Small Caps | Julho/2021

Tempo de leitura: 15 minutos

A Carteira Small Caps encerrou o mês de Junho acima do esperado, acima do seu índice de referência (SMLL). Ainda que tenham perdido tração nos estágios finais do mês, ativos domésticos registraram ganhos moderados. O apetite pelo risco foi novamente impulsionado por desenvolvimentos na fronte macroeconômica, com dados de atividade que, de modo geral, demonstraram continuidade na recuperação, e dados fiscais que catalogaram um alívio de curto prazo às contas públicas. 

O ambiente político continuou estável, com avanço parcial da agenda governista – ênfase para a aprovação da MP da Eletrobras –, o que contribuiu, juntamente com a melhora dos indicadores fiscais, para uma queda notável do risco-país. O câmbio apreciou fortemente em resposta a este ambiente político e ao tom cada vez mais contracionista do Banco Central, criando algumas dificuldades para as exportadoras – com exceção das petroleiras –, que não tiveram um suporte forte das commodities ao longo do mês.

O destaque positivo da carteira foi a CVC, em meio ao cenário favorável de perspectivas de abertura da economia.

Para Julho

No mês de julho, a segunda fase da proposta de reforma tributária do Governo tomará os holofotes do noticiário econômico. À primeira vista a proposta não agradou, pois incorre em aumento da carga tributária para os investidores com foco em dividendos. Por conta disto, esperamos elevada volatilidade para o mês de Julho, acompanhando as discussões e desdobramentos da proposta do governo. Outro ponto importante para o mês: o início das discussões em torno da retirada dos estímulos nos EUA pode contribuir para o cenário de depreciação do real frente ao dólar e desaceleração no avanço das principais commodities. O cenário para o mercado acionário segue construtivo: a atividade econômica segue melhorando, com  expansão do crédito  e do consumo, as commodities ainda negociam em níveis elevados e viés de alta, além do avanço da vacinação contra a COVID-19 permite um cenário de reabertura comercial para o 3T21.

Para a carteira, realizamos cinco trocas: retiramos Alupar, Even, Metalúrgica Gerdau , Mosaico e SLC, para entrada em BR Partners, Cyrela, Locaweb, Restoque e Tegma.

Comentários e Recomendações

BR PartnersUnits (BRBI11)

Líder entre as assessorias independentes de M&A, o banco BR Partners realizou seu IPO na segunda metade de junho, levantando R$ 400 milhões, e que contou com forte demanda pelos seus papéis na primeira semana de negociação. O valor será direcionado em sua totalidade para o reforço da estrutura de capital e fortalecimento de balanços, para a expansão dos negócios de Crédito Estruturado, Mercado de Capitais e Sales & Trading.

O banco está bem posicionado e possui como vantagens competitivas (i) qualidade na gestão e boa capacidade de execução, mostrando forte resiliência frente às crises econômicas; (ii) posição de liderança entre as companhias independentes, contando com mais de 170 operações de M&A, totalizando R$ 144 bilhões no seu histórico; (iii) liquidez adequada com possibilidade de otimização da estrutura de funding – a empresa usará parte do recurso do IPO na construção de sua plataforma digital para otimizar a estrutura de captação da companhia; (iv) efetiva governança corporativa antes mesmo do IPO.

Ainda após a oferta, o banco venceu o mandato para estabelecer o preço mínimo para as ações da Eletrobras, que deve ser privatizada por meio de uma oferta de ações que diluirá a participação do governo federal.

Vemos o BR Partners bem posicionado para aproveitar o bom momento que o setor de M&A vive, com ascensão histórica, e consolidação de mercado no período pós crise para empresas com dificuldades para se financiar, além da busca de investidores por negócios mais atrativos devido às baixas taxas de juros. Acreditamos também que o forte crescimento do mercado de dívida privado deva também beneficiar o banco. Por fim, o atual ambiente regulatório atual é um propulsor de competição e desconcentração bancária.

CVC ON (CVCB3)

A companhia de turismo foi bastante penalizada ao longo do ano com a chegada da pandemia de Covid-19, isto porque foram estabelecidas medidas de isolamento social, fazendo com que a população ficasse em casa, além do fato de muitas fronteiras terem fechado, para assim impedir uma maior disseminação do vírus.

No entanto, com o avanço da vacinação contra a Covid-19, o mercado passou a adotar um grande otimismo. Diante disso, vemos a empresa bem posicionada para surfar o processo de retomada do turismo brasileiro que deve se acelerar de maneira demasiada no último trimestre deste ano.

Ainda, reforçamos nossa recomendação após toda reestruturação de dívida da CVC, com capacidade financeira para manter suas operações e ampliar sua presença inorganicamente no setor. Na nossa visão, isto deve remover uma grande pressão negativa que incidia os papéis da empresa.

Tendo em vista que esta questão relacionada a seu endividamento foi resolvida, reiteramos ainda o fato de seu management agora poder focar seus esforços no processo de turnaround da empresa.

Cyrela ON (CYRE3)

Seguimos otimistas com Cyrela, devido à manutenção da alta rentabilidade da companhia em relação a seus pares frente a um cenário mais desafiador, com alta nos preços dos insumos da construção e maior demanda por terrenos em São Paulo. Do lado macro, acreditamos que, até o final do ano, mesmo em um ciclo altista, a Selic deverá se encerrar em patamares historicamente baixos, continuando a impulsionar a demanda no setor e mantendo a velocidade de venda dos lançamentos em níveis altos.

O setor de Construção Civil foi bastante impactado pela pandemia, que trouxe maior instabilidade econômica e volatilidade a curva futura de juros, entretanto, acreditamos que a Cyrela está bem posicionada para uma retomada do setor e aceleração no pipeline de lançamentos no 2S21.

Sustentamos nossa recomendação em: i) expectativa de maior resiliência da rentabilidade da companhia em relação a seus principais pares, resultando em uma geração de caixa robusta no ano; ii) manutenção de uma alta velocidade de vendas nos lançamentos que estão concentrados no 2S21; iii) fechamento do ano com estoques em níveis mais saudáveis que as demais companhias do setor de média-alta renda.

Ferbasa PN (FESA4)

A Ferbasa é líder nacional na produção de ferro-ligas, e a única produtora integrada de ferro-cromo das Américas. Possui aproximadamente 95% das reservas de cromita do Brasil (matéria-prima do ferrocromo), que associado a 14 fornos de redução, produz ligas de cromo e silício.

A companhia segue apresentando resultados positivos influenciado pelo bom momento das commodities metálicas. No ultimo resultado a companhia segue mostrando avanço na sua receita, principalmente em função do avanço dos preços dos metais vendidas, além de manutenção nos volumes vendidos.

Destacamos as ferroligas do tipo FeSi, que devem ser beneficiadas com preços mais elevados no trimestre, o que deve assegurar um bom resultado para 2T21. Portanto acreditamos que a Ferbasa continuará aproveitando a demanda pelo FeSi, que segue forte em todos os mercados.

A Ferbasa segue ainda com posição financeira confortável com o nível do endividamento baixo, o que proporciona uma perspectiva de maiores pagamentos de dividendos.

Locaweb ON (LWSA3)

Após realizar diversas aquisições com os recursos levantados em sua oferta inicial de ações, a companhia voltou a se capitalizar em 2021, arrecadando R$2,75 bilhões. Dessa maneira, devemos esperar que o pipeline de aquisições não se reduza no decorrer do ano.

Ainda no final de junho a Locaweb anunciou a integração de sua plataforma de vendas on-line Tray ao Facebook que permitirá que o empreendedor que possui uma loja associada à Tray liste seus produtos no Facebook e no Instagram com mais facilidade e avalie de forma mais precisa o desempenho de seus investimentos em marketing digital.

Devemos esperar que a Locaweb siga complementando seu portfólio de produtos e serviços, elevando as oportunidades de cross selling e ampliando sua penetração em diferentes segmentos digitais, com destaque principalmente para o e-commerce, mas não descartamos entrada em novos segmentos.

Marfrig ON (MRFG3)

O frigorífico segue bem posicionado para aproveitar as oportunidades no âmbito internacional. Mesmo com a recomposição do rebanho chinês em processo, ainda avaliamos um cenário positivo para as exportações.

Dentre os riscos, vemos o avanço da arroba do boi e dos grãos (grande parte do custo para a formação das proteínas) no Brasil como um ponto de atenção no curto prazo. Porém, o ambiente de retomada econômica norte-americana através de vacinações e pacotes de estímulos expressivos abre um cenário muito favorável na região a qual a Marfrig possui grande exposição através da National Beef.

No âmbito de inovação, a empresa segue investindo na criação de novos produtos, principalmente focando nos segmentos veganos.

Ainda, vemos a aquisição de mais de 30% do capital da BRF com bons olhos, possibilitando diversificação proteica e regional, além de abrir espaço para investidas mais profundas na companhia no longo prazo.

Para o 2S21, esperamos: (i) ciclo do boi positivo na operação dos EUA, favorecido também pela demanda local aquecida; (ii) foco em inovação em produtos com grande potencial de aceitação no mercado doméstico, com maior valor agregado e, por consequência, margens superiores; e (iii) exportações na América do Sul mais que compensando valor elevado da arroba brasileira.

Destacamos também o valuation atrativo em relação aos seus pares que os papéis são negociados.

Petz ON (PETZ3)

As ações da companhia vêm apresentando desempenho positivo desde a sua abertura de capital em setembro, o que pode ser justificado pelo case de sucesso da Petz. Com a ajuda de um fundo de Private Equity, a Warburg Pincos, a varejista conseguiu crescer em número de lojas e em faturamento nas mesmas lojas de forma rápida e consistente. Hoje são 110 lojas situadas em 13 Estados do País e no Distrito Federal, e canais digitais operando com omnicanalidade completa.

A empresa, que havia reportado um crescimento de 235% no seu canal digital no 1T21, totalizando 29% de sua receita total, faz a sua primeira aquisição em junho, com a ‘’Cansei de Ser Gato’’, fortalecendo a sua presença em um setor que se destaca pelo crescimento, além de criar um maior engajamento com a marca por meio da geração de conteúdo e interação com seu público. Vemos a aquisição pequena pelo tamanho de mercado da Petz, mas que indica que a companhia deva aumentar a sua presença digital no segmento pet, que ainda é bastante fragmentado.

Acreditamos que a Petz ainda possui muitas oportunidades de crescimento nos próximos meses, como (i) continuidade da sua estratégia de expansão de lojas; (ii) maior investimento em omnichanel, o que permitirá o cadastramento de mais unidades no canal digital e assim colaborará para redução de despesas com logísticas e melhora da experiência do cliente; (iii) expansão das vendas mesmas lojas (SSS); (iv) aumento do ticket médio.

Restoque ON (LLIS3)

A Restoque Comércio e Confecção de Roupas é uma empresa de varejo de moda que opera no Brasil, na Itália e no Panamá. Ela é dona das marcas Le Lis Blanc, Dudalina, Rosa Chá, John John, Bo.Bô, Individual e Base. A empresa atua voltada para o segmento de alto padrão.

No 1T21 a Restoque registrou prejuízo líquido de R$ 38 milhões. A receita líquida, por outro lado, veio 19,5% menor na comparação ano a ano, com o montante atingindo R$ 167,9 milhões. O desempenho foi afetado pelas medidas restritivas impostas pelos governos estaduais para conter o avanço da Covid-19, o que resultou em queda de faturamento.

Entretanto, acreditamos que os papéis da Restoque, que tem sofrido bastante nos últimos meses, devam se beneficiar da reabertura da economia, visto que o grupo possui forte presença em shoppings considerados premium, e que voltaram a ficar aberto em mais de 80% do tempo em comparação ao período pré-pandêmico.

O grupo está se reestruturando para atuar de forma mais ‘’leve’’, com o fechamento de algumas lojas, além de estar montando um novo time de pessoas com experiencia no mercado, com foco em eficiência, e expansão da multicanalidade.  Ressaltamos também que todas as marcas do grupo possuem forte presença na internet, com destaque no Instagram.

Por fim, vemos que os riscos financeiros que atingem as cotações dos papéis da companhia estão exageradamente pressionando os papéis para baixo, e acreditamos que eles devam se recuperar em breve, embora possa seguir apresentando grande volatilidade.

Tegma ON (TGMA3)

A Tegma atua na logística de veículos prontos para quase todas as montadoras instaladas no Brasil e para as principais importadoras, além de oferecer soluções de logística integrada, principalmente no abastecimento de linhas de produção (inbound) e armazenagem de bens de consumo.

O 1T21 de Tegma foi de menor volume de veículos transportados e consequentemente de retração de receita em comparação ao 1T20. A receita líquida do 1T21 foi de R$ 234 milhões (-16% a/a) e o EBITDA reportado (IFRS16) foi de R$ 43 milhões (+ 6% a/a), correspondendo a uma forte margem de 19%. Por fim, o lucro líquido reportado foi de R$ 20 milhões.

O ROIC da Tegma aumentou para 18%, em virtude da recuperação das vendas de veículos novos no segundo semestre do ano passado, aliada as melhoras operacionais logísticas de automóveis.

A empresa no fim de junho, ainda anunciou a o desenvolvimento de carreta em alumínio, que é mais leve que o atual aço de carbono, o que deve contribuir com a redução do custo de transporte, combustível, contribuindo com o resultado operacional futuro da companhia.

Temos uma visão construtiva para a Tegma, que deve se beneficiar da reabertura da economia e aumento de vendas de veículos neste ano.

Track & Field PN (TFCO4)

A Track & Field é a maior marca brasileira de esporte no setor de vestuário, com venda exclusiva através das suas lojas e do e-commerce, integrados através da omnicanalidade.

A operação da companhia segue majoritariamente o modelo de franquias, permitindo um rápido crescimento no numero de lojas nos últimos anos.

A companhia captou recentemente os recursos via IPO para acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias que colabora para aprimorar sua plataforma de bem-estar e ampliar sua participação tanto no meio físico como no digital.

Destacamos ainda a implantação da omnicanalidade em 160 das 262 lojas da empresa, com prazo para ser concluído para todas as lojas ainda no 1S21, e um sell-out, de 26%, considerado forte nos três canais da empresa (franquias, lojas próprias e-commerce).

Os resultados da companhia veem surpreendendo positivamente, mesmo com o cenário mais adverso de isolamento social nos últimos meses a companhia apresentou um bom resultado no 1T21, conseguindo entregar crescimento de receita e um EBITDA de aproximadamente 5x maior do que mesmo período em 2020.  Cabe destacar o crescimento de 13,6% na receita, com forte crescimento das vendas digitais, bem como a expansão das margens. 

O Ebitda ajustado foi de R$ 8,7 milhões, obtendo uma crescimento de margem de 10,5% em relação ao mesmo período.

Acreditamos que a empresa esteja bem posicionada para a reabertura do mercado físico, além da operação online, que apesar de breve histórico, possui grande potencial.

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Luis Sales – CNPI
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