Semanal Macro – 28/12 a 31/12

Tempo de leitura: 9 minutos
IBOV R$/US$ CDS DI Jan/27 S&P500 STOXX 600
119.017
(+1,03%)
5,19
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142
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6,41%
(-14 bps)

3.756
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395
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Resumo da conjuntura recente….

Internacional

Ativos financeiros mundo afora materializaram na semana passada o rali de final de ano que vinha se formando desde meados de novembro. Com a redução do risco eleitoral americano após a eleição de Joe Biden, instalou-se um menor grau de aversão ao risco global. Como fatores adicionais, o início da campanha de vacinação, assim como a continuidade na postura altamente acomodatícia das políticas fiscal e monetária reforçaram o cenário e mantiveram o otimismo em alta.

Logo no início da semana, investidores reagiram positivamente à aprovação definitiva do pacote de gastos de US$ 900 bi em ambas as casas do Congresso americano. O pacote de estímulo foi aprovado com a manutenção dos US$ 600 cheques mensais de transferência de renda. Paralelamente, a Europa finalmente começou a campanha de vacinação. Após aprovar a vacinas produzida pela Pfizer/BioNTech, países do bloco começaram a imunizar a população, mas entendemos que algum grau de distanciamento social deve continuar sendo mantido. Afinal, casos e número de hospitalizações continuam em alta e, com as festas de fim de ano, devem voltar a crescer.

Na 3ªfeira, Trump continuou pressionando o Congresso para elevar o valor do cheque para US 2.000, causando atrito entre os desejos de expansão de gastos dos democratas e a ideologia fiscalistas dos republicanos. A ideia de aumentar o valor dos cheques é altamente popular e, por mais que não tenha sido acatada ao longo da semana, pode ter importantes repercussões sobre o resultado eleitoral das duas cadeiras do Senado americano a serem disputadas amanhã. Caso fique entendido que os republicanos obstruíram as chances de extensão do valor dos cheques, continuam sob a ameaça de não controlar o Senado novamente.

No final da semana encurtada pelo feriado do ano novo, não ouve grandes novidades. Ativos financeiros continuaram repercutindo os principais pontos de otimismo. Se sustentaram sob a continuidade na postura estimulativas dos governos e bancos centrais, o início da campanha de vacinação e um desfecho melhor do que o esperado para o Brexit, confeccionado na semana que contou com o feriado do Natal.

Brasil

Aqui no Brasil, ativos de risco apresentaram movimentos similares. O índice Bovespa encerrou o ano próximo das máximas históricas, o câmbio arrefeceu em comparação aos momentos mais agudos da crise e a curva de juros continuou apresentando movimento declinante concomitantemente à redução generalizada de aversão ao risco. A ausência de notícias negativas relacionadas à política fiscal, assim como o cenário externo benigno, favoreceu o movimento. Em semana morna de indicadores econômicos, destacamos as expectativas de inflação, a taxa de desemprego da economia e algumas estatísticas fiscais publicadas pelo BCB.

No plano político, a crise sanitária continuou dominando as manchetes. No domingo, O ministro Eduardo Pazuello (Saúde) divulgou atualizações relacionadas à campanha de vacinação sendo organizada pelo governo federal. Segundo o ministro, 24,7 milhões de vacinas devem ser disponibilizadas durante o mês de janeiro, possibilitando que alguns grupos prioritários comecem a receber a vacina no final do mês. O governo espera que a campanha ganhe escala em fevereiro e que sejam necessários 30 dias para realizar a imunização de cada um dos quatro grupos prioritários. Ou seja, a população geral, composta por aqueles que não se enquadram dentro dos parâmetros prioritários, só deve começar a receber a vacina no final do 2º trimestre.

Enquanto o governo tentava acelerar os preparativos para a campanha de imunização, o vírus continuava fazendo a suas vítimas. No dia 25/12 o país atingiu mais um marco trágico ao registrar 190 mil mortes como consequência do coronavírus. O limiar de 200 mil óbitos deve ser ultrapassado antes da segunda metade de janeiro, podendo ser potencializado pelas aglomerações e reuniões que ocorrem agora no final do ano.

Ainda na segunda-feira, a farmacêutica norte-americana Pfizer esclareceu por que o processo de aquisição de permissão da agência reguladora brasileira (Anvisa) tem demorado mais que outros países. Grande parte das nações que já iniciaram suas campanhas de vacinação estão aplicando o imunizante da Pfizer. Segundo a farmacêutica, o registro da Anvisa requer “…análises específicas para o Brasil, o que leva mais tempo de preparação” e citou como exemplo “solicitação de uma análise dos dados levantados exclusivamente na população brasileira”.

Enquanto isso, governadores dos estados do Nordeste articulavam a favor da manutenção do estado de calamidade pública em 2021. O decreto que instalou o estado de exceção orçamentaria perde a sua vigência na virada do ano, trazendo de volta amarras orçamentarias como a necessidade de aderir a meta fiscal. Segundo o governador do Piauí, Wellington Dias, que lidera o grupo que defende a extensão, as mesmas condições que justificaram a declaração de calamidade ainda não foram superadas.

Na fronte econômica, expectativas de inflação para 2020 extraídas das pesquisas Focus interromperam a sequência de meses em alta e registraram estabilidade, encerrando o ano em 4,39%, 39 pontos base acima de meta de inflação de 4,00% estipulada pelo CMN.

As expectativas de inflação ultrapassaram a meta devido ao descompasso maior do que o previsto induzido pela forte retomada da demanda vis-à-vis a maior lentidão de recomposição da oferta. A desvalorização persistente do câmbio, induzido pela elevação do risco fiscal e a baixa dos juros, também influenciou consideravelmente a categoria de alimentos e bebidas, além de produtos industriais dependentes da importação de importantes insumos de produção.

O processo de abertura em curso, por razões claras, também continua alimentando a retomada da oferta e da demanda, mesmo que o recrudescimento da pandemia pese sobre o sentimento e o consumo.

Para 2021, as expectativas de inflação voltaram a cair, indo para 3,34% de 3,37%. Há quatro semanas, as expectativas estavam em 3,47%, e portando deram continuidade ao processo de maior distanciamento em relação à meta de 2021, de 3,75%. A menor inflação prevista para o ano que vem naturalmente repercute o efeito, ainda vivo, das sequelas deixadas pela pandemia.

O mercado de trabalho segue com elevada taxa de desemprego e reduzida taxa de participação (fato que pode potencializar a lentidão na retomada da oferta), retraindo o consumo e, mais importantemente, a economia não terá o mesmo grau de estímulo fiscal com o retorno da agenda de austeridade e respeito ao teto de gastos.

Na 3ª feira foi divulgada a taxa de desemprego de outubro. Esta sofreu novo aumento ao ir de 13,8% no trimestre encerrado julho para 14,3% no trimestre encerrado em outubro. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, a taxa de desocupação variou 2,7 pontos percentuais, indo de 11,6% para o atual patamar. Em números absolutos, a elevada taxa de desemprego reflete os mais de 14 milhões de brasileiros que atualmente se encontram em estado de desocupação. Ainda, o número de ocupados foi para 84,3 milhões, ou 48% da força de trabalho em idade para trabalhar.

No mesmo dia, em resposta a queixas feita pela farmacêutica americana Pfizer, a Anvisa alterou uma das exigências necessárias para registrar um novo imunizante no Brasil. Agora, laboratórios não precisarão apresentar informações precisas sobre “a quantidade do produto disponível e cronograma de disponibilização ao país”. A Pfizer emitiu nota durante o fim de semana que apontou que esse requisito só poderia ser cumprido após a firmação de um contrato de compra. Com a novas regras, só será necessário apresentar estimativas relacionadas a disponibilidade.

Na 4ª feira, estatísticas fiscais publicadas pelo Banco Central do Brasil apontaram para um déficit primário de R$ 18,1 bi em novembro, levando o déficit acumulado no ano para R$ 651,1 bi de déficit de R$ 48,5 bilhões no mesmo período do ano passado. No acumulado em 12 meses, o déficit público atingiu o patamar de R$ 664,6, ou 8,93% no PIB. Os juros da dívida somaram R$ 2,0 bilhões ante R$ 37,8 bi no mesmo período do ano passado. Contribuiu para o menor nível de juros a queda na taxa Selic desde então. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) e a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançaram, respectivamente, 61,4% e 88,1% do PIB. O resultado foi principalmente influenciado pela valorização cambial do mês, o déficit primário e a variação do PIB.

O que está por vir…

Ainda nesta 2ªfeira saem a leitura final do PMI/Markit industrial (11h45) de dezembro e os gastos com construção em novembro (12h) nos EUA. No restante da semana, o investidor recebe uma gama de indicadores relevantes: o ISM industrial (3ªfeira) e de serviços (5ªfeira) de dezembro nos EUA; os PMIs de serviços do mesmo mês nos EUA (4ªfeira), na Europa (4ªfeira) e na China (3ªfeira); a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve em 2020 (4ªfeira); a confiança do consumidor, vendas no varejo e inflação na zona do euro (todos na 5ªfeira); e o relatório de emprego de dezembro nos EUA (6ªfeira).

Após o boletim Focus do Banco Central (8h25) revelar as revisões nas estimativas macroeconômicas do mercado entrando em 2020, o investidor avalia o PMI industrial de dezembro (10h) e a balança comercial mensal (15h) na primeira 2ªfeira do ano. Nos próximos dias, o investidor ainda deve avaliar o Índice de Preços ao Produtor nas indústrias de transformação em novembro e as vendas de veículos mensuradas pela Fenabrave em dezembro na 3ªfeira; o PMI de serviços de dezembro e o IC-Br do mesmo mês na 4ªfeira; e o IGP-DI de dezembro, a produção industrial de novembro e as vendas de veículos mensuradas pela Anfavea em dezembro nesta 6ªfeira.

E agora?

No cenário internacional, devem continuar fazendo preço os principais fatores induziram o rali de final de ano. A continuidade na campanha de vacinação e a implementação de mais estímulos econômicos devem continuar criando terreno para valorização dos ativos. Como destaque da semana, investidores devem observar o resultado do pleito eleitoral das duas cadeiras do Senado a serem disputadas na Geórgia amanhã.

O resultado desta eleição será crucial para determinar o futuro da política fiscal americana. Caso os democratas levem ambas as cadeiras, obterão igualdade frete aos republicanos e o voto decisivo da vice-presidente, Kamala Harris. Esta composição partidária dentro do Congresso favoreceria fortemente os planos de reconstrução da economia de Biden, cujos principais pontos visam aumentar a produtividade da economia por meio de investimentos em infraestrutura, energia renovável e educação. Caso contrário, esta agenda ficará estagnada, e o presidente democrata pouco conseguirá fazer para reverter o quadro econômico deteriorado da maior economia do mundo. 

Aqui no Brasil, o recesso legislativo deixa o avanço da agenda de reformas em estado de inércia, fazendo com que ativos de risco reajam principalmente aos movimentos do exterior. Nesta frente, como comentamos, o cenário sege positivo. De qualquer maneira, os mesmos problemas do país persistem. O risco fiscal segue em alta e vivo, o desemprego continua elevado e, ao contrário do ano passado, não existe mais o auxílio emergencial para dar suporte à renda e ao emprego. Como agravante, continuam incertos os planos com relação à campanha de vacinação local, que ainda não tem vacina definitiva nem os insumos necessários para efetuá-la.

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