Semanal Macro (19/07 – 23/07): Rápida e veloz recuperação

Tempo de leitura: 9 minutos
IBOV R$/US$ CDS DI Jan/27 S&P500 STOXX 600
125.052
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Resumo da conjuntura recente…

Internacional

Bolsas globais iniciaram a semana passada em forte queda, reagindo diretamente às preocupações causadas pelo alastramento da variante delta da covid-19 – a mais transmissível até o momento – nos EUA, na Europa e em parte importantes da Ásia. A piora do quadro de infecções preocupou os investidores na medida em que ameaça retardar os planos de reabertura, ferindo as perspectivas de crescimento econômico mundial. A variante delta como fato já existia há semanas, mas preocupou porque colocou em evidência como aqueles que se rejeitam a tomar a vacina podem alargar a recuperação.

No dia seguinte, ativos internacionais iniciaram um processo de recuperação que durou até o fim da semana. Ainda que a variante delta seja um risco importante a ser monitorado, o fato é que o quadro de internações e mortes continua confortável e, não menos importante, a política monetária continua com caráter extremamente acomodatício para amortecer eventuais perdas de atividade decorrentes dos efeitos econômicos da variante. Por conta da improvável volta aos lockdowns, setores de reabertura duramente penalizados durante o sell-off também recuperaram as perdas.

No meio da semana, nenhum evento de destaque ocorreu, e os mercados internacionais continuaram trilhando em direção às máximas históricas, amparados sobre uma leva de resultados corporativos que têm surpreendido positivamente as expectativas do mercado.

Na 5afeira, a decisão de política monetária do Banco Central Europeu protagonizou o dia. Em em linha com as expectativas do mercado, manteve suas taxas de juros referencias próximas de zero e deu continuidade ao programa de compra de títulos públicos e privados. De notável, a autoridade monetária reajustou sua prescrição futura (“forward guidance”) em consonância com sua nova estratégia, que agora prevê uma meta inflacionária de 2% ao invés de “ligeiramente abaixo, mas próximo de 2%”, o que significa que não reagirá a valores acima da meta conquanto que reflitam pressões derivadas de fatores transitórios, como os governadores pensam ser o caso agora. Por fim, a autoridade reiterou que as condições financeiras ficarão altamente estimulativas até que a inflação esteja em trajetória consistente com seu objetivo de longo prazo.  

Ao final da semana, dados de confiança referentes ao setor industrial e de serviços americano marcaram a sessão. O PMI de serviços, termômetro mensal da atividade no setor, caiu de 64,6 em junho para 59,8 na prévia de julho. Ainda que em expansão puxada pela alta da demanda, a situação no setor de serviços continua sendo complicada por restrições na oferta de trabalho e dificuldades relacionadas à acumulação de estoques. É algo que restringe a capacidade das firmas atenderem a demanda aquecida, além de exercer uma pressão de custo historicamente notável. As restrições na oferta de trabalho devem amenizar na virada do terceiro para o quarto trimestre, tanto por conta do avanço contínuo da vacinação quanto pelo término dos generosos auxílios de seguro-desemprego contidos no American Rescue Plan (pacote de gastos) aprovado em março.

A considerável desaceleração dos serviços puxou o índice composto, que também contempla a indústria, de 63,7 para 59,7. A queda só não foi maior por que o PMI da indústria avançou de 62,1 para 63,1 durante o mês, puxado em boa parte tanto pela demanda estrangeira quanto pelo avanço contínuo da demanda doméstica. De positivo, o subíndice de preços de matéria primas parece ter atingido um pico, embora a pressão inflacionária e os possíveis efeitos retardatários da variante delta da covid-19 continuem como uma das principais preocupações entre as empresas entrevistadas.

Brasil

Em Brasília, a semana marcava o início do recesso parlamentar, possibilitado pela aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) na semana anterior.  As atividades do Congresso Federal ficarão oficialmente suspensas até a virada do mês. Apesar das férias dos congressistas, o noticiário político ainda ecoaria debates em torno do projeto de lei que altera o Imposto de Renda, os trabalhos da CPI da Pandemia, o aumento bilionário dos recursos destinados ao Fundo Eleitoral e a intenção do presidente de alterar os quadros dos seus ministérios.

Na segunda-feira, ainda repercutia as declarações do presidente Bolsonaro feitas na saída do Hospital Vila Nova Star no domingo, de onde acabava de receber alta após tratamento para obstrução intestinal. O presidente Jair Bolsonaro culpou o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que presidiu a sessão em que foi votada a LDO, pelo aumento dos recursos destinados ao Fundo Eleitoral, que passaria a contemplar R$ 5,7 bilhões do Orçamento de 2022 para o pleito eleitoral. Segundo o presidente, Ramos deveria ter realizado a votação de um destaque que derrubaria o aumento nominalmente (a votação foi realizada de forma simbólica). Já na segunda-feira, Bolsonaro prometeu que o aumento ao fundo “não será sancionado” em entrevista concedida à TV Brasil.   

Na quarta-feira, a mídia destacou a intenção do presidente Bolsonaro de nomear o senador Ciro Nogueira (PP -PI) à Casa Civil. O senador é presidente do PP, um dos partidos que integra o núcleo do Centrão. Na prática, a nomeação de Nogueira deve fortalecer a influência do governo no Senado, casa onde a agenda governista tem encontrado resistência e o presidente sofre com o constante desgaste gerado pela CPI da Pandemia. O ingresso do senador ao ministério resultará em um rearranjo na Esplanada que ressuscitará o Ministério do Trabalho, atualmente uma secretaria do Ministério da Economia.

Na quinta-feira, ainda repercutia a minirreforma ministerial planejada pelo presidente Jair Bolsonaro. Muitos veículos da mídia interpretaram a extinção da Secretaria da Previdência e do Trabalho como a derrota do ministro Paulo Guedes (Economia), que até então tinha preservado a coesão do superministério da Economia a despeito de uma série de rumores, que circulavam desde meados de 2020, que prenunciavam do desmembramento da sua pasta. O presidente Jair Bolsonaro combateu a narrativa relatado que a recriação do ministério “da uma certa descompressão” em Guedes. Em paralelo, fontes de Brasília revelavam que o ministro buscava manter a sua influência sobre a pasta através da manutenção de alguns funcionários que ocupam cargos técnicos na secretaria que seria transformada em ministério.

O que está por vir…

Nos próximos dias, alguns dos principais destaques da agenda internacional serão: (i) encomendas de bens duráveis, preços residenciais e confiança do consumidor nos EUA, na 3afeira; (ii) confiança do consumidor europeu, balança comercial americana e anúncio da decisão de política monetária pelo Federal Reserve, na 4afeira; (iii) inflação ao consumidor alemão, novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA e PIB americano no 2o trimestre de 2021, na 5afeira e; (iv) a inflação ao consumidor europeu, o PIB da zona do euro no 2o trimestre de 2021 e os dados de renda e consumo pessoal – acompanhados  pelo deflator do PCE –, na 6afeira.

Hoje, como de costume, a projeções do boletim Focus do BCB (8h30) e a balança comercial semanal da Secint (15h) abrem a agenda da semana. Nos próximos dias, a agenda traz (i) as estatísticas do setor externo em junho, na 3afeira; (ii) o índice de preços ao produtor (IPP), o Caged e o relatório mensal da dívida pública de junho, na 4afeira; (iii) o IGP-M de julho e o resultado primário do governo em junho, na 5afeira; e (iv) a PNAD-Contínua de maio, na 6afeira.

E agora?

No contexto internacional, investidores continuarão pesando os riscos à recuperação trazidos pelo avanço da variante delta com a leva de resultados corporativos altamente positivos. Por um lado, segue o receio com o crescimento americano, que vem dado graduais sinais de arrefecimento nos mais recentes índices de confiança. Por outro, empresas vem surpreendo com lucros acima do esperado, justificando, junto com a liquidez amplamente disponível, os atuais valuations praticados no mercado. A divulgação do PIB do segundo trimestre nos EUA será proeminente para coordenar as expectativas no mercado de juros, tendo impactos óbvio sobre as empresas de crescimento, que vem tendo desempenho mais positivo na esteira do fechamento da curva de juros americana.

Olhando para frente, o recesso parlamentar deve sustentar as narrativas que dominaram as manchetes na semana passada por meio da consequente ausência de avanços concretos de votações de interesse do mercado. O presidente Bolsonaro continuará sendo pressionado a vetar os aumentos de recursos ao Fundo Eleitoral, ação que certamente desagradaria uma maioria relevante do Congresso. Enquanto isso, o governo deve implementar as trocas nos ministérios anunciadas na semana passada. Nos bastidores, o Planalto e os seus aliados devem finalizar o plano estratégico de articulação com o Congresso que tentará aproveitar o que resta do governo Bolsonaro antes que o mundo político seja consumido pela disputa eleitoral de 2022.   

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