Mercados Hoje | FOMC no radar

Tempo de leitura: 10 minutos

Introdução:

Internacional

• Ativo internacionais iniciam o dia em tom negativo;
• Confiança do consumidor alemão volta a cair em janeiro, refletindo a inércia política para aprovar pacote bilionário e orçamento trilionário;
• Fed toma hoje sua primeira decisão de política monetária do ano;
• Orientações do Fed sobre o programa de compra de ativos serão o destaque do dia;
• Agenda internacional destaca índices da economia americana.


Brasil

• Apesar dos esforços de Maia, DEM está dividido entre Lira e Rossi;
• Após renúncia do presidente da Eletrobras, Bolsonaro promete acelerar privatizações;
• Governador de Goiás alerta que Brasil vivi “voo cego” devido a cepa mais transmissível da covid-19;
• FMI aumenta projeção de crescimento do Brasil para 3,6% em 2021;
• Agenda local pontua dados referentes ao setor externo e Relatório Mensal da Dívida Pública.


CENÁRIO EXTERNO: FOMC NO RADAR

Mercados… Bolsas asiáticas enceraram a sessão de ontem sem direção única. Na Europa, o Stoxx 600, índice de abrange uma gama de ativos ao redor da região, opera em queda de cerca de 0,80%, enquanto futuros em NY ensaiam um movimento de abertura em terreno negativo. O dólar (DXY) opera em alta de 0,24% contra seus principais pares e, no plano das commodities, ativos se movimentam sem direção única. Destaque para o preço do petróleo (Brent Crude) que, ao operar com alta de 0,52%, é atualmente negociado em torno dos US$ 56,20/barril.

Economia Alemã… A confiança do consumidor alemão passou por uma nova deterioração em janeiro, pontuando os efeitos contracionistas proporcionados pelas rodadas de lockdowns implementados recentemente. O índice de confiança do consumidor da GfK caiu de -7,5 para -15,6, intensificando a piora de perspectivas e contribuindo para um agravamento da atividade econômica entrando em 2021. Além de refletir a piora das condições sanitárias, a derrocada do índice também deixa claro como a inação política em torno da implementação do pacote bilionário de gastos acordado em julho de 2020 cobra seu preço.

Inércia na política europeia… Após quase sete meses depois de acordar um pacote de EUR$ 750 bilhões e um orçamento trilionário de gastos, governantes do bloco europeu ainda não o implementaram. O atraso na implementação do pacote está agora ligado a restrições político-burocráticas que inibem que os recursos sejam diretamente distribuídos entre os países membros. Cada país da União Europeia deve detalhar como utilizará os recursos e, somente quando analisado e aprovado pela Comissão Europeia, os países receberão o montante. Este processo pode tardar meses, prolongando os efeitos recessivos proporcionados pela pandemia e agravando uma situação que já dá constantes sinais de deterioração.

De olho no FOMC… Hoje o comitê de política monetária (FOMC) do Federal Reserve, BC americano, toma sua primeira decisão de política monetária do ano. Não esperamos grandes novidades. A autoridade monetária voltará a comunicar sua postura altamente acomodatícia, reforçando a manutenção da taxa de referência (Federal Funds Rate) em patamares próximos de zero por tempo duradouro e a continuidade no programa de compra de ativos público e privados (QE).

Sobre o programa de compra de ativos… Com relação a este último ponto, espera-se que Powell, presidente do Fed, tome uma postura de forma a deixar claro que, mesmo em meio a implementação de uma mega-pacote fiscal, a política monetária não reverterá seu atual grau de estímulo tão cedo. Isto é, o programa de compra de ativos deve perdurar até pelo menos o final deste ano. Vale relembrar que o uso da ferramenta está intimamente ligado ao atingimento do duplo mandato do Fed: obtenção do pleno emprego e inflação média de 2,00%. Este tipo de movimentação tende a enfraquecer o dólar em âmbito global, criando condições de apreciação mais concretas para divisas emergentes, e a fortalecer os valuations dos ativos.

Na agenda… Além da decisão de política monetária no Fed, sai hoje o resultado das Encomendas de Bens Duráveis para o mês de dezembro e os estoques de petróleo bruto para janeiro. Ambos os dados referentes à economia americana.


BRASIL: ARTHUR LIRA CONQUISTA APOIO DE PARLAMENTARES DO PARTIDO DE RODRIGO MAIA

Lira acredita ter maioria dos votos do DEM… O deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato a presidência da Câmara dos Deputados apoiado pelo governo, afirmou ontem que acredita ter a maioria dos votos da bancada do DEM. A afirmação é relevante já que Rodrigo Maia (RJ), atual presidente da Casa e articulador da candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP), integra a sigla. Na segunda-feira, Maia afirmou o contrário ao prever que a maioria dos demista na Câmara apoiarão Rossi.

Lira na liderança… É difícil confirmar ou desmentir estas afirmações, mas a adesão à candidatura de Lira por parlamentares do DEM não surpreenderia, já que a sigla é pouco coesa e reúne uma grande variedade de interesses divergentes. Como a votação será realizada de forma secreta, cada parlamentar poderá votar livremente sem sofrer retaliação de seu partido. Além disso, o apoio do governo ao candidato do PP o arma com cargos e emendas que podem ser trocados por votos. No momento, Lira aparenta ter formado uma base de apoio mais ampla que a de Rossi. A eleição será realizada na próxima segunda-feira (01/02).

Bolsonaro promete “acelerar” privatizações… Em resposta à renúncia do presidente da Eletrobras, que perdeu esperança em torno de uma possível capitalização da estatal, o presidente Jair Bolsonaro refirmou o seu compromisso com as privatizações em uma reunião com investidores. Segundo a declaração do presidente, o governo pretende “acelerar os leilões de concessões e privatizações… e dar continuidade às medidas de aperfeiçoamento do ambiente de negócios”. A afirmação do presidente ocorre em um momento em que a pauta de privatizações está extremamente desacreditada. Apesar da promessa do ministro Paulo Guedes (Economia) de anunciar “3 ou 4 grandes privatizações” no 2º semestre de 2020, o governo tem registrado poucos avanços nesse âmbito.

Caiado demonstra preocupação com cepa amazonense do covid-19… O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), demonstrou grande preocupação com os possíveis impactos da cepa do coronavírus que contribuiu para o colapso do sistema de saúde de Manaus. Segundo o governador, o Brasil vive “um voo cego” devido à natureza desconhecida da nova vertente do vírus. Segundo especialistas, o novo vírus é potencialmente mais transmissível, podendo pressionar o sistema de saúde de outras cidades fora do Amazonas. O governador admitiu que está “repensando todo o projeto de Goiás” e considerando medidas ainda mais restritivas no seu estado.

FMI melhora projeção de crescimento para o Brasil… A mais recente atualização do relatório Perspectiva Econômica Global, de autoria do Fundo Monetário Internacional (FMI), trouxe revisões positivais na projeção de crescimento econômico do Brasil em 2021 e 2022. O Fundo agora acredita que o Brasil deve crescer 3,6% em 2021; o relatório anterior previa uma expansão de 2,8%. Para 2022, o FMI agora prevê que o PIB do Brasil deve crescer 2,6%, ante 2,3% no relatório publicado em outubro. O fundo citou a aprovação de vacinas como uma das justificativas pelo maior grau de otimismo na mais recente iteração do seu relatório.

Na agenda… Além de uma série de estatísticas relacionadas ao setor externo (transações correntes e IDP) divulgadas pelo BCB pela manhã, o Tesouro Nacional divulga o Relatório Mensal da Dívida Pública para o mês de dezembro do ano passado.

E os mercados hoje? Ativos internacionais iniciam o dia em tom negativo na espera da decisão de política monetária do Fed. A expectativa de uma postura altamente acomodatícia deve continuar dando sustento aos ativos de risco enquanto o mais novo pacote fiscal preconizado pela equipe econômica de Biden não é implementando. Localmente, ativos de risco devem andar de lado com a ausência de notícias mais promissoras no que tange à pauta de privatizações e agenda de reformas em geral. Embora a afirmação de Bolsonaro quanto ao andar das privatizações seja algo positivo, sua inação em efetivamente endereçá-las dá continuidade ao sentimento de descrédito sentido pelo mercado. Assim, esperamos mais um dia de viés neutro/negativos para ativos de risco domésticos.

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 116.260 (-0,95%)
BR$/US$: 5,35 (-2,10%)
DI Jan/27: 7,32% (-18 bps)
S&P 500: 3.849 (-0,16%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Setor privado fecha contrato para comprar vacina da Índia
– Mercado reage à dissensão no Copom
– Governo estuda auxílio de R$ 200 por 3 meses
– Alta eficácia é promessa de bioinsumo

O GLOBO
– Governos de 15 estados tentam comprar vacinas
– Guedes diz que auxílio depende de trava de gastos
– Baleia tenta recuperar dissidentes na reta final da disputa na Câmara
– Prefeito negocia volta do pedágio na Linha Amarela, mas com tarifa reduzida

FOLHA DE S.PAULO
– DEM racha, dá força a bloco de Lira e irrita Maia
– Para 71%, economia só
– Após questionar, Bolsonaro agora apoia imunização
– Sem maioria no Senado, premiê da Itália renuncia

O ESTADO DE S.PAULO
– SP detecta variante do Amazonas; País tem rastreamento precário
– Empresas afirmam que ainda tentam comprar vacina
– Atraso no Orçamento põe salários da União em risco
– Verba a entidade religiosa vai exigir cadastro

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