Mercados hoje | Em queda livre

Tempo de leitura: 9 minutos

Introdução:

Internacional

•Ativos de risco iniciam a sessão com forte viés negativo;
• Piora aguda do quadro sanitário na Europa e no centro-oeste americano acrescenta receio em um ambiente já volátil em função das eleições nos EUA;
• Em meio a piora de diversos indicadores antecedentes da economia, países europeus cogitam reforçar medidas de combate à disseminação da covid-19;
• Balança comercial e estoques de petróleo bruto protagonizam agenda econômica americana.

 

Brasil

• Maia reclamou abertamente sobre a obstrução implementada pelo Centrão;
• Nem os projetos de interesse do governo estão sendo votados;
• Bolsonaro mantém foco na sua guerra de procuração com o governador de São Paulo;
• Avanços no Congresso que podem animar o mercado em 2020 aparentam cada vez mais improváveis;
• Copom anuncia a sua decisão de política monetária após o fechamento do pregão.


CENÁRIO EXTERNO: EM QUEDA LIVRE

Mercados… Bolsas asiáticas encerraram a sessão sem direção única. Na zona do euro, bolsas voltaram a amanhecer em baixa, caminhando para registrar o pior desempenho nos últimos 5 meses em outubro. Só nesta manhã, o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, registra queda de 2,0% até o momento. Em NY, índices futuros também apontam para uma abertura fortemente desfavorável para ativos de risco americanos, com baixas da ordem de 1,5%, enquanto o dólar (DXY) volta a registrar uma valorização robusta contra os seus principais pares. Na fronte das commodities, ativos também ilustram a forte piora de sentimento verificada nos mercados acionários. O preço do petróleo (Brent crude) cai 3,5%, negociado abaixo dos US$ 40,00/barril.

Em queda livre… Ativos internacionais estão iniciando o dia em tom negativo, refletindo a alta aversão ao risco derivada da percepção de piora de diversos fatores de risco para a recuperação da economia global. A agressiva 2ª onda de coronavírus na Europa e a piora do quadro nos EUA adicionam forte incerteza a um ambiente que já conta com forte volatilidade em função da proximidade das eleições presidenciais nos EUA. Na mesma direção, o preço do petróleo (brent crude) caiu abaixo do limiar de US$ 40,00/barril, reflexo de uma expansão maior do que o esperado dos estoques da commodity nos EUA.

2ª onda em pauta… Como o maior dos riscos, a piora no quadro sanitário na Europa e no Centro-Oeste americano se destaca, ameaçando reintroduzir lockdowns focalizados no velho continente. Enquanto a França cogita tal alternativa, já verificamos a volta de algumas medidas de distanciamento social na Espanha e na Itália, onde a 2ª onda se mostra mais agressiva. Tendo a forte piora em vista, na Alemanha, maior economia do bloco, a chanceler Angela Merkel também já cogita o fechamento de bares e restaurantes. Diversos indicadores antecedentes já apontam para uma clara redução do ritmo de recuperação devido à reincidência do vírus na Europa, destino que deve ser compartilhado em breve pelos EUA, principalmente levando em consideração a ausência de uma nova rodada de estímulos fiscais.

Na agenda… Em dia de agenda de indicadores mais morna, o investidor se atentará ao resultado da balança comercial americana em setembro (est.: – US$ 85bi), às 9h30, e aos estoques de petróleo bruto do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, às 11h.


BRASIL: PARA CONQUISTAR PRESIDÊNCIA DA CMO, CENTRÃO TRABALHA CONTRA OS INTERESSES DO GOVERNO

Disputa pela presidência da CMO trava pauta da Câmara… O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), abordou ontem abertamente o impasse em torno da presidência da CMO (Comissão Mista Orçamentaria). Segundo o demista, um grupo liderado pelo deputado Artur Lira (PP-AL) tem obstruído (impedido o quórum mínimo para que se vote projetos) as votações no plenário da Casa Baixa em tentativa de forçar o DEM e o MDB a abrirem mão da presidência do colegiado que terá papel decisivo na formulação do Orçamento de 2021.

Origem da briga… Este embate se iniciou no final de julho, quando o DEM e o MDB saíram do chamado “blocão”, u, arranjo de partidos que integra os partidos do Centrão. Lira acredita que a saída das siglas de centro-direita justifica renegação do acordo que daria ao deputado Elmar Nascimento (DEM- BA) a presidência da CMO.

Centrão trabalha contra os interesses do governo… Além de atrasar a aprovação do Orçamento de 2021, o impasse acaba impedido que todos os projetos de interesse do governo, incluído várias medidas provisórias com data de expiração, sejam analisadas. A maior conquista do governo em 2019, a formação de uma base governista na Câmara (Centrão), inadvertidamente se voltou contra o governo para ganhar uma queda de braço contra o DEM e o MDB.

Oposição potencializa birra do Centrão… A obstrução do Centrão tem sido fortalecida pelos partidos de oposição, que obstruem a pauta na tentativa de forçar o governo a elevar as parcelas do auxílio emergencial de R$ 300 para R$ 600. A improvável confluência de interesses entre opositores e aliados do governo deve continuar impossibilitando votações no plenário da Câmara.

Bolsonaro poderia intervir… Como os partidos comandados por Artur Lira compõem a base governista na Câmara, o presidente da República poderia intervir para destravar a pauta do plenário. Porém, ao que tudo indica, Bolsonaro aparenta estar mais preocupado com a sua guerra de procuração com o governador João Doria, que envolve a corrida das vacinas (AtraZeneca/Oxford x Sinovac/Butantan) e a disputa pela prefeitura de São Paulo, onde Bruno Covas (PSDB/time Doria) e Celso Russomano (Republicanos/time Bolsonaro) despontam nas pesquisas. O impasse pode até favorecer a estratégia do presidente de evitar decisões impopulares durante o pleito eleitoral.

Resumo da ópera… Mas o que isso tudo quer dizer para o investidor? Simples, não aguarde drivers relevantes da esfera política relacionados às pautas prioritárias. Toda essa confusão, junto a não formulação das comissões, ameaça garantir que nem avanços pequenos sejam registrados durante o restante de 2020. Em vista deste contexto, uma resposta definitiva para o plano de financiamento do Renda Cidadã – que respeita o teto de gastos, claro –, um eventual cancelamento do recesso legislativo do fim do ano (23/12 – 01/02) e uma resolução no embate da presidência da CMO são os principais desenvolvimentos que podem animar o mercado no curto prazo.

Na agenda… Como grande destaque desta 4ªfeira, o mercado aguarda a divulgação da decisão de política monetária do Banco Central, proferida pelo Copom junto de seu comunicado após o fechamento do pregão. Assim como temos comentado recentemente, esperamos a manutenção da taxa Selic nesta reunião, mas acreditamos que o comitê adote um tom mais cauteloso, reforçando a necessidade de avanços concretos na agenda de reformas, além de abordar recentes pressões inflacionárias. Ao todo, a prescrição futura (forward guidance) de juros baixos por um tempo prolongado deve ser mantida, mas a porta para novos cortes deve ser fechada. Na fronte corporativa, o investidor espera o resultado da Gerdau antes da abertura e do Bradesco, Vale e Petrobras após o fechamento.

E os mercados hoje?…

Bolsas internacionais amanheceram em tom fortemente negativo, reagindo à piora dos principais riscos do cenário para a recuperação econômica. No Brasil, os principais destaques da agenda acontecem depois do fechamento, com as divulgações da decisão do Copom e dos balanços da Vale, Petrobras e do Bradesco. Enquanto isso, o investidor deve seguir digerindo o aviso de Rodrigo Maia, que na falta de uma mudança de postura do Centrão e dos votos necessários para suspender o recesso parlamentar em janeiro, “a PEC Emergencial fica para fevereiro e o Orçamento para março.” Assim, esperamos mais um dia de viés baixista para ativos de risco locais, que devem continuar reagindo mal à falta de desenvolvimentos positivos na política, além da piora generalizada de sentimento verificada no exterior.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 99.605 (-1,40%)
BR$/US$: 5,69 (+1,17%)
DI Jan/27: 7,51% (+8 bps)
S&P 500: 3.390 (-0,30%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Pressões variadas acendem sinal de alerta para inflação
– Pesquisas independentes se disseminam
– TRF julga se marca atenta contra moral
– Avanço digital acelera negócios na área de chips

O GLOBO
– Instabilidade política e alta da Covid levam dólar a recorde em 5 meses
– Nos EUA, 50% dos eleitores já votaram em 13 estados-chave
– Estratégia de ataques mira 2º turno
– Mortes e descaso em incêndio no hospital

FOLHA DE S.PAULO
– País fecha 2 de cada 3 leitos de UTI criados na pandemia
– Com custo maior, dívida federal passa de R$ 4,5 tri
– Para investidor, existe um vale do silício na Amazônia
– A 1 semana, Biden possui a vantagem maior em 24 anos

O ESTADO DE S.PAULO
– País registra 76 mortes por motivação política desde janeiro
– Bolsonaro ‘some’ da campanha de Russomanno
– Preço da soja leva governo a se reunir com produtores
– Reajuste retroativo de plano de saúde deve ser parcelado

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