Mercados Hoje | Desejo por paralisação entre caminhoneiros ainda é minoritário, mas até quando?

Tempo de leitura: 9 minutos

Introdução:

Internacional

• Mercados internacionais iniciam mais um dia em terreno negativo;
• Ainda que com correções, tendência de médio prazo é positiva para ativos de risco;
• O clima está no centro da agenda econômica de Biden;
• PIB americano cresce 4% no 4T2020;
• Processo de recuperação nos EUA deve ser robusto em 2021;
• Agenda destaca índices americanos e PIB alemão.


Brasil

• Categoria dos caminhoneiros marcou paralisação para a segunda-feira;
• Governo mantem linha de comunicação com os condutores de carga;
• Aumento no preço do petróleo deve sustentar insatisfação entre caminhoneiros;
• Lira promete votar reforma administrativa no 1º semestre;
• Agenda local destaca dados sobre política fiscal e índice de incerteza na economia.


CENÁRIO EXTERNO: NADA NOVO NO HORIZONTE

Mercados… Ativos financeiros na Ásia encerram a sessão de ontem com perdas generalizadas. Na zona do euro, o Stoxx 600, índice que abrange uma variedade de ativos ao redor do continente, reverte os ganhos de ontem e cai, até o momento, mais de 1%. Nos EUA, futuros ensaiam uma abertura de teor similar, enquanto o dólar (DXY) ganha leve ímpeto contra seus principais pares. No plano das commodities, ativos se movimentam majoritariamente no verde. Destaque para o preço do petróleo (Brent Crude) que, ao operar com alta de cerca de 0,70%, é negociado em torno dos US$ 55,50/barril.

Sem grandes novidades… Índices acionários ao redor do globo dão início a mais uma sessão tumultuosa, com investidores realizando lucros frente às intensas altas ocorridas ontem. Diante do nível relativamente esticado dos valuations globais, faz sentido, em vista da série de questões sanitárias e econômicas que precisam ser resolvidas, observar este processo. Movimentos de correção são naturais aos mercados, porém entendemos que a tendência de médio prazo para ativos de risco americanos segue positiva. Afinal, o Fed manterá a torneira de liquidez acionada por meio de seu programa de compra de ativos, o Congresso provavelmente aprovará uma nova rodada de estímulos fiscais (quiçá não da ordem inicialmente preterida) e, aos trancos e barrancos, a vacinação em massa segue firme no país.

Biden e o clima… O combate ao aquecimento global está entre as principais prioridades da nova administração americana. Ao longo dos últimos dias, Biden tem assinado uma série de ordens executivas ligadas a questões climáticas, como o retorno dos EUA ao Acordo de Paris e o cancelamento de diversos contratos relacionados à exploração de petróleo em propriedades federais. Isto é apenas o começo. Biden tem constantemente reforçado que é possível aliar crescimento econômico, e, portanto, criação de empregos, com investimentos em energia renovável de forma a atender objetivos climáticos. Com isto, empresas ligadas ao setor de energia renovável tem muito a ganhar com a nova Casa Branca. Vamos acompanhar…

PIB americano… Segundo os resultados apresentados pelo BEA (Bureau of Economic Analysis), o PIB real dos EUA do 4ª trimestre de 2020 apresentou um crescimento anualizado, em relação ao trimestre anterior, de 4,0%. O resultado, alinhado com as expectativas do mercado, foi marcado por um aumento no consumo, no investimento (residencial e não residencial fixos e privado em estoque), nas importações e exportações e uma diminuição nos gastos dos governos locais, estaduais e federais. Dessa forma, tais dados continuam refletindo um processo gradual de recuperação econômica no país, como ocorrido no 3º trimestre, em que houve um crescimento anualizado de 33,4% no PIB.

Olhando para frente… A economia americana apresentou um forte processo de recuperação ao longo de 2020, amparada pela implementação de intensos estímulos monetários e fiscais. A retomada econômica perdeu tração no último trimestre por conta do esgotamento do impulso provido, mas a aprovação de uma nova rodada de gastos bem no final do ano passado fará com que a maior economia do mundo entre em 2021 com relativa robustez. A manutenção de políticas de estímulo tanto à demanda (pacote fiscal de auxílio financeiro) quanto à oferta (reconstrução da infraestrutura do país) continuará, junto com o andar da campanha de vacinação, pavimentando condições para uma recuperação integral de volta ao pleno emprego.

Na agenda… Hoje o investidor acompanha a divulgação do resultado do PIB alemão no 4T2020. Nos EUA, o destaque fica com o índice de inflação PCE de dezembro acompanhado pelo Fed, e a confiança do consumidor para janeiro, publicado pela Universidade de Michigan.


BRASIL: DESEJO POR PARALISAÇÃO ENTRE CAMINHONEIROS AINDA É MINORITÁRIO, MAS ATÉ QUANDO?

Greve dos caminhoneiros… Em reposta à um reajuste de 4,4% no preço do óleo diesel nas refinarias, alguns caminhoneiros devem aderir a uma paralisação na próxima segunda-feira. Em vista dos efeitos desastrosos das paralisações de 2018, – durante qual a mobilização da categoria gerou impacto de R$15 bi (equivalente a 0,2 do PIB) – a intensificação das articulações por um protesto tem gerado temor no mercado. Até o momento, o escopo e grau de aderência das mobilizações marcadas para o início da semana que vem aparentam ser limitados; o apoio à mobilização entre lideranças da classe ainda é minoritário.

Interlocução do governo… O governo tem mantido uma linha de comunicação aberta com os condutores de carga, designando o ministro Tarciso Freitas (infraestrutura) como o principal encarregado de impedir uma reprise do que ocorreu em 2018. Ademais, o presidente Jair Bolsonaro ainda conta com o apoio de uma parcela considerável da categoria e a sua promessa de reduzir impostos que incidem sobre o diesel deve conter os ânimos dos caminhoneiros por ora.

Insatisfação da classe deve crescer em 2021… Apesar de não representar um risco latente no curto prazo, a insatisfação dos caminhoneiros deve continuar pairando sobre a economia brasileira no médio e longo prazo. As constantes demandas por reajustes no piso da tabela do frete demostram que perdura um excesso de oferta de mão de obra da categoria. Já que óleo diesel é um insumo com grande impacto sobre a margem de lucro desses profissionais, a inevitável valorização do preço do barril de petróleo – uma consequência da retomada da economia global – deve intensificar sensação de frustração entre os condutores de carga.

Pandemia e repercussão negativa… Por outro lado, a repercussão negativa que saturou os últimos das mobilizações de 2018, deixou os líderes dessa classe trabalhista mais cautelosos e menos agressivos. A crise sanitária também tende a diminuir o apetite dos caminhoneiros por investidas radicais. De qualquer forma, administrar o ânimo da categoria não será uma tarefa simples em 2021.

Lira promete votar reforma administrava no primeiro semestre… O favorito na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), prometeu, durante um encontro com deputados do PSL, que votará a reforma administrativa ainda no 1º semestre de 2021. Segundo o deputado, o Brasil precisa fazer uma forte sinalização de respeito ao teto de gastos.

Reforma de pouca ambição… A abrangência tímida da reforma apresentada no ano passado pelo governo – que só afeta futuros servidores e não impacta parlamentares, o magistrado e militares – pode favorecer uma tramitação mais célere pelo Legislativo. Mesmo assim, em vista da ausência de progresso na pauta das reformas desde a aprovação da reforma da previdência em 2019, o cronograma apresentado pelo candidato à presidência da Câmara aparenta um tanto otimista.

Na agenda… Localmente, a agenda econômica pontua dados sobre política fiscal, divulgados pelo BCB, e o Indicador de Incerteza na Economia (IEE-Br), divulgado pela FGV.

E os mercados hoje? Ativos internacionais devem voltar a apresentar movimentos de alta volatilidade enquanto não enxergam novas informações para justificar uma continuidade mais intensa do fluxo comprador. Aqui no Brasil, o movimento de sell-off deve contaminar os mercados locais, cujo desempenho pode ser novamente comprometido com a pressão sentida por uma greve dos caminhoneiros em potencial. Preocupa, ainda, a reação do governo, que pode tomar medidas de agrado ao grupo que comprometem o equilíbrio das contas públicas, como uma redução do PIS/Cofins sobre o óleo diesel sem contrapartida fiscal no lado das receitas ou gastos. Assim, esperamos um dia de viés negativo para ativos de risco domésticos.

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 119.119 (+2,79%)
BR$/US$: 5,44 (+0,54%)
DI Jan/27: 7,09% (-13 bps)
S&P 500: 3.787 (+0,97%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Grandes empresas descartam aderir à compra de vacinas
– Receita perde R$ 167 bi com compensações
– Grupo de rede social vira o jogo na bolsa
– Comércio eletrônico cresce 41,2%

O GLOBO
– Butantan cobra, mas governo não garante compra de vacinas
– De olho na retomada, indústria corre atrás de imunizantes
– Bolsa Família: ministério pode ir para o centrão
– No Senado, MDB avalia abandonar Simone Tebet

FOLHA DE S.PAULO
– Biden lança plano de US$ 2 tri contra mudança climática
– Capital paulista vai usar estoque inteiro na 1ª dose
– Sem decisão da Saúde, SP cogita exportar vacina
– Bolsonaro admite interferência na eleição da Câmara

O ESTADO DE S.PAULO
– Governo avalia corte no imposto do diesel para atender caminhoneiros
– Candidatos de Bolsonaro falam em barrar CPIs
– Guedes estuda facilitar corte de jornada e de salários
– Verba para Manaus não acompanhou alta da covid

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