Cotações por TradingView

Segundo Tempo: liberdade e responsabilidade

Tempo de leitura: 7 minutos

Introdução: As bolsas da Europa ganham forças, mas encerram a sessão sem direções claras. Em NY, os mercados operam próximo da estabilidade. O dólar segue firme frente a seus principais pares e emergentes, e o petróleo perde fôlego. No exterior, Trump, Catalunha e Coreia do Corte seguem no foco dos investidores. No Brasil, o mercado acompanha os conflitos entre o Planalto e Maia, e acompanha a sessão da 2ª denúncia na CCJ. Por aqui, vemos na bolsa um dia de correção.


CENÁRIO EXTERNO: TRUMP E BALANÇOS NOS EUA; INCERTEZAS DA CATALUNHA NA EUROPA.

Quanto aos mercados… Na Europa, as bolsas, que haviam se recuperado do início mais negativo, voltam a cair no final do pregão. O índice Stoxx 600, por exemplo, recuou 0,25%, num movimento abrupto no final do dia. Nos EUA, o Dow Jones sobe, e chegou a superar a marca dos 23 mil pontos. O índice S&P 500, mais diversificado, registrava leve queda no início desta tarde. O setor de saúde era um dos destaques positivos. Por lá, os balanços das empresas também influenciam aos mercados. Já o dólar segue em forte valorização, e avança frente às moedas do G-10 e emergentes.

Sobre os balanços… Papéis da UnitedHealth (+5,00%) e da Johnson & Johnson (+2,21%) avançavam firme nesta 3ª (variações deste início de tarde), após divulgação dos resultados do 3º trimestre, acima das expectativas do mercado. São os 2 papéis que mais chamavam a atenção neste pregão. Aliás, estes balanços minimizam a baixa dos ativos de risco nos EUA. Entre os bancos, o Morgan Stanley também reagia em alta (+0,65%), refletindo seus números.

E seguem as apostas… Nos EUA, continuam as especulações sobre a possível indicação do novo presidente para o Fed. A lista de Trump inclui Jerome Powell, diretor do Fed; Kevin Warsh, ex-diretor do Fed; Gary Cohn, conselheiro econômico de Trump; John Taylor, professor de Stanford, e a própria Yellen, é claro. Na última 5ª, Trump teria ficado bem impressionado com Taylor, quem é hoje um dos mais cotados para assumir o posto ocupado por Yellen. Segundo a Bloomberg, Trump tomará uma decisão antes de sua viagem à Ásia, marcada para o dia 3 de novembro.

Clima quente em Pyongyang… O conflito geopolítico envolvendo a Coreia do Norte e os EUA permanece no radar dos investidores. Hoje, John Sullivan, vice-secretário norte-americano, disse que os EUA não descartam a possibilidade de uma conversa direta com o país norte-coreano. “Eventualmente, não descartamos, claro, a possibilidade de conversas diretas”, afirmou. As conversas entre ambos os países tem sido estimuladas especialmente pela China. Porém, o que se observa é que Washington, por enquanto, recusa negociações.

Na Catalunha… Nesta 3ª, a Corte da Espanha declarou como nula a lei aprovada pelo governo da Catalunha, no último dia 6, que autorizou a realização do referendo sobre a independência da região. Por sinal, as notícias foram bem recebidas pelas bolsas do continente, que ganharam forças após a notícia. A situação, ainda assim, segue indefinida, e é fonte de volatilidade, claro.


BRASIL: IBOVESPA RECUA, E DÓLAR SOBE. POR OUTRO LADO, DIS E CDS RECUAM.

A culpa é dos gringos (?)… Por aqui, a aversão a risco, vinda do exterior, parece prevalecer. Influencia o desempenho do Ibovespa, que registra queda, e reduz os ganhos do mês (~2,7%). O índice se sustenta acima dos 76 mil pontos, mas os investidores aproveitam o contexto para “embolsar” parte dos ganhos das últimas semanas.

Altas & Baixas… Do lado positivo, destaque para os papéis da MRV, após dados operacionais do 3º tri mais fortes. Do lado negativo, figuram os papéis da Vale e siderúrgicas, em linha com a desvalorização do minério de ferro na China (-0,35%). Embraer também recua, repercutindo o anúncio da Airbus pela aquisição de mais de 50% do Projeto C da Bombardier.

A esperança é a última que morre… Os investidores acompanham a análise do parecer sobre a 2ª denúncia da PGR contra Temer, em sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A expectativa do governo é de que o colegiado aprove o texto ainda nesta semana. O placar pode servir de termômetro para uma eventual aprovação da reforma da Previdência no Congresso (mesmo que de forma imperfeita, é claro).

Temer vs Maia… O clima entre o Planalto e o presidente da Casa, Rodrigo Maia, segue conflituoso. Especula-se que há um grande desconforto de alguns deputados com o presidente, que não teria cumprido promessas feitas antes da votação da 1ª denúncia. Maia alerta para uma eventual degradação do ambiente político, mesmo após um êxito na votação na CCJ. Este clima, é claro, não parece contribuir para aprovar a previdência neste ano.

Sobre o “caso-Aécio”… Fazemos aqui um único comentário: o STF determinou, nesta manhã, que a votação do caso do senador Aécio seja aberta, e não secreta. Isto, é claro, é algo que seria menos favorável ao senador. Alexandre de Moraes escreveu: “Não há liberdade sem responsabilidade, o que exige nos votos dos parlamentares a absoluta necessidade de prestação de contas a todos os eleitores”.

Um pouco mais sobre os mercados… A valorização do dólar ao redor do mundo também faz preço por aqui. O viés, ao longo do dia, tem sido de alta. Entre a mínima e a máxima, segundo cotação de referência da Bloomberg, o dólar oscilou no intervalo R$3,16-3,18, aproximadamente. Na B3, por outro lado, os DIs recuam, em linha com a queda do CDS de 5 anos, que opera ao redor de 178 pontos base. Em suma: é dia misto nos mercados locais.

 

 

Ignacio Crespo Rey – Economista

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,78%, aos 76.291 pontos;
Real/Dólar: +0,20%, cotado a R$3,175;
Dólar Index: +0,37%, 93,654;
DI Jan/21: -06 pontos base; 8,930%;
S&P 500: -0,05%, aos 2.556 pontos.


*Por volta das 15h10, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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