Mercados Hoje: incerteza prevalece sobre fluxo positivo do feriado

Tempo de leitura: 10 minutos

Introdução:

Internacional

• Mercados globais iniciaram a semana com leve viés negativo;
• Incerteza deve marcar temporada de resultados corporativos do 1T20 nos Estados Unidos;
• Opep + confirma acordo histórica por redução na produção de petróleo, mas medida tem pouca repercussão sobre preço da commodity;
• Curvas de contágio na Europa e nos EUA apresentam novos sinais de arrefecimento;
• Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) chinês divulga PIB do 1T20 nesta 5ªf.

Brasil

• Curva de casos tem novo sinal de melhora, mas mercado deve continuar passageiro da dinâmica externa;
• Brasil registra mais de 1.200 mortes como resultada da epidemia do coronavírus;
• Banco Mundial prevê retração de 5% para a economia brasileira em 2020;
• Novo Plano Mansueto e Orçamento de Guerra estão entre os principais itens da pauta do Congresso para a semana;
• Estados e municípios constroem 80 hospitais de campanha para reforçar número de leitos para receber pacientes do Covid-19.


CENÁRIO EXTERNO: INCERTEZA PREVALECE SOBRE FLUXO POSITIVO DO FERIADO

Mercados… Mercados asiáticos encerraram pregões com leve viés negativo. Na zona do euro, as principais bolsas não abrirão para negociações em função feriado de Páscoa. Em NY, índices futuros operam em baixa, com perdas da ordem de 1,5% até o momento, enquanto o dólar (DXY) interrompe sequência de queda contra seus principais pares do G10. No plano das commodities, ativos se movimentam sem direção única. O petróleo (Brent Crude) opera estáveis ao redor de US$ 31,50/barril.

Incerteza prevalece sobre fluxo positivo do feriado… Bolsas internacionais iniciaram a semana em tom levemente negativo, com investidores se preparando para o início da temporada de balanços nos EUA. A grande incerteza derivada das medidas de afastamento social no período deve marcar a divulgação dos resultados corporativos do 1T20. No feriado, os destaques ficaram com o firmamento de um acordo histórico pelo corte na produção mundial de petróleo e com um novo arrefecimento nas curvas de contágio do Covid-19 na Europa e nos EUA.

Opep + e produtores mundiais chegam a acordo histórico… A Organização de Países Produtores de Petróleo (Opep) e outros países produtores de petróleo chegaram a um acordo histórico pela redução da produção de petróleo, pondo um fim à guerra de preços que vinha sendo travada entre Rússia e Arábia Saudita. O grupo se comprometeu a reduzir a produção da commodity em 9,7 milhões de barris/dia, quantidade que equivale a quase 10% da oferta mundial, nos próximos 2 meses (maio e junho). Os EUA, o Brasil e o Canada irão contribuir com um corte adicional de 3,7 milhões de barris/dia, e outros países membros do G20 com uma redução de mais 1,3 milhão de barris/dia.

Petróleo segue volátil após fim das negociações… Apesar do fim da guerra de preços trazer um alívio adicional para o cenário, o preço do petróleo segue apresentando uma trajetória bastante volátil no início desta semana. Após registrar avanços na notícia de que o acordo vinha sendo firmado, a commodity voltou a devolver os ganhos e já opera em terreno negativo, reflexo da avaliação de que o corte não será suficiente para balancear o mercado dada a forte queda da demanda mundial promovida pelo surto de Covid-19 ao redor do mundo. Segundo projeções de mercado, a demanda pode estar defasada em até 35 milhões de barris/dia, valor aproximadamente 3 vezes maior do que o corte anunciado.

Atualização Covid-19… Na fronte de avaliação das curvas de contágio da doença, o noticiário também veio em fluxo mais positivo no final de semana. Assim como foi verificado na semana passada, os números de novos casos na Europa e nos EUA continuaram mostrando sinais de arrefecimento. No velho continente, destaque para a Espanha, que registrou o menor número de novos casos (3.477 nas últimas 24 horas) desde o dia 20 de março, 6 dias após a instauração da quarentena. Do outro lado do Atlântico, nos EUA, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, voltou a declarar algumas partes do país poderão estar aptas a afrouxar medidas de confinamento já a partir de maio.

Agenda… Nos EUA, os principais destaques da agenda se concentram na 4ªf, com as divulgações da produção industrial das vendas no varejo de março, além do livro Bege do Fed, onde os formuladores de política monetária expõem a sua visão sobre a situação atual da economia americana. Na China, além da balança comercial mensal de março (sem dia definido), o investidor acompanha a divulgação de uma séria de indicadores econômicos para o mês, acompanhados do PIB do 1T20 (5ªf) – este com projeção de contrair 6,0% a/a no período. Por fim, na zona do euro, as atenções se voltam para a produção industrial de fevereiro (5ªf) e para o índice de preços ao consumidor de março (6ªf).


BRASIL: BANCO MUNDIAL PREVÊ RETRAÇÃO DE 5% PARA A ECONOMIA BRASILEIRA

1.223 óbitos…  Durante o fim de semana, o Brasil ultrapassou o liminar de 1.000 mortes como resultado da epidemia do coronavírus. Os mais recentes dados, divulgados no sábado, apontam 22.169 casos confirmados e 1.223 mortes. Quase metade destes (8.755), ainda se concentram no estado de São Paulo, mas mortes já foram registradas em todos os entres federativos, com o estado de Tocantins sendo a única exceção.

Banco Mundial prevê retração de 5% para a economia brasileira… O relatório semianual do Banco Mundial prevê uma retração de 5% para a economia brasileira em 2020. Para os dois anos seguintes, a entidade projeta uma taxa de crescimento de 1,5% e 2.3%. O banco aponta a queda repentina no preço do petróleo e a epidemia do coronavírus como os principais culpados. Segundo o relatório publicado no domingo, as principais economias da América Latina devem sofrer retrações similares: Argentina (-5,2%), Chile (-4,8%) e México (-6%). A projeção oficial do Ministério da Economia, divulgada no dia 20/03, projetou que o PIB brasileiro fecharia o ano de 2020 próximo do zero a zero (0,02%).

Novo Plano Mansueto e Orçamento de Guerra devem ocupar Congresso… Na Câmara dos Deputados, o principal item na pauta da presente semana deve ser o Novo Plano Mansueto, projeto que rege a transferência emergencial de recursos da União para os estados e munícipios. No Senado, as discussões em torno do orçamento paralelo de combate ao Covid-19 e seus impactos econômicos, conhecido como o Orçamento de Guerra, devem dominar os debates.

Leitos de UTI…  Segundo levantamento feito pelo jornal O Globo, existem ao menos 80 hospitais em construção para ampliar o número de leitos disponíveis para o tratamento de pacientes infectados pelo Covid-19. As instalações improvisadas devem adicionar 9.282 leitos de enfermaria e 1.428 Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para reforçar o sistema de saúde nacional. A maioria dos projetos resultaram de inciativas tomadas por prefeituras e estados, mas o governo federal deve erguer ainda mais hospitais de campanha em estados que solicitem mais vagas. A primeira destas obras financiadas pela União, atualmente sendo construída no estado de Goiás, foi visitada pelo presidente da República, junto aos ministros Mandetta (Saúde) e Tarciso (Infraestrutura), no último sábado.

Agenda… No Brasil, a agenda de indicadores semanal é de poucos destaques. Na 3ªf, as atenções se voltarão para o BCB na divulgação do IBC-Br, espécie de PIB mensal divulgado pela instituição. A nossa expectativa é que o indicador aponte para um avanço de 0,2% da economia em fevereiro, valor que representaria um crescimento de 0,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Para fechar a semana, a FGV divulga a 2ª prévia do IGP-M para o mês de março.

E os mercados hoje? Mercados globais iniciaram a semana com leve viés positivo, com investidores se preparando para o início de uma temporada de balanços turbulenta nos Estados Unidos. A manutenção do cenário de forte incerteza continua pressionando ativos de risco, apesar do fluxo de notícias mais positivo no feriado. No Brasil, o mercado continua avaliando a curva de contaminação da Covid-19 e o tempo que manterá a economia funcionando de forma debilitada. Na falta de novidades relevantes nesta frente, o mercado local continua refém da dinâmica verificada no exterior. Tendo tudo isso em vista, esperamos um dia de viés negativo para ativos de risco brasileiros.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,20% aos 77.681
BR$/US$: -0,26% cotado a 5,10;
DI Jan/27: -15 bps cotado a 7,45%
S&P 500: +1,45% aos 2.789.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

Folha de São Paulo
– Governo paga até o triplo em itens para coronavírus
– Eduardo Suplicy: Vou viver para ver a renda básica implementada
– Itaú fará doação de R$ 1 bilhão para conter coronavírus
– PIB brasileiro deve cair 5%, diz Banco Mundial

O Estado de São Paulo
– País tem alta de 2 mil mortes por problemas respiratórios
– Aras diz que Bolsonaro pode definir isolamento
– Banco Mundial vê queda de 5% no PIB brasileiro

Valor
– Socorro atinge 7,8% do PIB, mas gera incertezas
– Itaú anuncia hoje doação de R$ 1 bilhão
– Setor químico vai investir na produção local
– Pandemia interrompe fusões e aquisições

O Globo
– Um quarto dos mortos por covid-19 já não faz parte dos grupos de risco
– Mandetta diz esperar ‘fala única’ no governo
– Calamidade fará déficit as contas superar R$ 500 bi
– Boris Johnson diz que deve a vida a sistema público de saúde

 

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