco Central, promovida pelo Valor Econômico.

E os mercados hoje?… Mercados globais iniciam a sessão de 4ªf com viés predominantemente negativo. A avaliação de um fluxo de notícias mais negativo pela manhã, com destaque para uma nova escalada de tensões entre os EUA e a China, promove um movimento de realização nas principais bolsas. No Brasil, as discussões em torno da reforma tributária que foi apresentada pelo governo continuam protagonizando o noticiário. Após a apresentação da reforma do governo, os presidentes do Senado, da Câmara dos Deputados e da Comissão Mista discutirão hoje o calendário dos trabalhos. Assim, esperamos um dia de viés negativo para ativos de risco locais, que deverão reagir à piora externa em meio à falta de novos drivers positivos no noticiário local.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 104.309 (-0,11%)
BR$/US$: 5,17 (-2,88%)
DI Jan/27: 6,32% (+1 bps)
S&P 500: 3.257 (+0,17%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Novo tributo terá alíquota de 12% e substituirá PIS/Cofins
– Brasil e EUA querem regra que afeta China
– Tráfico de drogas segue firme mesmo na pandemia
– Nexa fecha acordo inédito no MT com garimpeiros

O GLOBO
– Câmara aprova ampliação de verbas para educação básica
– Reforma avança; carga tributária preocupa
– Crivella limita volta às aulas a apenas 4 séries
– Serra é alvo de nova operação da PF, de caixa 2

FOLHA DE S.PAULO
– PF mira Serra e empresários e gera embate com STF e Senado
– Após acordo, texto-base do Fundeb passa em 1º turno
– Guedes vai ao Congresso por reforma tributária
– Saúde libera só 29% da verba para combate à Covid

O ESTADO DE S.PAULO
– Proposta do governo prevê imposto menor para bancos
– Fundeb deve favorecer 17 milhões de novos alunos
– Imóvel financiado pode ser usado como garantia em crédito
– Qualicorp fez repasses via caixa 2 a Serra, afirma PF

 

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