Semanal Macro – Ponderando fatores

Tempo de leitura: 11 minutos
IBOV R$/US$ CDS DI Jan/27 S&P500 STOXX 600
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Resumo da conjuntura recente….

Internacional

Índices acionários iniciaram a semana passada em tom misto, refletindo a ponderação dos fatores de risco que tem influenciado as decisões de investimento. Por um lado, a expectativa de mais estímulos fiscais, acoplados à manutenção da postura acomodatícia dos principais bancos centrais junto do avanço das campanhas de vacinação, segue favorecendo a tomada de risco. Não obstante, o constante e incessante avanço da covid-19 – cujo desenvolvimento de novas cepas ameaça a recuperação – segue pesando sobre a atividade frente à lentidão da imunização em massa, gerando um certo grau de cautela adicional.

Os impactos correntes do vírus ficaram novamente claros com a divulgação, na 3afeira, da confiança do consumidor americano. Este apresentou ligeiro aumento na leitura preliminar de janeiro, mas registrou uma deterioração do subíndice referente à situação atual. O subíndice de expectativas futuras, no entanto, melhorou, deixando claro o maior otimismo com o início e continuidade da campanha de vacinação e a maior probabilidade de aprovação de mais estímulos fiscais. Ainda assim, o índice segue distante do nível pré-pandêmico, e pontua como avanços mais concretos dependerão de uma melhora mais contundente do mercado de trabalho.

No meio da semana, enquanto investidores aguardavam mais uma decisão e comunicado de política monetária do Federal Reserve, observaram uma deterioração da confiança do consumidor alemão. Além de refletir os impactos contracionistas induzidos pela reimplementação de lockdowns, evidenciou o preço pago pelo atraso em implementar o pacote de EUR$ 750 bilhões acordados em julho do ano passado entre governantes do bloco europeu. Sem auxílio fiscal adicional, a atividade da maior economia do bloco segue com risco de contração entrando em 2021. Vale relembrar que a maior economia bloco, ao apresentar crescimento de 0,10% no PIB do 4T2020 ante o trimestre diretamente anterior, sequer evitou uma contração.

Na 5afeira, investidores reagiram à primeira decisão de política monetária do Fed do ano. Sem grandes novidades, o BC americano manteve a taxa de juro próxima de zero e reiterou a continuidade no programa de compra de títulos públicos e privados. Mais importante do que a decisão em si foram os comentários de Powell, presidente, que se empenhou em reforçar que qualquer expectativa que preconiza a retirada de estímulos prontamente pode ser considerada precoce. Isto é, não faz sentido pensar na retirada de estímulos enquanto o Fed estiver longe de atingir seu duplo mandato de inflação média na meta de 2,00% e economia no pleno emprego.  A manutenção da postura dovish por parte do BC americano continuará fornecendo um sustento aos ativos de risco, que se beneficiam da onda de liquidez e baixas taxas de desconto proporcionadas pela autoridade monetária.

No mesmo dia, saiu o resultado do PIB 4T2020 da maior economia do mundo. Segundo os resultados apresentados pelo BEA (Bureau of Economic Analysis), o PIB real dos EUA do 4ª trimestre de 2020 apresentou um crescimento anualizado, em relação ao trimestre anterior, de 4,0%. O resultado, alinhado com as expectativas do mercado, foi marcado por um aumento no consumo, no investimento (residencial e não residencial fixos e privado em estoque), nas importações e exportações e uma diminuição nos gastos dos governos locais, estaduais e federais. Dessa forma, tais dados continuam refletindo um processo gradual de recuperação econômica, no país, como ocorrido no 3º trimestre, em que houve um crescimento de 33,4% no PIB. Ao todo, o PIB real teve contração de 3,50% em 2020, sacramentando a forte perda de renda ocasionada pela pandemia.

Ao final da semana, dados de inflação americanos deram sustento à postura agressiva do Federal Reserve. O PCE, índice de inflação perseguido pela instituição acelerou levemente em dezembro para alta de 0,40% ante 0,30% no mês anterior. Com isto, o índice acumula alta de 1,4% em 12 meses, ainda distante da meta média de 2,00% preconizado pelo novo framework de política monetária do banco. A baixa reação dos preços é indicativa da falta de tração no processo de recuperação, mas reflete, primordialmente, mudanças de cunho estrutural que tornaram a inflação de preços menos reativa a variações no nível de atividade.

Brasil

A semana abreviada pelo feriado municipal em São Paulo teve início na 3afeira com investidores avaliando a evolução dos estágios iniciais da campanha de imunização nacional, enquanto a crise sanitária continuava se acirrando em várias regiões do Brasil, agregando à pressão política por um retorno do auxílio emergencial. Ainda reverberava também a renúncia do presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, que abandonou o cargo devido à falta de perspectiva em torno de uma futura capitalização da estatal. No pano de fundo, os candidatos à presidência da Câmara dos Deputados e Senado davam continuidade à articulação nos bastidores na tentativa de angariar votos na última semana do recesso parlamentar.

No mesmo dia, constou a primeira leitura do IPCA-15 para o ano de 2021. Em janeiro, o índice apresentou inflação 0,78%, sinalizando uma redução de 0,28 ponto percentual (p.p.), em relação a dezembro, quando o índice teve alta 1,06%, e uma variação de 4,30%, no acumulado de 12 meses. Esse é o maior resultado para o mês de janeiro, desde 2016, quando o IPCA-15 teve alta de 0,96%. Seguiu, como de costume, refletindo a forte influência dos alimentos e a normalização de alguns serviços e bens industriais. Os dados fizeram jus ao diagnóstico do Copom, que preconiza a perda de forças inflacionárias já no início deste ano com o arrefecimento dos auxílios emergências.

Durante o fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro revelou que autoridades chinesas garantiram que os 5,4 mil litros de matéria prima já foram liberados e se encontram em área portuária prontos para serem enviados ao Brasil nos próximos dias.

Na direção oposta, vários outros municípios tentam lidar com a crescente demanda por serviços de saúde. Em Fortaleza (CE), a taxa de ocupação de leitos de UTIs ultrapassou 96% no domingo. Enquanto isso, o estado de São Paulo, que tem 58 municípios com taxa de ocupação de leitos superior a 80%, retrocede à etapa vermelha no plano de isolamento social em tentativa de frear a evolução do vírus.

Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro voltou a rebater o crescente coro que clamava – e ainda clama – por um retorno do auxílio emergencial, um programa assistencialista extinguido em dezembro. Segundo o presidente, o endividamento do país está “no limite” e o benefício tem caráter temporário e não pode ser tratado como uma “aposentadoria”. Já o ministro Paulo Guedes (Economia) defendeu que o programa seja sucedido por uma expansão permanente do Bolsa Família que traga outros cortes de gastos como contrapartida para que a medida se encaixe dentro do teto de gasto.

Na 4afeira, a taxa de desemprego da economia brasileira ficou praticamente estável no trimestre móvel encerrado em novembro, registrando leve baixa de 14,4% para 14,1% frente ao trimestre diretamente anterior. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, no entanto, o desemprego registra um forte aumento de 2,9 pontos percentuais ao ir de 11,2% para seu atual patamar. Em termos absolutos, isto significa que existem, atualmente, cerca de 14 milhões de pessoas desempregadas no país. A taxa de participação continuou em nível historicamente baixo, pontuando como a presença da pandemia segue afetando a disponibilidade do fator trabalho. Ainda, com o risco fiscal ainda em cena, entendemos que depreciações da taxa de câmbio e alta dos juros futuros comprometem o bom desempenho do mercado de trabalho, criando barreiras adicionais à recuperação.

No mesmo dia na esfera política, as primeiras rachaduras na base de apoio do candidato à presidência da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP), começaram a surgir. O deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato a presidência da Câmara dos Deputados apoiado pelo governo, afirmou que acredita ter a maioria dos votos da bancada do DEM.

Na esfera das privatizações, em resposta à renúncia do presidente da Eletrobras, que perdeu esperança em torno de uma possível capitalização da estatal, o presidente Jair Bolsonaro refirmou o seu compromisso com as privatizações em uma reunião com investidores. Segundo a declaração do presidente, o governo pretende “acelerar os leilões de concessões e privatizações… e dar continuidade às medidas de aperfeiçoamento do ambiente de negócios”.

Na quinta-feira, as manchetes refletiam a divulgação Plano Anual de Financiamento por parte do Tesouro Nacional. O documento revelou que a dívida pública federal já ultrapassou o limiar de R$ 5 trilhões e deve fechar o ano de 2021 entre R$ 5,6 e 5,9 trilhões. A projeção do Tesouro não contempla a possiblidade de novas parcelas do auxílio emergencial, apesar da crescente pressão pelo retorno do custoso programa assistencialista. O secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, assegurou que, apesar do crescimento vertiginoso do endividamento federal, no momento, o colchão de liquidez da União é suficiente para cobrir o vencimento de títulos do governo no primeiro semestre.

No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro revelou que a equipe econômica já discutia a possibilidade de reduzir o PIS/Cofins que incide sobre o óleo e diesel. Bolsonaro esclareceu que não pretende influenciar a política de preço da Petrobras e pediu paciência para os caminhoneiros que ameaçam uma nova greve. Membros da categoria estão dessatisfeitos com um aumento no preço do diesel de 4,4% nas refinarias que ocorreu no final de janeiro. O PIS/Cofins agregar R$ 0,33 ao custo do litro do diesel. Segundo o presidente, cada R$ 0,01 reduzido na tributação do combustível representa uma renúncia de R$ 800 milhões para o governo federal. 

No último dia útil da semana, repercutia a declaração do favorito na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que prometeu, durante um encontro com deputados do PSL, que votará a reforma administrativa ainda no 1º semestre de 2021. Segundo o deputado, o Brasil precisa fazer uma forte sinalização de respeito ao teto de gastos.

O que está por vir…

Além da divulgação dos PMI industrial europeu, o investidor acompanha hoje a divulgação do mesmo dado para os EUA. Na 3afeira, o PIB do 4T2020 da economia europeia marca o dia. No meio da semana, além do PMI do setor de serviços americano e europeu, consta a divulgação do IPC europeu e do ADP americano, uma espécie de prévia para o payroll americano. Na 5afeira, o Bank of Enlgand toma a primeira decisão de política monetária do ano e saem, no mesmo dia, as vendas no varejo na Europa e os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA. No final da semana, além das encomendas à indústria na Alemanha, consta a divulgação da primeira leitura da taxa de desemprego da economia americana.

Como de costume, o Boletim Focus abre a semana com as expectativas do mercado sobre a trajetória das principais variáveis macroeconômicas. Ainda hoje, o investidor acompanha mais uma leitura do PMI industrial. Na 3afeira, o IBGE divulga a última leitura de 2020 da produção industrial a partir da PIM, enquanto o Tesouro Nacional realiza mais um leilão de títulos públicos. No meio da semana, há a divulgação do PMI composto e de serviços junto com o Índice de Commodities (IC-Br) do Banco Central. Na 5afeira, o Tesouro realiza mais um leilão e, na 6afeira, o investidor digere a primeira leitura mensal do IGP-DI.  

E agora?

No cenário internacional, ativos de risco devem continuar operando de forma volátil enquanto avanços concretos quanto à expansão fiscal nos EUA não são registrados. Isto é, ainda que as autoridades monetárias mundo afora continuem fornecendo um colchão sob o qual correções duradouras e de elevada magnitude não ocorram, somente uma aceleração das campanhas de vacinação e avanços definitivos na política americana podem promover uma onda forte de valorização dos ativos. Ao longo da semana, será proeminente ficar de olho nos movimentos de Biden na negociação com congressistas americanos.

Aqui no Brasil, o destaque da semana será, naturalmente, o desfecho das eleições para as mesas diretoras da Câmara e do Senado. Com a vitória dos candidatos governistas praticamente sacramentada, segue em pauta a expectativa de retomada das conversas em torno da agenda de reformas. De início, questões relacionadas à aprovação do orçamento público devem dominar os debates iniciais. Em seguida, questões ligadas à extensão do auxílio emergencial concomitantemente ao avanço da PEC emergencial configuram entre as principais pautadas defendidas pelos atuais candidatos. 

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