Cotações por TradingView

Mercados Hoje: de olho no amanhã

Tempo de leitura: 8 minutos

Introdução: Os mercados internacionais têm dia mais favorável, com bolsas em alta, e perspectivas de melhor crescimento nos EUA. Em especial, investidores reagem à possibilidade de uma reforma tributária nos EUA. O dólar se valoriza no exterior. Aqui, no Brasil, o Planalto tenta pensar no período pós-denúncia. Os dados de atividade têm sido um pouco menos animadores, e o IPCA-15 (divulgado hoje) mostrou uma aceleração (já esperada) em outubro.


CENÁRIO EXTERNO: MERCADOS REAGEM BEM À POSSÍVEL REFORMA DOS EUA.

O “básico” dos mercados… As bolsas sobem na Europa, após sessão de ganhos na Ásia. Nos EUA, as bolsas subiram ontem, e tudo indica que continuarão firmes hoje. O dólar se valoriza, e os juros das Treasuries sobem. As commodities, por outro lado, recuam, em sua maioria. O Brent volta à casa dos US$56/barril.

Para hoje… Nos EUA, a agenda de indicadores “macro” é fraca. Destaque à venda de casas (já existentes), em setembro (12h). Além disso, esperam-se 2 falas do Fed: (1) Loretta Mester (16h), sobre regulação; e (2) Janet Yellen (21h30), sobre “A política monetária desde a crise financeira”.

A dúvida de todos (e de Trump)… Segue a incerteza sobre quem presidirá o Fed, a partir de fev/2018. Ontem, Trump se reuniu com Yellen, a atual presidente, mas pouco veio à tona sobre tal encontro. Ainda não há nada decidido, mas ganha forças o nome de Jerome Powell, membro do Fed desde 2012, nas casas de apostas.

Quem é Powell? Advogado, republicano, nascido em 1953, e com experiência no mercado financeiro. Em tese, alguém que seria a favor de afrouxar a regulação dos mercados, mas que, ao mesmo tempo, contribuiria para dar “continuidade” à gestão de Yellen. Assim, ao contrário de candidatos como Warsh e Taylor (considerados “hawkish”), não deve gerar, caso escolhido, uma reação mais acentuada – de alta – sobre o dólar e os juros das Treasuries.

Os planos de Donald… Ontem foi aprovado (por 51 a 49), no Senado dos EUA, um orçamento fiscal, que, segundo analistas, deve abrir espaço para que a reforma tributária do presidente Trump saia do papel. Afinal, a resolução aprovada permitirá isto, sem a necessidade do apoio dos democratas. Esperam-se novas votações até o final do ano. Isto, claro, pode aquecer ainda mais a economia americana…

A China, e o “momento Minsky”… O economista Hyman Minsky (1919-1996), que estudou os períodos de instabilidade financeira, tem sido lembrado, num momento de baixa volatilidade, que pode acabar culminando em comportamentos irresponsáveis por parte dos investidores. O presidente do BC chinês, diga-se de passagem, reconheceu em discurso recente: “precisamos nos defender disto”.


BRASIL: PLANALTO PENSA NO PERÍODO PÓS-DENÚNCIA.

O dia depois do amanhã… O Planalto se concentra naquilo que pode acontecer pós-denúncia na Câmara. Afinal, a despeito dos “ruídos” recentes, espera-se que este seja “enterrada” (já na próxima semana). Aqui, um dos problemas destacados pelos jornais locais de hoje: enquanto o Planalto dá preferência à agenda de reformas fiscais (veja alguns pontos a seguir), parlamentares buscam, cada vez mais, uma agenda própria, menos impopular, e de olho na reeleição.

Os números da insatisfação… Segundo o Valor, auxiliares do presidente – ao contrário daquilo que aconteceu na 1ª denúncia – não declararam nenhuma expectativa de placar para a votação em plenário desta 2ª denúncia. Na 1ª, Temer teve 263 votos a favor, mais do que a maioria absoluta, de 257. Nesta, espera-se algo entre 230-240, mas os mais pessimistas falam em 210. Para mostrar força política, o Planalto, segundo o Estadão, estaria estimulando o PMDB a punir as “traições”.

Alguns pontos do Planalto… (1) reforma da previdência (um novo projeto já estaria em análise, e Temer não teria desistido dele); (2) simplificação tributária; (3) projetos de lei – e não MPs, a pedido de Rodrigo Maia (DEM-RJ) – que visem contribuir para o ajuste fiscal (textos devem ser enviados ao Congresso até a semana que vem); e até (4) viagens ao exterior (em janeiro/18, irá ao sudeste asiático e ao Oriente Médio, por exemplo). 

Inflação… O destaque da agenda “macro” de hoje? O IPCA-15 de outubro: +0,34% m/m, após 0,11% de setembro, e praticamente em linha com o esperado pelo mercado (+0,35%). Em 12 meses, foi para 2,71%, após 2,56% acumulados até setembro. Vimos, portanto, uma aceleração já antecipada… 

Arrecadação… Para a Fazenda, boas notícias: a arrecadação de impostos, em setembro, teve um bom resultado: R$105,59 bi. Em termos reais, frente ao mesmo período do ano passado, a arrecadação subiu expressivos 8,7%. Além do Refis, impostos associados à atividade econômica contribuíram positivamente.

Mercado de trabalho… Dados do CAGED: em setembro, houve criação de 34,4 mil vagas formais. Mas, feito o ajuste sazonal, o saldo passou de -7,7 mil em agosto para -24,3 mil em setembro. Ou seja: notícias menos animadoras, ainda que, no comércio, vejamos ainda uma criação de postos de trabalho. Não espere, portanto, uma recuperação “linear”.

Selic… Segue – e talvez até reforçada, dada a recente rodada de dados de atividade menos animadores – a expectativa de queda de juros à frente. Para o próximo COPOM (semana que vem), espera-se que a Selic vá para 7,50%, dos atuais 8,25%. Para o final do ano, espera-se (nós, inclusive), que chegue a 7,00%. Ficaria, portanto, abaixo da sua mínima histórica, de 7,25%.

E os mercados hoje? Embora a percepção de risco-país (CDS de 5 anos) recue, o dólar e os DIs tendem a registrar uma pressão altista nesta sessão (reação ao exterior, e aos dados de inflação por aqui). A bolsa, embora possa ser afetada negativamente pelas commodities, deve se sustentar, em meio a um ambiente positivo para ativos de risco lá fora.

 

 

Ignacio Crespo Rey – Economista

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,40%, aos 76.283 pontos;
Real/Dólar: +0,00%, cotado a R$3,170;
Dólar Index: -0,10%, 93,266;
DI Jan/21: -08 pontos base, 8,830%;
S&P 500: +0,03% aos 2.562 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


Empresas:

B3: IPO do Burger King
Impacto: Marginalmente positivo.

Setor Imobiliário: Construtoras do segmento de baixa renda caem com especulação sobre as possíveis redução empréstimos da CEF
Impacto: Neutro.

 

 

Luis Gustavo Pereira – Estrategista

 


Jornais:

Folha de São Paulo
– Por votos na Câmara, Temer promete não privatizar Congonhas
– Agência líder burlou regra em licitação feita pelo Turismo
– Gilmar falou com Aécio antes de decisão favorável ao tucano
– Meninas mortas têm identidade confirmada em SP

O Estado de São Paulo
– Base rejeita pauta de Temer para economia após denúncia
– Criação de empregos cresce pelo 6º mês consecutivo
– Planalto admite rever portaria do trabalho escravo
– Gilmar e Aécio se falaram em dia de decisão no STF

O Globo
– Investimentos só devem se recuperar em sete anos
– Pressão sobre Aécio aumenta dentro do PSDB
– Dodge: Geddel é chefe de grupo criminoso
– Nuzman vira réu e é libertado pelo STJ

Valor Econômico
– Chineses têm embate com CVM e minoritários da CPFL
– Analistas veem juros baixos no ano eleitoral
– Imbróglio político para frigoríficos do Estado do MS
– Liberação do PIS pode ser mais ampla

Contatos

Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
[email protected]

Equipe Econômica

Ignácio Crespo Rey
[email protected]

Lucas Stefanini
[email protected]

Rafael Gad
[email protected]

*A área de Renda Variável é a responsável por todas as recomendações de valores mobiliários contidas neste relatório.
“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores, para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações.Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 17 da Instrução CVM nº. 483/10, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.“

Relacionados

Apito Final | Nova variante da covid faz bolsas tombarem na Black Friday

Internacional • Ativos de risco globais entraram em derrocada com detecção de nova variante potencialmente resistente às atuais vacinas. Brasil • Ibovespa afundou e [...]

Rafael Gabriel Pacheco - 26/11/2021

Guide Mercados Hoje: Risk off: variante sul-africana traz pandemia de volta ao centro das preocupações na black friday

No Mercados Hoje falamos sobre a abertura do mercado e listamos os principais acontecimentos do noticiário e da agenda econômica no [...]

Victor Beyruti Guglielmi - 26/11/2021

Apito Final | Bolsas internacionais tiveram dia de alta com feriado nos Estados Unidos

Internacional • Feriado americano favoreceu bolsas internacionais depois de dia movimentado no campo dos indicadores. Brasil • Ibovespa fechou em alta com valorização da [...]

Rafael Gabriel Pacheco - 25/11/2021
Logo o guia financeiro

Entrar

Como deseja continuar?

Abra sua conta

Preencha os campos abaixo
ou use uma das opções