Segundo Tempo: ele voltou

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Introdução: É dia de agenda fraca, aqui e lá fora. No exterior, os mercados europeus encerram em baixa, enquanto as bolsas de NY perdem forças desde a abertura. O dólar segue mais fraco frente aos principais pares. No Brasil, investidores seguem concentrados na política e na situação fiscal do país, o que também não contribui para impulsionar os mercados locais. Nesse contexto, Ibovespa recua; real se desvaloriza frente ao dólar; e DIs avançam.


CENÁRIO EXTERNO: MERCADOS MISTOS NA EUROPA, E EM BAIXA NOS EUA.

As bolsas, e as perspectivas… As bolsas da Europa encerraram o dia em baixa. O índice Stoxx 600, por exemplo, recuou 0,13%. Nos EUA, as bolsas perdem forças desde a abertura, após os índices acionários renovarem recordes, no fechamento anterior. O dólar segue mais fraco frente a seus principais pares, enquanto os juros das Treasuries sobem. O petróleo se mantém em alta (Brent oscilando entre US$63-64/barril), em dia de valorização para commodities mostram direções mistas.

O tal do “Tax Bill”… Sem grandes indicadores na agenda “macro”, as atenções seguem concentrada na reforma tributária americana (o “tax bill” ). Como falamos mais cedo, o projeto final deve ser apreciado nesta tarde pela Câmara, e depois passa ao Senado para ser votado entre hoje e amanhã. A expectativa é de que o projeta seja aprovado, sem surpresa. Por sinal, isto é algo que, em nossa visão, têm deixado os mercados “de lado” nesta 3ª. O fato de os mercados terem antecipado a aprovação da reforma já nos últimos dias explica esse menor apetite para ativos de risco.

Lá fora, a Previdência passou… O Congresso da Argentina aprovou, nesta manhã, a proposta de reforma da Previdência. A medida também tinha como objetivo reduzir o déficit fiscal e atrair investimentos. Mas a decisão ganhou destaque após confrontos entre manifestantes de oposição e a polícia local. O projeto, que já havia passado pelo Senado, foi aprovado pela Câmara com 128 votos a favor, 116 contra e 2 abstenções. É, sem dúvidas, uma grande vitória para Mauricio Macri, o presidente do país…


BRASIL: DIA MENOS POSITIVO POR AQUI.

Um dia menos positivo… O Ibovespa opera em baixa desde a abertura, mas intensificou sua queda diante da perda de fôlego das bolsas americanas. O índice interrompe a sequencia de altas dos últimos dias, embora ainda se sustente os 72 mil pontos. O destaque negativo? As varejistas. O mais resiliente? O setor de mineração & siderurgia.

Sobre o Ibovespa: um destaque… Os papéis da Smiles e Multiplus recuam firmes nesta 3ª. De pano de fundo segue a cautela dos investidores com a possível inclusão dos programas de milhagens aéreas na lista de pagamentos sujeitos à regulação do Banco Central. Por sinal, o projeto de lei é o mesmo que visa a regulamentação de moedas virtuais, como o Bitcoin. A aprovação (isto é, caso ocorra) pode impactar negativamente os resultados das financeiras. Seja como for, é algo que deve continuar a influenciar com esses papéis.

Com o bolso apertado (agora, e em 2018)… Aqui, é dia de agenda fraca, e assim, o mercado fica de olho nas contas fiscais do Governo. Não há, no entanto, grandes novidades neste front. O mercado seguirá monitorando este tema. Entre os destaques: (i) decisão do STF que obrigou um reajuste automático para os funcionários públicos federais em janeiro; (ii) imposto maior sobre fundos de investimento exclusivos que está “estacionado” no Congresso; e (iii) reoneração da folha de pagamentos que também ficou para 2018.

Impostos? Será? Em contrapartida, Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, afirmou não descartar o aumento de impostos em 2018 para compensar a não aprovação de medidas fiscais enviadas pelo governo. Em conversa com jornalistas, Meirelles disse que está verificando o que é possível fazer para recorrer de liminar do STF (confira mais no Mercados Hoje). Mais: Meirelles ainda reconheceu que há risco de rebaixamento da nota de crédito do Brasil antes da votação da reforma da Previdência. A situação não está fácil. As contas públicas já começam pressionadas no início de 2018.

De volta para casa… Fora do noticiário político, Marcelo Odebrecht deixou a sede da PF em Curitiba na manhã desta 3ª. A partir de hoje, o empresário volta para sua residência em São Paulo, onde cumprirá prisão domiciliar e continuará a utilizar sua tornozeleira eletrônica. O “príncipe”, como é chamado, voltou.

Mais sobre os mercados… O dólar sobe frente ao real, em dia misto para as moedas dos emergentes. Na mesma linha, os DIs também sobem, em meio às preocupações com a situação fiscal do Brasil. Ainda assim, é dia pouco menos claro lá fora, vale frisar. A percepção de risco-país, medida pelo CDS de 5 anos, por exemplo, vai registrando leve baixa nesta tarde, na contramão das pressões altistas sobre dólar e juros. Note: os mercados locais, com viés mais negativo hoje, seguem a perspectiva que desenhamos pela manhã (veja o Mercados Hoje).

 

 

 

Rafael Gad Passos – Equipe Econômica

 

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,92%, aos 72.441 pontos;
Real/Dólar: +0,38%, cotado a R$3,301;
Dólar Index: -0,07%, 93,627;
DI Jan/21: +05 pontos base; 9,350%;
S&P 500: -0,22%, aos 2.684 pontos.

*Por volta das 15h37, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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