Mercados Hoje: Crônica de um desembarque

Tempo de leitura: 7 minutos

Introdução: Investidores acompanham de perto a viagem de Trump à Ásia, que pode tocar em temas sensíveis, como a relação comercial e a Coreia do Norte. Vemos maior cautela nas bolsas da Europa, apesar de bons dados econômicos. No Brasil, Temer tenta reunificar a sua base, em meio às especulações de (possível ou inevitável?) desembarque tucano do governo. Economistas mantém projeções de IPCA, PIB e Selic para 2017 e 2018, segundo o Focus.


CENÁRIO EXTERNO: VIAGEM DE TRUMP À ÁSIA É DESTAQUE.

O “básico” dos mercados…   É dia favorável para as commodities. O petróleo (brent), em alta, opera na casa dos US$62/barril. O dólar opera estável frente a seus principais pares, mas a maioria das moedas dos emergentes se valoriza. Os juros das Treasuries recuam. Quanto às bolsas: na Europa recuam; e futuros americanos operam em leve baixa.

Fora de casa…   O presidente Trump viajou à Ásia (passará por 5 países em 11 dias). Deve focar nas relações comerciais (aliás, já acusou o Japão de adotar práticas injustas!), e se esforçará para pressionar a Coreia do Norte, tentando desestimular o uso de armas nucleares. À China, Trump deve chegar numa posição menos favorável para negociar (e pressionar), dada a força atual do líder do país, Xi Jinping.

Agenda de hoje…   Nos EUA, 11 empresas do índice S&P 500 divulgam seus números hoje. No front macro, há pouco para destacar, além do discurso de William Dudley, o presidente do Fed de NY (15h10). Na zona do euro, boas notícias: foi divulgado o índice PMI sobre o setor de serviços de outubro, que confirmou uma melhora frente ao mês anterior.

Dança das cadeiras…  De acordo com notícias de ontem, Dudley – o 3º mais importante na estrutura do Fed, segundo analistas (logo após o presidente e o vice, claro) – deve anunciar que irá se aposentar, 6 meses antes do agendado. Assim, 3 posições no conselho de 7 ficariam em aberto – algo que dá ao presidente Trump poder de mudar a instituição de forma significativa.


BRASIL: TEMER TENTA UNIFICAÇÃO, MAS FHC DEFENDE DESEMBARQUE DOS TUCANOS.

A união faz a força…  Temer recebe hoje líderes da Câmara no Planalto (18h), incluindo o presidente da Casa Rodrigo Maia (DEM-RJ). O governo precisa juntar esforços, faltando apenas 6 semanas para que o Congresso entre em recesso (sem contar feriados). Afinal, Temer ainda sonha em aprovar o ajuste fiscal “possível”, que inclui, além das “MPs do ajuste”, a reforma da previdência e simplificação tributária.

Dos dois lados (óbvio)…   Contrárias a tudo isso, as centrais sindicais anunciaram na semana passada que devem fazer uma paralização geral na próxima 6ª, dia 10, contra a reforma trabalhista – que, em tese, começa a valer a partir do próximo sábado, dia 11 – e o governo Temer.

E se deixarmos o barco? Nos jornais locais, comenta-se que o PSDB pode acabar deixando o governo Temer. No próximo domingo, acontecem as convenções estaduais do partido, e a demanda da direção paulista pode ganhar forças. Na Folha, um tom mais forte: comenta-se que o desembarque é algo inevitável, e é questão de tempo, apenas…

A força de FHC…  Ganha força, portanto, o “pedido” de FHC. Em matéria do O Globo, neste domingo, afirmou: “ou o PSDB desembarca do governo na Convenção de dezembro próximo, e reafirma que continuará votando pelas reformas, ou sua confusão com o peemedebismo dominante o tornará coadjuvante na briga sucessória”. Percebe-se, de forma nítida, que as eleições presidenciais vão ganhando maior importância…

Agenda de hoje…  No front macro, além do Boletim Focus (veja mais a seguir), temos 2 números: (i) índice PMI sobre o setor de serviços (10h); e (ii) balança comercial semanal (15h). No front micro, 3 empresas do Ibovespa divulgam seus números: BB Seguridade, Smiles e Localiza (as 2 últimas, apenas após o fechamento de mercado).

Boletim Focus…  O mercado não fez mudanças relevantes em suas projeções, de uma semana pra cá. Para o IPCA, prevê 3,08% para 2017, e 4,02% para 2018. Para o PIB, +0,73% para 2017, e +2,50% para 2018. Por fim, para a Selic, uma taxa de 7,0% até o final deste ano, que permaneceria assim até o final de 2018.

A mesma mensagem…  O presidente do BC, Ilan Goldfajn, concedeu uma entrevista ao Correio Brasiliense. Reforçou a perspectiva de uma Selic em 7,0% até o final do ano, e deixa a porta aberta para 2018. Por enquanto, estamos em linha com o mercado, e vemos uma continuidade de taxas baixas por algum tempo.

E algumas sinalizações…  Ao ser questionado sobre o próximo ano, Ilan respondeu: “Nosso papel no BC será o de manter o sistema mais estável e calmo possível”. Também fez uma clara separação entre “os juros caírem” e “os juros permanecerem baixos”. Para a 2ª se materialize, será preciso aprovar mais reformas…

E os mercados hoje?   Ficaremos bastante atentos ao mercado externo, que pode favorecer os ativos locais. Assim, temos um viés em bolsa mais positivo, e de baixa em dólar e juros futuros. Atenção ao front político, que começa a agitar cada vez mais os mercados.

Ignacio Crespo Rey – Economista


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,12%, aos 73.915 pontos;
Real/Dólar: +1,46%, cotado a R$3,313;
Dólar Index: +0,27%, 94,941;
DI Jan/21: +15 pontos base, 9,410%;
S&P 500: +0,31% aos 2.587 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


Empresas:

BB Seguridade: Números do 3T17.
Impacto: Neutro.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Emprego depende de cortes de direito, diz presidente do TST
– Atirador abre fogo em igreja no Texas e mata pelo menos 26
– Para fiscalização, contas de Alckmin têm caixa-preta
– Facebook e Twitter tiveram aportes de estatais russas

O Estado de São Paulo
– Atirador invade igreja no Texas, mata 26 e fere 20
– Governadores se livram de investigações da Lava Jato no STJ
– Tema do Enem surpreende
– Líder catalão se entrega na Bélgica

O Globo
– Pezão deu aval a caixa 2 de R$ 5 milhões, diz marqueteiro
– Atirador mata 26 em igreja no Texas
– Enem evita polêmica de direitos humanos
– Transporte avançou mais para os ricos

Valor Econômico
– TCU quer exigir de bancos da União devolução de R$ 39 bi
– Tanure avança e Oi pode perder gestão
– Esquerda do PSDB quer Alckmin em 2018
– Juro baixo faz debêntures encalharem

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