Mercados Hoje: Bolsonaro promete veto que reinstitui contrapartida fiscal ao projeto de auxílio aos estados e municípios

Tempo de leitura: 9 minutos

Introdução:

Internacional

• Mercados globais caminham para fechar mais uma semana no verde;
• Otimismo com reabertura econômica e conversa entre representantes comerciais de China e EUA impulsionam o desempenho de ativos de risco;
• Atenção do mercado se volta ao Relatório de Emprego de Abril nos EUA.

Brasil

• Bolsonaro promete veto parcial que reinstitui contrapartida fiscal ao projeto de auxílio aos municípios;
• Promessa de veto do Presidente deve abrir espaço para que mercado local se beneficie de um exterior menos avesso ao risco;
• Elevação do impacto fiscal do congelamento de salário de servidores – a contrapartida do auxílio prestado aos entes inferiores – deve aliviar real frente ao dólar após forte pressão na 5ªf;
• Presidente da República visita STF para discutir destruição irreversível da economia;
• Compras digitais crescem 81% em abril;
• Deflação em abril deve levar inflação em 12 meses para abaixo do piso da meta do CMN.


CENÁRIO EXTERNO: CENÁRIO NEBULOSO MOVIMENTA MERCADOS

Mercados… Mercados asiáticos encerraram a semana em tom predominantemente positivo, com bolsas de Tóquio, Hong Kong e Xangai avançado 2,6%, 1,0% e 0,8%, respectivamente. Na zona do euro, índices de mercado também ensaiam dia favorável para ativos de risco. O Stoxx 600, índice que abrange ativos de diversas regiões do bloco europeu, sobe 0,7% até o momento. Em NY, índices futuros operam com o mesmo viés verificado na Europa, com altas da ordem de 0,8%, enquanto o dólar (DXY) regista ligeira desvalorização contra seus principais pares do G10. No plano das commodities, ativos continuam a se movimentar em terreno positivo. O preço do petróleo (Brent Crude) avança 1,8%, negociado próximo dos US$ 30,00/barril.

Mais uma semana no verde… Bolsas globais ensaiam nova sessão de alta, caminhando para fechar mais uma semana em território positivo. Investidores continuam avaliando o fluxo de notícias positivas em torno da reabertura dos negócios nas economias centrais e das relações comerciais de China e Estados Unidos enquanto aguardam a divulgação do Relatório de Emprego americano para o mês de abril.

EUA e China têm conversa produtiva… Segundo declaração do Ministério do Comércio Chinês, o Vice-premiê chinês teve uma conversa produtiva com o representante Comercial americano, Robert Lighthizer, e o Secretário do Tesouro do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, nesta 6ªf. As partes teriam se comprometido a criar um ambiente favorável para dar continuidade à implementação do acordo comercial assinado em janeiro, além de uma maior cooperação em assuntos econômicos e sanitários frente à pandemia. O relato de que os dois países estariam satisfeitos com o progresso que está sendo feito na China para que o gigante asiático consiga cumprir com a sua parte do entendimento aliviou parte das incertezas em torno do tema, servindo como um grande impulso para ativos de risco nesta manhã.

Payroll… Às 9h30, a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos (BLS, na sigla em inglês) divulga o seu Relatório de Emprego mensal, o principal destaque da agenda econômica americana na semana. Segundo projeções de mercado (Bloomberg), o documento deve mostrar a destruição de cerca de 22 milhões de postos de trabalho no período, resultado que apaga o número de empregos criados em quase uma década na maior economia do mundo e representa uma queda 11 vezes maior do que o declínio verificado em setembro de 1945 – no fim da 2º Guerra mundial. Caso o dado se concretize, a taxa de desemprego na maior economia do mundo superará os 16,0%, ante os 4,4% verificados em março. Frente a dados como estes, continuará a existir um forte ceticismo sobre a recente escalada dos mercados, com forte incerteza sobre quando chegaremos ao fim desta crise.


BRASIL: BOLSONARO PROMETE VETO QUE REINSTITUI CONTRAPARTIDA FISCAL AO PROJETO DE AUXÍLIO AOS ESTADOS E MUNICÍPIOS

Governo vota para limitar congelamento… Na quarta-feira, durante a votação do projeto que detalha o auxílio emergencial para os estados e municípios, o líder do governo na Câmara dos Deputados, major Vitor Hugo (PSL-GO), instruiu a base governista no plenário a apoiar um destaque que limita o escopo da contrapartida fiscal dentro do projeto (congelamento dos salários dos servidores públicos). Segundo o major, a ordem de apoiar o custoso destaque surgiu diretamente do presidente.

Bolsonaro muda de ideia e promete veto contra o limite… Porém, ontem, o presidente Jair Bolsonaro prometeu um veto parcial que garantirá a permanência integral da contrapartida dentro o projeto. Sem o veto do presidente, a economia gerada pelo congelamento seria reduzida de R$ 130 bi para R$ 43 bi. Agora, a expectativa é que uma medida provisória seja editada pelo governo para criar uma lista mais seleta de servidores públicos que não serão afetados pela pausa nos aumentos de salários.

Bolsonaro volta a pressionar por abertura… Ontem, o presidente Jair Bolsonaro prestou uma visita ao ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal para discutir as medidas de quarentena. O presidente foi acompanhado pelo ministro Paulo Guedes (Economia), outras figuras do governo e vários empresários. O encontro foi transmitido pelas redes sociais.

Venezuela… A intenção do presidente era salientar o fato que a quarentena pode prejudicar a economia deixando-a em estado irrecuperável, citando a Venezuela como exemplo. Toffoli, por sua vez, destacou a necessidade de implementar planejamento organizado no retorno da atividade econômica, mas também reconheceu a autonomia dos estados em relação às medidas da quarentena.

Críticas à visita… O presidente recebeu duras críticas na mídia após a sua passada pelo STF. Muitos veículos entenderam a visita como uma tentativa de coagir o presidente da cúpula do Judiciário a tomar alguma atitude que desvalide a autonomia dos governadores. O fato de o presidente ter defendido o retorno à normalidade logo após uma nova máxima (619) na série histórica de mortes diárias causadas pela Covid-19 também tornou o presidente alvo de críticas.

E-commerce cresce 81% em abril… De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa Compre & Confie, o setor de varejo digital faturou R$ 9,4 bilhões no mês de abril. A receita para o mês representa um aumento de 81% em comparação com o mesmo período em 2019. Segundo o mesmo levantamento, houve 24,5 milhões de compras efetuadas por meios digitais no mês, um aumento próximo de 100% em comparação com abril do ano passado. Os alimentos e bebidas registaram maior aumento (294%) entre todas as categorias.

Novo normal… Obviamente, o resultado da pesquisa sobre as vendas pela internet reflete as restrições da quarentena e o temor em torno do Coronavírus. Será interessante averiguar se a migração para os meios de compra digital representa uma alteração momentânea ou se praticas de consumo serão para sempre alteradas pelo período de distanciamento social.

Agenda… O IPCA de abril figura como o principal destaque da agenda econômica local nesta 6ªf. Esperamos uma deflação dos preços da ordem de 0,3% no período, resultado que se confirmado levará a inflação acumulada em 12 meses para 2,4%, furando o piso da meta estabelecido pelo CMN. Este resultado, ao refletir a forte queda na demanda verificada para o período, corrobora com a decisão do Banco Central de reduzir juros em maio e deixar as portas abertas para novo corte da Selic em junho. 

E os mercados hoje?… Mercados globais caminham para fechar mais uma semana no verde, com otimismo frente à reabertura econômica nas economias centrais e sinalização positiva após conversa entre EUA e China. Na agenda, as atenções se voltarão para a divulgação do Relatório de Emprego de abril nos Estados Unidos, que deve mostrar o maior declínio no número de empregos em registro no país. No Brasil, a promessa de veto do presidente à alteração que reduz o impacto fiscal da contrapartida para os Estados e município deve abrir espaço para o mercado se recuperar, empurrado por um exterior menos avesso ao risco. Tendo isso em vista, esperamos um dia de desempenho positivo para ativos de risco e de alívio ao real após forte pressão na sessão de ontem.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,20% aos 78.118;
BR$/US$: +2,27% cotado a 5,84;
DI Jan/27: +28 bps cotado a 7,63%
S&P 500: +1,15% aos 2.881.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Crise tira US$ 1 bilhão por mês do caixa da Petrobras
– Crédito a grande empresa cresce o dobro da média
– “Empresários se calam por temer represálias”
– Vale denuncia em NY fraude de US$ 500 mi

O GLOBO
– Marcha de Bolsonaro ao STF no auge da covid irrita ministros
– Com hospitais em colapso, Rio vê triplicar as mortes
– Ex-subsecretário estadual de Saúde do Rio é preso
– Presidente diz que vetará reajuste, após pressão de Guedes

FOLHA DE S.PAULO
– Bolsonaro e Guedes marcham com lobistas ao STF, que reage
– Doria planeja volta as aulas com só 20% dos alunos
– Megarrodízio tirará da rua 50% da frota de São Paulo
– Corrida por respirador leva a prisão e queda de secretário

O ESTADO DE S.PAULO
– Bolsonaro faz caravana ao STF em pressão contra isolamento
– Para presidente do STJ, exame de Bolsonaro deve ser sigiloso
– Linha de crédito para pagamento de salário tem 1% liberado
– Crise política pode afastar Brasil da OCDE

 

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