Semanal Macro (26/07 – 30/07): China, FOMC e atividade doméstica em foco

Tempo de leitura: 12 minutos
IBOV R$/US$ CDS DI Jan/27 S&P500 STOXX 600
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Resumo da conjuntura recente…

Internacional

Ativos de risco iniciaram a semana passada em tom tumultuoso, reagindo diretamente ao aperto regulatório promovido pelo governo chinês sobre o setor de educação. Entre outras medidas, e de forma a atingir os objetivos sociais delineados no plano quinquenal, autoridades proibiram empresas privadas do setor a auferir lucros em suas operações. O objetivo é, em grande medida, forçar uma baixa nos custos de educação para as famílias. Não obstante, uma leva de resultados corporativos promissores no ocidente alimentaram o apetite pelo risco, induzindo uma primeira sessão positiva.

Na 3afeira, enquanto investidores digeriam os movimentos da política na China, observaram mais um dado forte de pedidos de bens de capital nos EUA, uma proxy para o investimento das empresas. Estes subiram 0,50% em junho para uma nova máxima histórica de R$ 76 bilhões, ainda explicitando o efeito expansionista dos juros reais negativos, do programa de compras de títulos e do próprio crescimento da atividade econômica. Paralelamente, investidores aguardavam, no dia seguinte, mais uma decisão de política monetária do BC americano, o Federal Reserve.

Nesta frente, não houve grande surpresas. Optou-se, como esperado, pela manutenção da taxa de juro de referência, o Federal Funds Rate, próximo de zero e deu-se continuidade ao programa de compras a um ritmo de US$ 120 bilhões por mês. Quanto ao comunicado, ocorreu o esperado: a autoridade reconheceu o progresso feito em torno dos objetivos do Fed – inflação acima de 2% por algum tempo e mercado de trabalho no pleno emprego –, mas admitiu que este progresso ainda não é “substancial”, o que justificada a continuidade dos estímulos. De forma geral, o BC americano continuou bem dove, e o fato de que ainda vê muito espaço para a recuperação do mercado de trabalho reduz a possibilidade de algum anúncio mais concreto sobre a redução no ritmo de compras na reunião de Jackson Hole em agosto.

Na 5afeira, ocorreram dois desenvolvimentos importantes, um na política e outro na economia. Quanto à política, Biden registrou mais uma vitória na medida em que o Senado, por 67 votos a favor e 32 contra, decidiu dar sequência ao projeto de infraestrutura valendo US$ 1 tri. Na economia, foi divulgado o PIB do segundo trimestre nos EUA. Ao avançar 6,5% t/t anualizado, decepcionou expectativas (8,4%), mas não forçou uma queda nos ativos. Isto porque tendeu a reforçar a continuidade dos estímulos monetários que tem sustentando os valuations recordes observados até o momento. O resultado decepcionou muito por conta da queda nos estoques, mas continuou demonstrando um desempenho ainda muito forte no consumo das famílias.

No final da semana, o deflator do PCE, o principal índice de inflação acompanhado pelo Fed, entrou em destaque. O índice ceio acelerou de 0,40% em maio para uma alta de 0,50% em junho, ficando em 4% na comparação interanual. O núcleo do índice, que excluí alimentos e energia, entretanto, desacelerou de 0,50% para 0,40%, registrando alta de 3,5% nos últimos 12 meses. Ambos os resultados ficaram abaixo da expectativa, que previa uma aceleração do índice cheio e do núcleo. De forma geral, verificou-se a manutenção de uma alta de 0,40% na inflação de serviços que foi compensada por uma desinflação de 0,80% para 0,70% na inflação de bens. O dado é mais um que reforça a narrativa de transitoriedade defendida pelo Fed, e dá, junto com a divulgação do PIB na 5afeira, mais uma razão para crer que a inflação já pode ter atingido seu pico do ano.

Brasil

Aqui no Brasil, a semana se iniciou com uma reviravolta nas expectativas de inflação. Em linha com a última leitura do IPCA-15 que venho tanto quantitativa quanto qualitativamente ruim, expressando a manutenção dos efeitos secundários dos choques de oferta sobre os núcleos de inflação, as expectativas de inflação deterioraram. Para 2022, o principal alvo da autoridade monetária, subiram de 3,75% para 3,80%, enquanto as de 2021 avançaram mais ainda de 6,31% para 6,56%, criando maiores riscos para 2022 via inércia. Não à toa, o mercado elevou sua projeção de Selic para 7%, demonstrando que agora, pelo menos 50% dos analistas esperam a taxa em terreno contracionista.

No plano político, o presidente Jair Bolsonaro prometeu vetar o “excesso do que a lei garante” do fundo eleitoral, que comtempla R$ 5,7 bilhões a serem utilizados nas campanhas eleitorais de 2022. O veto prometido pelo presidente reduziria o montante para R$ 4 bilhões, montante que ainda representa o dobro do que foi disponibilizado em 2020 e 135% a mais do que os R$ 1,7 bilhões que foram gastos nas últimas eleições presidenciais (2018). Segundo o presidente Bolsonaro, impor uma redução maior ao fundo representaria um crime de responsabilidade, afirmação que foi contestada por técnicos do Congresso Federal.

Na terça-feira, reverberou a intenção do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), de retomar o protagonismo da Casa Alta no debate da reforma tributária por meio da análise da PEC 110. A proposta prevê a criação de um imposto sobre valor agregado duplo (IVA dual) com dois impostos sobre consumo: a Contribuição Sobre Bens e Serviços, um imposto federal que une o PIS e o Cofins, e o Imposto Sobre Bens e Serviços, que uniria impostos estaduais e municipais. O assunto já está sendo trabalhado em reuniões tidas entre a equipe econômica e o relator da proposta, senador Roberto Rocha (PSDB-MA). Ainda segundo a matéria, a proposta de emenda à Constituição já superou boa parte da resistência dos secretários das Fazendas dos Estados, mas os municípios ainda preferem preservar o ISS, um imposto sobre serviços que seria absorvido pelo novo Imposto Sobre Bens e Serviços na PEC do Senado.  

Na quarta-feira, se destacou o rumor que a equipe econômica pretende propor uma mudança na meta fiscal de 2022 que reduziria o déficit previsto para o ano de R$170 bilhões para R$ 100 bilhões. A mudança se tornou viável devido ao aumento na arrecadação gerado pela retomada mais rápida do que inicialmente esperada da atividade econômica. Só em 2021, são esperados R$ 200 bilhões em receitas extras. Como a equipe econômica prevê que este cenário favorável se estenderá até 2022, a pasta quer alterar a meta prevista pela Lei de Diretrizes Orçamentárias para evitar que o Congresso preencha a folga fiscal disponível com novos gastos. Caso a equipe econômica tenha sucesso na sua tentativa, será a primeira vez que o governo melhora oficialmente a trajetória esperada para o resultado primário.

Na quinta-feira, o principal destaque foi uma matéria publicada pelo Estadão que anunciava a intenção da ala política do governo Bolsonaro de discutir possíveis manobras fiscais que possibilitariam a implementação da expansão do Bolsa Família, desejada pelo presidente Bolsonaro, apesar do espaço limitado abaixo do teto de gastos em 2022. Entre as opções defendidas por alguns integrantes do governo está a possibilidade de que os recursos para o programa social não sejam contabilizados pelo limite constitucional de gastos. Ainda segundo a matéria, a equipe econômica rejeita a ideia. Mais cedo na semana, o presidente Jair Bolsonaro confirmou a sua intenção de elevar o valor médio do programa assistencialista para ao menos R$ 300 durante entrevista à rádio Arapuan, na Paraíba. As alterações ao programa precisam ser aprovadas pelo Congresso ainda esse ano, já que a Lei das Eleições impedirá alterações ao programa em 2022.

Na 6afeira, dados do mercado de trabalho produzidos pela PNAD-Contínua da IBGE marcaram o dia. A taxa de desemprego da economia brasileira recuou levemente de 14,7% para 14,6% no trimestre móvel encerrado em maio, ante àquele terminado em abril. A queda na taxa é, na verdade, fruto de um incremento mais acentuado na força de trabalho (0,88%), tendo em vista que o número absoluto de desempregados subiu 0,22% para 14,79 milhões de desempregados. Tal movimento também ficou claro no número de pessoas fora da força de trabalho, que registrou queda de 0,76% para 75,80 milhões, assim como na taxa de participação, que se elevou de 56,9% para 57,2%. Não obstante, o resultado de hoje também contou com um aumento maior das pessoas ocupadas, o que materializou um resultado líquido positivo.

O que está por vir…

Hoje, como principais destaques do restante da agenda, o investidor também recebe as leituras de julho dos PMIs industriais referentes à economia dos Estados Unidos, com o Instituto Markit divulgando o seu dado às 10h45, e o ISM, às 11h. Olhando para o restante da semana, a agenda internacional reserva: as encomendas à indústria americana em junho e o PMI de serviços oficial da China, na 3ªfeira; dados de emprego do setor privado do ADP, as vendas no varejo europeia em junho e os PMIs de serviços na Europa e nos EUA, na 4ªfeira; a decisão de política monetária do BC inglês (BoE), a balança comercial americana e o número de novos pedidos de auxílio desemprego semanais nos EUA, na 5ªfeira; e a produção industrial alemã e o relatório oficial de empregos de julho nos EUA (payroll), na 6ªfeira.

No Brasil, como de costume, o boletim Focus abre a agenda econômica, às 8h30, seguido pelo PMI Industrial do Instituto Markit, às 10h. À tarde (15h), a Secint divulga o resultado da balança comercial no mês de julho (est.: +US$ 8,6 bi). Com relação aos próximos dias, além do Copom, que anuncia mais uma decisão de política monetária na 4ªfeira, o investidor recebe a produção industrial de junho (3ªfeira), o IC-Br de julho (4ªfeira), o PMI/Markit de serviços (4ªfeira) e os dados de vendas de veículos da Anfávea (6ªfeira).

E agora?

No contexto internacional, investidores continuarão focando na leva de resultados corporativos, assim como em dados de atividade e suas repercussões para a condução da política monetária nos EUA. O principal destaque é, claro, o relatório de emprego, que deve registrar forte criação de empregos durante o mês de julho. Caso venha abaixo da expectativa, tenderá a reforçar a continuidade dos estímulos, mantendo bolsas nas máximas. Caso contrário, reforçará o progresso feito pela economia, reforçando a tese de recuperação, o que também pode ser positivos para os ativos. Tais movimentos podem, no entanto, ser travados caso o relatório de emprego apresente uma inflação de salários acima da expectativa.

Pelo Brasil, a decisão de política monetária do Copom tomará o foco das atenções. Esperamos que o Copom siga o passo contratado de uma alta de 0,75 ponto percentual em virtude da relativa estabilidade, com relação à última reunião, nas expectativas de inflação, assim como em função do balanço de riscos, que ficou virtualmente inalterado desde a última reunião. Na política, a retomada dos trabalhos do Congresso deve reacender o debate em torno do projeto de lei que altera o Imposto de Renda. O mercado inicia a semana na expectativa da divulgação do parecer do relator da matéria, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), que precisa ser publicado o quanto antes para que o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), possa manter a sua promessa de votar o projeto ainda nesta semana. No pano de fundo, continuarão as discussões em torno do Orçamento de 2022, que será enviado ao Congresso até o final do mês, e as possíveis investidas do governo contra o espírito do teto de gastos, que podem incluir um plano para financiar os pagamentos dos precatórios de 2022 e a possível exclusão do programa Bolsa família do limite constitucional.       

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