Mercados Hoje: petróleo afunda e puxa mercados

Tempo de leitura: 10 minutos

Introdução:

Internacional

• Mercados globais abrem a semana em tom negativo, acompanhando uma queda brusca nos preços do petróleo;
• Preço da commodity chega a níveis não vistos há 21 anos nos EUA após crescimento nos estoques intensificarem preocupação com os impactos da forte queda da demanda mundial na dinâmica de preços do mercado;
• EUA e China preparam novos estímulos econômicos;
• Fed de Chicago divulga seu índice de atividade nacional às 9h30;
• Leitura preliminar do PMI de abril é destaque na Europa e nos EUA nesta 5ªf.

Brasil

• Piora externa puxada por queda no petróleo deve pressionar ativos brasileiros em meio a nova escalada da crise política no país;
• São Paulo supera o liminar de 1.000 mortes ocasionadas pelo Covid-19;
• Bolsonaro participa de protestos contra a quarentena em frente ao Quartel General do Exército em meio a cartazes que clamam por intervenção militar;
• Câmara deve votar PEC do Orçamento de Guerra e Senado deve analisar expansão do auxílio para trabalhadores autônomos;
• Arrecadação federal de março é principal destaque da agenda de indicadores da semana.

CENÁRIO EXTERNO: PETRÓLEO AFUNDA E PUXA MERCADOS


Mercados… Mercados asiáticos iniciaram a semana mistos, sem grandes destaques. Na zona do euro, bolsas abriram negociações em tom mais negativo: o Stoxx 600, índice que abrange ativos de diversas regiões do bloco europeu, registra baixa de 1,0% até o momento. Em NY, índices futuros também ensaiam abertura negativa para ativos de risco americanos, com perdas da ordem de 2,0%, enquanto o dólar (DXY) interrompe movimento de queda contra seus principais pares do G10. No plano das commodities, ativos se movimentam predominantemente em terreno negativo. Como destaque, o preço do petróleo (Brent Crude) recua 5,0%, é negociado abaixo dos US$ 27,00/barril.

Petróleo afunda e puxa mercados…  Bolsas internacionais iniciaram a semana em tom negativo, com investidores avaliando uma nova queda brusca nos preços do petró;;;;leo. O ativo do tipo Brent recua 3,6%, negociado aos US$ 27,00/barril, enquanto o WTI cai mais 25,9% em NY, ficando abaixo de US$ 15,00/barril – menor cotação nos últimos 21 anos. O crescimento acentuado dos estoques da commodity nos EUA reforçou a preocupação sobre os impactos que a forte queda de demanda terá sobre o mercado da commodity. No pano de fundo, o investidor se prepara para mais uma semana de resultados corporativos enquanto avalia uma maior estabilização dos casos de Covid-19 na Europa e nos Estados Unidos.

Porque o setor preocupa… O novo nível de preços verificado para o petróleo intensifica o stress nos mercados de ações e, principalmente, o mercado de crédito. Dado que em muitos dos grandes mercados há uma grande parcela de papéis de dívida do setor petroleiro, uma deterioração da operação das empresas sem auxílio adicional dos governos de certo irá levar a um salto na inadimplência. Mesmo com as medidas de afrouxamento monetário que vem sendo implementadas pelos Bancos Centrais – fato que tem ajudado o mercado a absorver a onda de inadimplência que acompanhou a nova crise – uma onda de quebras no setor certamente teria uma repercussão forte nas condições financeiras globais. Partindo daí, a situação só se agrava por estarmos em um momento em que empresas de praticamente todos os setores da economia estão tendo dificuldade de pagar suas obrigações – o resultado seria um efeito bola de neve que levaria a crise a tomar novas proporções.

Novos estímulos no radar…  Em meio à pressão econômica gerada pela crise, autoridades nas maiores economias do mundo já estão iniciando planos para novos estímulos nos âmbitos fiscal e monetário. Nos EUA, o partido Democrata e a equipe de governo de Donald Trump estão se aproximando de um acordo para liberar mais US$ 500 bilhões em um pacote que terá como finalidade ajudar pequenas empresas e prover recursos para hospitais sobrecarregados pela epidemia. O Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse estar otimista de que o texto passe pela casa já nesta 2ªf para ir ao Senado na 3ªf. Enquanto isso, o governo chinês e o PBoC (BC chinês) prometeram novos estímulos no âmbito monetário após bancos reduzirem suas taxas de empréstimo.

Agenda… Nesta 2ªf, o destaque da agenda fica com o índice de atividade nacional do Fed de Chicago (CFNAI) de março, às 9h30. Ao longo da semana, o investidor também avaliará o índice Zew de expectativas na zona do euro – um dos principais indicadores de confiança da economia europeia – e as leituras preliminares de abril dos Índices de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) dos EUA e da Europa (ambos na 5ªf).

BRASIL: PARTICIPAÇÃO DE BOLSONARO EM ATO ANTI-QUARENTENA VIRA ALVO DE CRÍTICAS

Coronavírus no Brasil…  Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já contabiliza mais de 38 mil casos positivos de Convid-19. Destes, 2.462 já resultaram em óbitos. Durante o fim de semana, São Paulo superou o limiar de 1.000 mortes. O vírus agora começa a se lastrar com mais força pelo interior e pelo litoral do estado, onde o número de mortes mais que dobrou nas últimas duas semanas.

Bolsonaro participa de protestos…  Durante o fim de semana, uma série de protestos e carreatas foram realizadas em todo o Brasil contra a continuação das medidas de quarentena. Em Brasília, um protesto realizado em frente ao Quartel General do Exército contou com a presença do presidente da República. Bolsonaro fez um discurso do alto de uma caminhonete onde declarou que não iria “negociar nada”. O protesto estava repleto de cartazes que clamavam por uma intervenção militar ou um novo AI-5, um decreto da ditadura que encerrou o Congresso Nacional.

Guerra de narrativas… O fato que o presidente desrespeitou as medidas de quarentena e fomentou a não aderência ao isolamento social é indiscutível, mas, em nenhum momento Bolsonaro discursou explicitamente contra as instituições (Legislativo ou Judiciário). Mesmo assim, os rivais do presidente argumentam que a sua mera presença no protesto é um endosso dos anseios antidemocráticos do público ali presente.

Governadores e Legislativo criticam… Como resposta ao discurso do presidente no ato anti-quarentena, 20 governadores assinaram uma carta que criticou a postura de Bolsonaro. O documento, de autoria do Fórum dos Governadores, manifestou apoio aos presidentes do Legislativo, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM- AP), que os governadores entendem como alvos dos protestos. Na semana passada, em entrevista concedida à CNN, o presidente da República acusou Maia de conspirar contra o governo. Durante o fim de semana, Maia publicou um comentário no Twitter relatando que “No Brasil temos de lutar contra o Corona e o vírus do autoritarismo”, em uma clara critica à participação do presidente nos atos contra as medidas de quarentena.

Principais pautas da semana… Apesar do abreviamento da semana em razão do feriado de Tiradentes, importantes projetos devem ser votados no Congresso. Principal entre eles deve ser a analise do Orçamento de Guerra por parte da Câmara dos Deputados, que precisa ser aprovada novamente após alterações feitas no Senado. A Câmara também analisará um projeto que trata de empréstimos compulsórios para empresas com patrimônio liquido ≥ R$ 1 bilhão. No Senado, os principais itens a serem abordados devem incluir uma expansão do auxílio de R$ 600 para autônomos, que pode agregar um leque mais amplo de beneficiados, e a MP do Contrato Verde e Amarelo, que pode expirar ainda hoje.

Agenda… Em semana que conta com feriado na 3ªf, a agenda de indicadores vem praticamente esvaziada. Como destaques, o boletim Focus (2ªf) traz as atualizações das projeções econômicas do mercado e a arrecadação federal (sem dia definido) de março apresentará novas pistas sobre os impactos da pandemia sobre a economia brasileira no mês em que se iniciaram as medidas de afastamento social.

E os mercados hoje? … Mercados globais iniciaram a semana em tom negativo, acompanhando uma maior preocupação após uma nova queda brusca do petróleo. Ao longo da semana, investidores ainda esperam uma nova rodada de resultados corporativos enquanto avaliam uma maior estabilização dos casos de Covid-19 nas economias centrais, que já sinalizaram disposição para reabrir gradativamente. No Brasil, a disputa que se acirrou na 5ªf entre o Executivo e o Legislativo preocupa, arriscando uma crise institucional em meio à crise. Junto da piora no exterior, esta puxada pela queda nos preços do petróleo, o fato deve gerar pressão adicional sobre o mercado local. Tendo isso em vista, esperamos um dia de viés negativo para ativos de risco brasileiros.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,55% aos 78.990;
BR$/US$: -0,015% cotado a 5,23;
DI Jan/27: -10 bps cotado a 6,85%
S&P 500: +2,68% aos 2.874.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

Jornais:

VALOR
– STF e políticos repudiam ato contra o Congresso
– Dependência da China começa a ser questionada
– Os hospitais de campanha ativam Progen
– AES Tietê rejeita fusão de R$ 6,6 bi

O GLOBO
– Governo fará mapa de brasileiros já imunizados
– STF, Congresso e governadores repudiam Bolsonaro
– Crise deve deixar mais milhões na miséria
– O efeito mais sombrio da pandemia

FOLHA DE S.PAULO
– ‘Não queremos negociar’, diz Bolsonaro em ato pró-golpe
– SP tem salto de pedidos de socorro feitos de residências
– Mulheres deverão sofrer mais com a crise econômica
– Para 89%, médico é quem define uso da cloroquina

O ESTADO DE S.PAULO
– ‘Não queremos negociar’, diz Bolsonaro em ato pró-ditadura
– Mortes em SP superam 1 mil; Brasil tem 115 óbitos em 1 dia
– Médicos relatam dramas do front de combate ao vírus
– ‘Invisíveis’ não têm acesso a ajuda de R$ 600

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