Mercados Hoje: BCs dão sequência à batalha contra o coronavírus

Tempo de leitura: 9 minutos

 Introdução:

Internacional

• Bolsas globais abrem negociações ainda em terreno vermelho;
• Bancos centrais continuam agindo de forma agressiva para amortecer impactos da crise trazida pela pandemia do Covid-19;
• A falta de novos incentivos no âmbito fiscal e a ausência de sinais de que o números de casos confirmados do vírus estão diminuindo segue pressionando ativos de risco;
• PBoC anuncia decisão de taxa de juros no fim do dia (22h30).

Brasil

• Como de costume, mercado local deve acompanhar tendência verificada no exterior;
• Mercado cambial chama atenção na abertura após Copom optar por novo corte na Selic.
• Banco Central corta juros para nova mínima histórica de 3,75%;
• Câmara dos Deputados aprova decreto da calamidade pública;
• Sindicatos visam evitar demissões com reduções salariais;
• JP Morgan prevê recessão de 1% para o Brasil em 2020;
• Panelaços contra e a favor o governo ecoam pelas capitais brasileiras.


CENÁRIO EXTERNO: BCs DÃO SEQUÊNCIA À BATALHA CONTRA O CORONAVÍRUS

Mercados… Mercados asiáticos encerraram o pregão desta 5ªF em queda livre, após bolsas europeias e americanas acumularem perdas relevantes na sessão de ontem. Na zona do euro, ativos de risco iniciaram o dia sem direção única: o STOXX600, índice que abrange ativos de diversos países do bloco, registra queda próxima de 0,3% até o momento. Em NY, futuros também abriram negociações sem tendência bem definida, enquanto o dólar (DXY) dá sequência ao rali de alta frente aos seus principais pares do G1 e se aproxima dos patamares mais altos desde o início de 2017. No plano das commodities, ativos ensaiam um dia de recuperação. O preço do petróleo (Brent crude) sobe 6,1%, voltando a operar acima do patamar de US$ 26,40/barril.

Medo continua ditando movimentos… Os mercados globais iniciaram o dia sem direções claras após mais uma sessão marcada por circuit breakers ao redor do mundo. BCs continuam agindo de maneira agressiva nas economias centrais, mas a falta de novos estímulos no âmbito fiscal, além da ausência de uma melhora no ritmo de disseminação do Covid-19, continua mantendo ativos de risco fortemente pressionados.

BCs tentam promover fôlego… A noite foi de mais ação dos principais bancos centrais do mundo, que têm trabalhado continuamente para amortecer os impactos econômicos derivados da nova pandemia. Além dos tradicionais cortes nas taxa de juros, as instituições estão acatando os clamores do mercado por mais estímulos no mercado de crédito.

ECB… Na zona do euro, o BCE anunciou um programa de compra de títulos de dívida (QE) de até EUR$ 750 bilhões em reunião extraordinária na noite desta 4ªf. A medida busca reduzir o custo de crédito enquanto os países membros se preparam para gastar mais para combater os impactos trazidos pelo novo coronavírus.

FED… Enquanto isso, nos EUA, o Fed se encontra na situação mais delicada desde 2008 e, portanto, volta a reintroduzir medidas da época. Depois de reinstaurar o Commercial Paper Fundig Facility (CPFF) para promover liquidez adicional através da negociação de notas promissórias, a instituição optou por trazer de volta a Money Market Mutual Fund Liquidity Facility, cujo principal objetivo é também reduzir a pressão no mercado de financiamento de curto prazo. Através da medida, o Departamento do Tesouro americano também conseguirá garantir US$ 10 milhões de proteção de crédito para estas operações.

Agenda… Em dia de agenda de indicadores fraca no exterior, os destaques ficarão com as transações correntes do 4T19 (9h30) e o indicador de antecedentes do Conference Board referente ao mês de fevereiro, ambos nos EUA. No fim do dia, às 22h30, o Banco Popular da China (BC) divulga sua decisão de juros para as taxas de empréstimo de 1 e 5 anos.


BRASIL: CÂMARA APROVA CALAMIDADE PÚBLICA

Copom… Ontem o Comitê de Política Monetária do BC optou por reduzir, de forma unânime, a taxa Selic em 50bps, renovando a mínima histórica ao levar a taxa para o patamar de 3,75% a.a. Em seu comunicado pós-reunião, fez menção ao aumento na variância de seu balanço de riscos: Se por um lado, o risco político que tem se refletido no grau de impasse das reformas e está explicito no prêmios de riscos pode ameaçar elevar a inflação, por outro, o impacto baixista do Covid-19 não só sobre a demanda, mas também sobre o preço das commodities e a volatilidade dos ativos financeiros, pode colocar a trajetória da inflação na direção contrária. O Copom deixou a porta aberta para futuros cortes caso necessário, e sinalizou que utilizará todas as ferramentas a sua disposição para defender o real no mercado cambial e garantir a estabilidade das condições financeiras face esta nova crise que estamos vivenciando. Comentamos o fato no nosso Flash Macro

Câmara aprova calamidade pública… A Câmara dos Deputados aprovou ontem (18) um decreto presidencial que declara calamidade pública, em razão da epidemia do Covid-19. O decreto elimina a necessidade de cumprir a meta fiscal (déficit de R$ 124,1 bilhões) estabelecida para 2020 pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), abrindo mais espaço no Orçamento da União para ações que visam conter o alastramento do vírus e dar sustento á economia. Antes de ser aprovado definitivamente, o decreto precisará receber o aval do Senado.

Sindicatos assinam acordos emergenciais…  Vários sindicatos, em reação ao fechamento compulsório de uma serie de empreendimentos, assinaram acordos coletivos que reduzem salários. A medida é uma em tentativa de evitar demissões em massa por representantes de categorias como, por exemplo, do ramo de serviços ou da construção civil. As alterações incluem reduções ou suspeições da jornada de trabalho, entre outros arranjos que reduzem o peso da folha de pagamento sobre as empresas que estarão fechadas por tempo indeterminado.

JP Morgan já prevê recessão de 1% para 2020… O banco americano revisou todas as suas projeções de crescimento para América Latina, incluindo o Brasil, que, segundo o JP Morgan, agora deve passar por uma recessão na magnitude 1% em 2020. Anteriormente ao alastramento da crise do coronavírus, o banco previa uma taxa de crescimento de 1,6% para o ano.

Panelaços retornam… Ontem, demonstrações contra e a favor ao governo foram realizadas em várias capitais do Brasil. As batidas nas panelas começaram na terça-feira, o primeiro dia em que manifestações foram usadas para demonstrar a insatisfação pública com o governo desde os protestos que precederam a derrubada da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016. A principal critica que impulsionou os protestos contra o presidente estão relacionadas a sua reação perante a crise do Covid-19.

Agenda… Às 9h, o IBGE divulga a sua pesquisa trimestral do abate de animais, do leite, do couro e da produção de ovos de galinha referentes ao 4T19. Em seguida (11h30), o tesouro realiza o seu leilão tradicional de título (LTN e NTN-F).

E os mercados hoje? Mercados globais iniciaram o dia sem direção única, com investidores avaliando novos esforços dos principais bancos centrais do planeta para combater os efeitos nefastos derivados da pandemia. A despeito disso, o crescimento no ritmo de contágio nas economias centrais continua fazendo com que o medo domine os movimentos nas principais bolsas do mundo. Aqui, como tem sido nos últimos dias, o mercado local deverá acompanhar a tendência verificada lá fora. Na abertura, atenções deverão se voltar para o câmbio, que pode sofrer pressão adicional após decisão do Copom por reduzir a taxa Selic em mais 0,5 p.p. Em função disso, esperamos mais um dia de viés neutro/positivo para ativos de risco brasileiros.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -13,73% aos 66.894
Real/Dólar: +2,02% cotado 5,10
DI Jan/21: +81 bps cotado a 8,34%
S&P 500: -5,18% cotado a 2.398

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

Folha de São Paulo
– Governo vai permitir corte de salário e jornada pela metade
– São Paulo registra mais 3 mortes, e hospital tem 8 funcionários em UTI
– Lojas e shoppings fecharão na capital e na Grande SP
– Governo quer mais testes, mas só fará para casos graves

O Estado de São Paulo
– Governo permitirá que empresas cortem salários e jornada à metade
– 22 capitais têm panelaços contra Bolsonaro
– Com mais 3 mortes, SP fechará lojas a partir de amanhã
– Eduardo contraiu vírus mental, diz chinês.

Valor Econômico
– Analistas já veem recessão e esperam gasto público
– Bolsonaro volta a criticar ‘histeria’ e enfrenta panelaço
– Montadoras começam a parar e parte do comércio terá de fechar
– Alcolumbre e dois ministros estão com coronavírus

O Globo
– Bolsonaro reage com novo pacote, mas é recebido com panelaço
– Trump e Merkel comparam desafio atual à 2ª Guerra
– Entrevista Wilson Witzel: ‘Precisamos de ajuda para os desempregados
– Após 4ª morte em SP, comércio vai ficar fechado

 

 

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