Semanal Macro (26/04 – 30/04): Fed fica dovish, inflação desacelera, desemprego aumenta e Brasília mantém incerteza alta com CPI da Covid em foco

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IBOV R$/US$ CDS DI Jan/27 S&P500 STOXX 600
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Resumo da conjuntura recente…

Internacional

Ativos de risco internacionais iniciaram a semana passada em tom positivo, ainda espelhando, com muita intensidade, o otimismo com o processo de recuperação econômica. Sem grandes destaques na segunda-feira, enquanto investidores ficavam à espera da apresentação de mais um pacote de gastos e de mais uma reunião de política monetária do Fed, promoveram uma ligeira valorização dos ativos, deixando o S&P 500 consistentemente perto das máximas históricas. Resultados corporativos robustos – principalmente no que tange às empresas de tecnologia – também alimentaram o apetite pelo risco.

Na terça-feira, a confiança do consumidor americano, medida pelo Conference Board, foi o destaque do dia. O indicador superou as expectativas do mercado (113,0) em mais de 7,0% ao saltar de 109,7 para 121,7. Tal resultado refletiu, novamente, as condições financeiras mais positivas das famílias na esteira de uma robusta campanha de vacinação aliada à manutenção de estímulos monetárias, mas principalmente fiscais, sem precedentes da história recente. É proeminente recordar que a melhora da confiança está intimamente ligada aos desenvolvimentos no mercado de trabalho. Por ora, tais desenvolvimentos têm emitido sinais promissores, indicando que a confiança ainda tem amplo espaço de crescimento.

No meio da semana, o Federal Reserve, BC americano, tomou mais uma decisão de política monetária. Sem novidades, manteve o juro básico próximo de zero e deu continuidade ao programa de compra de ativos num montante de, no mínimo, US$ 120 bi por mês. O comunicado veio ligeiramente mais otimismo com a recuperação, acusou um aumento da inflação, mas caracterizou-o como transitório e demonstrou a tranquilidade da instituição quanto ao tema. Como destaque, houve uma reiteração da postura dovish do BC americano, com seu presidente dizendo, enfaticamente, que ainda não está na hora de começar a pensar em retirar os estímulos monetários.

No mesmo dia, após o fechamento do mercado, Biden proferiu seu primeiro discurso em frente ao Congresso americano. Detalhou seu mais recente plano para a política fiscal do país: um pacote trilionário de gastos com foco em educação e proteção social, cujo objetivo é garantir um aumento da produtividade da maior economia do mundo.  O presidente americano, ambicioso em seus novos planos e determinado a cumpri-los, encerrou o discurso com uma fala que já está sendo expressa pelo país, seja por meio da campanha de vacinação, seja por meio dos preços dos ativos: never bet against america.

Na quinta-feira, o PIB americano do primeiro trimestre marcou a sessão. Este apresentou crescimento trimestral anualizada de 6,4%, superando a mediana das expectativas, que previa um aumento de 6,1%. O aumento da demanda foi puxado, principalmente, pela alta do consumo das famílias – que receberam transferências extraordinárias do governo – e das despesas do governo. A atividade agregada, como explicitada pelos índices de atividade setoriais, está arrancando em consonância com a vacinação e a reabertura da economia.

Ao final da semana, o deflator do PCE, medida de inflação ao consumidor preferida pelo Fed, refletiu a melhora generalizada dos índices de atividade. A inflação acelerou a alta em março para 0,50%, atingindo 2,3% em 12 meses e refletindo a forte pressão das commodities de energia, que subiram 4,9% no mês e 13,1% em 12 meses. O núcleo, que exclui alimentos e energia, teve comportamento mais ameno com alta de 0,40% e variação em 12 meses de 1,8%. É importante recordar que a dinâmica dos preços está sendo ditada, principalmente, por três fatores: (i) efeito altista proporcionado pela base de comparação deprimida; (ii) pressões de custos provenientes de gargalos enquanto a oferta não se adequa à expansão da demanda e (iii) o repasse da alta dos preços internacionais das commodities.

Brasil

Em Brasília, a semana deu início aos preparativos para as batalhas que seriam travadas em duas comissões. Na Câmara, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) estava prestes a realizar a sua primeira audiência pública para discutir a reforma administrativa. No Senado, os aliados e opositores do governo se preparavam para a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19.

A situação deu o primeiro golpe antes mesmo que a comissão fosse instalada, por meio de uma manobra para judicializar a escolha do relator, em tentativa de impedir o senador Renan Calheiros (MDB-AL) de assumir o cargo. O pedido de tutela da deputada Carla Zambelli (PSL-SP) nesse sentido foi acatado pelo juiz federal Charles Renaud Frazão de Moraes, mas foi rapidamente revertido após a apresentação de um recurso da Casa Alta.

No mesmo dia, a diretoria da Anvisa (Agência Nacional da Vigilância Sanitária) rejeitou o pedido de uso emergencial do imunizante russo Sputnik V. A decisão foi unânime entre os 5 diretores do conselho da autoridade sanitária. Segundo a Anvisa, o imunizante tem qualidade e segurança comprometida. Alguns dos 14 estados que buscam importar o imunizante russo ainda buscam maiores esclarecimentos da autoridade sanitária.

Na terça-feira, o destaque foram as alterações feitas ao quadro da pasta econômica. O ministro Paulo Guedes (Economia) remanejou a sua equipe na esteira do desgaste do imbróglio do orçamento e rumores sobre a pressão exercida pelo Legislativo para que o ministério da Economia seja desmembrado. A retomada da pauta da reforma tributária, que agora foi abraçada por Lira, também pode ter influenciado as mudanças. Guedes atribuiu as alterações a um “desgaste natural” e negou que o remanejamento seja um aceno ao Congresso.

No mesmo dia, a prévia do IPCA (IPCA-15) apresentou alta de 0,60% em abril, arrefecendo com relação a março, quando havia apresentado alta de 0,93% na margem. Com isto, o IPCA-15 registra variação acumulada de 2,82% no ano e 6,17% nos últimos 12 meses. Como esperado, o arrefecimento da inflação repercutiu, principalmente, o comportamento mais ameno da categoria de Transportes, com os combustíveis desacelerando a alta consideravelmente.

Na quarta-feira, o governo editou uma medida provisória que permite que as empresas adiem o recolhimento do FGTS nos próximos 4 meses. Como consequência do adiamento, o governo estima que R$ 40 bi serão injetados na economia nos próximos 4 meses. Os pagamentos serão quitados em quatro parcelas mensais a partir de setembro. A medida é mais uma iniciativa para acelerar a recuperação da economia por meio de um adiantamento que não afete o atingimento da meta fiscal do ano.

No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a sua intenção de aumentar o valor médio do benefício do Bolsa Família de R$ 190 para R$ 250. O governo já abordou esse plano em várias ocasiões no ano passado – o ministro Paulo Guedes (Economia) usou o termo “pouso suave” para descrever a transição do auxílio emergencial para a versão mais robusta do Bolsa Família –, mas a declaração feita pelo presidente naquela data foi a primeira a citar uma data específica.

Ainda na quarta-feira, o governador João Dória (PSDB) anunciou o início da produção de doses da ButanVac, vacina contra o coronavírus desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante não dependerá de insumos estrangeiros – variável que tem limitado a entrega de doses da CoronaVac ao governo federal. A expectativa é que 18 milhões de doses sejam produzidas até a primeira metade de junho. Durante o segundo semestre de 2021, o governo de São Paulo espera alcançar a capacidade de produção mensal de 40 milhões de doses.

Na quinta-feira, em um evento realizado para celebrar a chegada do primeiro lote de imunizantes do laboratório Pfizer, o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) prometeu entregar 16,8 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 nos próximos 6 dias.

No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro foi criticado explicitamente por ao menos quatro legisladores do Parlamento Europeu pela sua gestão da crise sanitária durante a pandemia. Os eurodeputados usaram palavras como “necropolítica” e “negacionismo” para descrever a sua gestão e o culparam pelo alto número de mortes como consequência do coronavírus um dia após o Brasil ultrapassar o limiar de 400 mil óbitos.

Ao final da semana, foi divulgada a taxa de desemprego referente ao mês de fevereiro. A taxa de desemprego da economia brasileira apresentou nova alta. Passou de 14,2% no trimestre encerrado em janeiro para 14,4% no trimestre encerrado em fevereiro. O aumento do desemprego foi, em essência, motivado pela alta mais acentuada do contingente de pessoas desocupadas (1,06%) em relação à alta muito mais modesta (0,02%) do contingente de pessoas na força de trabalho. Com relação ao mesmo trimestre do ano passado, a taxa de desemprego registra forte alta de 2,8 pontos percentuais, quando estava, na época, em torno de 11,6%.

O que está por vir…

Hoje, o investidor recebe dois PMIs industriais referentes ao mês de abril nos Estados Unidos, o do Instituto Markit, às 11h, e o do ISM (Institute for Supply Management), às 11h30. À tarde, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, fala em evento (15h20). No restante da semana, outros destaques da agenda internacional serão: a balança comercial e as encomendas à indústria em março nos EUA, na 3ªfeira; os dados do mercado de trabalho formal nos EUA (ADP), a inflação ao produtor europeu e os PMIs de serviços de abril na Europa e nos EUA, na 4ªfeira; as vendas no varejo na Europa, a decisão de política monetária do BOE, dados de produtividade do trabalho nos EUA e o PMI/Caixin de serviços na China, na 5ªfeira; e o relatório de emprego de abril nos EUA, na 6ªfeira.

Como de costume, o mercado recebe o boletim Focus do BCB na manhã desta 2ªfeira (8h30). Em seguida, o mercado avalia o PMI/Markit industrial (10h), o resultado da balança comercial em abril (est.: R$ 12 bi), e os dados de vendas de veículos da Fenabrave no mesmo mês (ambos às 15h). No restante da semana, os destaques da agenda econômica serão a produção industrial (4ªfeira), a decisão de política monetária do Copom e as vendas no varejo (6ªfeira) de março. Na fronte da inflação, o mercado recebe o Índice de Preços ao Produtor de março, na 3ªfeira, e o IGP-DI de abril, na 6ªfeira.

E agora?

No cenário internacional, ativos de risco devem sustentar a trajetória de alta observada até o momento. Os índices de confiança e atividade a serem divulgados no decorrer da semana devem novamente confirmar o estado resiliente da maior economia do mundo, dando sustento à tese de robusta recuperação ao longo do ano. O clima calmo de Washington observado ao longo das últimas semanas pode ser revertido esta semana na medida em que executivo e congresso dão início às tratativas em torno dos novos pacotes de gastos apresentados pelo presidente americano.

No cenário doméstico, enquanto investidores ficam à espera de mais uma decisão de política monetária do Copom, observam o clima tenso de Brasília, ainda repleto de incerteza. Com os planos da CPI da Covid já delineados, espera-se, no decorrer da semana, os depoimentos de ex-ministros da saúde. Tais depoimentos prometem trazer mais dores de cabeça ao executivo, com potencial de desgaste adicional do capital político do presidente. Na ponta positiva, como prometido por Lira, presidente da Câmara, a divulgação do parecer do relator da reforma tributária deve ocorrer ainda nesta 2ªfeira.

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